domingo - 29/04/2012 - 11:13h

Delírio


Por Olavo Bilac

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…

Olavo Bilac (1865-1918) – O “príncipe dos poetas” brasileiros é um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL) e autor do Hino da Bandeira Nacional. Fez os cursos de Direito e Medicina, abandonando ambos pelo amor à literatura.

Categoria(s): Poesia

Comentários

  1. Amelie Geiss diz:

    Olá preciso muito saber onde se pode achar uma fonte adequada que mostra que esse poema é de Bilac! De onde vc pegou o poema? e como sabe que é de Bilac? agradeço muito por uma reposta.

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