domingo - 04/03/2018 - 09:34h

Clauder Arcanjo na Academia


Por David Leite

“Como Pedro por su casa” é um adágio popular espanhol. Emprega-se quando se quer dizer que alguém mostra muita familiaridade em um lugar ou situação com que se depara. E é assim que vemos a chegada do escritor Clauder Arcanjo à Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL).

Alguns predicados nos marcam, ou, dito de outra forma, alguns matizes delineiam nossa silhueta. Arrisco dizer que três características esboçam o perfil de Clauder Arcanjo: a família, a vida profissional e a literatura.

No aspecto familiar, além das constantes referências aos ensinamentos dos pais e irmãos, sabemos, sobejamente, o amor que ele devota à sua Biscuí e aos três queridos filhos. No campo profissional, a sólida e profícua carreira na Petrobras denota o esmero e a determinação que lhe movem. E a literatura? Como escrever acerca de Clauder e a literatura? Multifacetado, Clauder escreve prosa e poesia.

Sua estreia deu-se como resenhista, sob o pseudônimo de Carlos Meireles. E, nessa condição, sustentou coluna-resenha tanto na revista de humor e cultura Papangu como nos jornais locais. Por sinal, tão vasto material ainda se tornará livro. Aguardemos, pois.

Na qualidade de contista, estreou, em livro, com Licânia (Sarau das Letras, 2007). Para Clauder, Licânia é uma espécie de Macondo ou Pasárgada, de onde ele extrai os melhores caldos para as suas fabulações. Abrolham personagens e enredos que já renderam outros livros no mesmo gênero.

Na crônica, Clauder Arcanjo também deita e rola. O estimado Manoel Onofre Jr., sempre que possível, comenta o seu apreço por Uma garça no asfalto (Letra-Selvagem, 2014), considerando-o uma referência. E, dito por Manoel Onofre, nem carece dizer que qualquer comentário é revestido de forte embasamento e análise acurada. Outras obras se seguiram: Lápis nas veias (pequenos contos), Novenário de espinhos (poemas), Pílulas para o silêncio (aforismos, obra bilíngue), Cambono (romance), Separação (contos). Sem mencionar as obras em participação.

Poderíamos abordar outras tantas facetas de Clauder e sua relação com a literatura: o programa Pedagogia da Gestão; a confraria literária Café & Poesia, os Bibliófilos de Licânia, etc. Porém, tenho que confessar a “parcialidade” em priorizar comentário sobre a editora Sarau das Letras.

A aparição da Sarau das Letras deu-se em 2005, fruto do sonho de dotar a cidade de mais um instrumento de apoio aos novos escritores que desejavam publicar as suas obras. E, diga-se de passagem, abraçamos a “causa editorial”, sem largamos as nossas atividades profissionais, considerando que nossas ações eram (e são) sem fins lucrativos, movidos tão só pelo sonho de fomentar e incentivar o segmento literário local.

A Sarau das Letras que, de início, pensávamos que iria atuar junto aos escritores mossoroenses, logo alargou seu campo de atuação por todo o Rio Grande do Norte. E, numa etapa posterior, começou a ser procurada por escritores de outros estados brasileiros, desejosos de publicar pela editora potiguar.

Vale destacar que, com doze anos de existência, a Sarau já ultrapassou a marca de 210 (duzentos e dez) títulos publicados; sem contar com nenhum recurso público, como gostamos de frisar. Merece destaque o fato da editora ter ultrapassado as fronteiras brasileiras e firmado parceria com a Trilce Ediciones, editora espanhola, onde lançou obras bilíngues de escritores potiguares. Como, também, já conta com publicação bilíngue em solo argentino.

Em 2015, quando das festividades de dez anos da Sarau das Letras, tomamos duas iniciativas: lançamos um livro comemorativo, intitulado Sarau das Letras: Entrevistas com Escritores, e deliberamos a formação de um Conselho Editorial, assim composto: Alfredo Pérez Alencart, Ângela Maria Rodrigues de Oliveira Pereira Gurgel, David de Medeiros Leite, Kalliane Sibelli de Amorim Oliveira, Lilia Maria Machado Souza, Manoel Onofre Júnior e Raimundo Antonio de Souza Lopes. Ficando Clauder Arcanjo responsável pela diretoria-executiva da Sarau das Letras.

Por tudo isso, Clauder Arcanjo – detentor de uma linguagem “revestida de muitos elementos do imaginário poético”, segundo o escritor, professor e crítico literário Paulo de Tarso Pardal – toma assento, com méritos, na Cadeira Nº 12, da Academia Norte-rio-grandense de Letras. Cadeira essa que tem como patrono o jurista Amaro Cavalcanti, sendo seu primeiro ocupante o ex-governador Juvenal Lamartine. Sequencialmente ocupada por Veríssimo de Melo, Oswaldo Lamartine de Faria e Paulo Bezerra, nosso saudoso Paulo Balá.

Com a posse de Clauder Arcanjo na Casa de Cascudo, a literatura sente-se valorizada e a cultura potiguar enaltecida.

David Leite é professor da Uern, escritor e membro da Academia Mossoroense de Letras (AMOL)

Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. Francisco rodrigues da Costa diz:

    Quem procura acha.

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