terça-feira - 29/11/2011 - 17:43h
Cultura do poder

A lei para a maioria, o “jeitinho” sujo para a parentada


Impressiona a cultura política do compadrio que impera no Rio Grande do Norte e Brasil. Muitos estudiosos e leigos insistem na tese de que é uma herança lusitana, de além-mar.

Bambinos de qualquer bacana com ficha suja, ou não, nunca estão desempregados. E sempre arranjam empregos de ótimo verniz social e excelente remuneração.

Não precisam provar que possuem competência ou mesmo decência.

Basta o “QI” – Quem Indique.

Eles povoam todas as esferas do poder, do Judiciário ao Executivo.

Quando são flagrados em deslize, ninguém quer se arriscar à simples menção de proximidade com eles, mesmo sendo cúmplices desse costume da camaradagem com uso do dinheiro público.

Enquanto isso, os filhos da ralé, da escumalha, da maioria dos brasileiros, têm que se matar na concorrida luta pela sobrevivência e ascensão social, através de concursos e triagens em empregos privados.

Por vezes, ainda passam pela tortura da vitória num certame público, como casos de concursos do Detran, Polícia Militar e Polícia Civil, mas não sabem se serão chamados.

De novo, estamos nas mãos dos “donos do poder”, essa elite inescrupulosa e covarde – com raras exceções -, que se acostumou a empunhar a lei para restringir direitos da maioria, mas sempre arranja um atalho para favorecer seus parentes medíocres ou bandidos.

Pobre Brasil, pobre RN!

Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog

Comentários

  1. Geraldo Fagundes diz:

    Carlos Santos;
    O brasileiro, salvo raríssimas exceções, tem fama de levar vantagem em tudo, certo? Os órgãos públicos brasileiros funcionam como um grande e delicioso queijo suíço de primeira qualidade. Enquanto a justiça consegue, com muitas dificuldades, pegar meia dúzia de ratos que roem pequenas fatias da parte exterior, milhões deles estão roendo o núcleo do queijo. Por isso, passam despercebidos. São milhões de ratos pequenos e grandes e de cores e origens variadas. Dificilmente a justiça coloca ratoeiras para pegá-los.

    Lamentavelmente a maioria da população assiste a tudo isso de camarote e ainda aplaudem. Muitos defendem a farra dos ratos argumentando que no Brasil é assim mesmo. Outros argumentam que no governo anterior houve mais roubos e finalmente aqueles que dizem que se estivessem no lugar deles, dos ratos, roeriam também.
    Será que podemos crer na tese que defende que a corrupção está no DNA de cada brasileiro?

    Veja que belo exemplo de corupão:

    Semana passada eu fui com o meu neto a uma concessionário de motocicletas para fazer a revisão periódica dos 3.000 Km. Cheguei na loja por volta das 7 da manhã e perguntei a uma pessoa que também estava na fila aguardando a concessionária abrir:

    - Eu vou fazer a revisão dos 3.000 KM. Você sabe dizer se eles entregam a moto hoje?

    A pessoa respondeu em cima da bucha:

    - Se você “molhar a mão” do mecânico com dez reais ele entrega a moto revisada em duas horas.

    Eu não “molhei”! Recebi a moto no outro dia.

    E assim caminha o país que outrora era conhecido (lá fora) como o país do carnaval e do futebol. Hoje, a palavra “corrupção” está inserida no contexto. Quem conhece o exterior sabe. Quem não conhece, zomba e diz que é mentira. Típico de São Tomé, o brasileiro

    Boa Noite!

  2. Stella diz:

    Na jugular, Carlos. Comentário milimetricamente certeiro. Folgo em lê-lo. abraço

  3. Geraldo Fagundes diz:

    Falha minha.

    Na frase ” veja que belo exemplo de CORUPÃO”, Leia-se CORRUPÇÃO ao invés de CORUPÂO.

    Obrigado!

  4. jb diz:

    “O conservantismo, o irrealismo, o personalismo e a corrupção são defeitos da minoria e deles resultam as insuficiências populares. A arte de furtar é nobre e antiga, praticada pelas minorias e não pelo povo. O povo não rouba é roubado(…)A estrutura social rígida constitui também um sério obstáculo porque não só impede a emergência de novos valores na sociedade, como mantém o sistema de privilégios na distribuição da riqueza e da renda. Os privilégios enfraquecem os incentivos à atividade econômica e não se refletem no índice de formação liquida de capital, mas nos padrões extravagantes de consumo conspícuo nas altas camadas da sociedade, em face das desumanas condições de vida dos grandes grupos sociais modestos. Estes padrões, por mais contraditórios que pareçam o desenvolvimento e o consumo conspícuo, são aplaudidos pelos cronistas sociais, que possuem largas colunas nos principais orgãos de imprensa, avidamente lidas não só por aqueles grupos sociais, mas pelas classes médias, sempre ambicionado o gozo dos mesmos privilégios e padrões.” Conciliação e Reforma no Brasil;RODRIGUES, José honório. págs 119 e 210

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