domingo - 08/07/2018 - 10:24h

O bom texto


Por François Silvestre

O bom texto literário não trata da boa vida humana. Não cuida do prazer nem das alegrias. O bom texto é a negação do bom.

Há na escritura de um texto bom uma carga de ruindade que cospe na cara do leitor. Foi assim desde que o primeiro escriba vingou-se do seu tempo, dos seus algozes, das suas mazelas.

Nas escrituras, todas elas, das sacras às profanas, há uma avalanche de maldade que faz do escracho à condição humana uma urdidura do bom texto.

Sem exceção. Os textos suaves, bocós, melosos, agradáveis, têm vida curta.

A dura escritura é tarefa de recalcados, sofridos, até suicidas covardes, que não se matam. Suicidam-se em cada frase e renascem na estupidez do destinatário do seu texto, que é o leitor idiota.

Me vem à memória uma multidão de bons textos e de excelentes escritores que assim o fizeram. Não citarei nenhum. É minha vingança de detestá-los por não conseguir me comparar.

E se meus atropelos pudessem merecer um texto que escarrasse no focinho do leitor, meu talento raquítico não me fornece matéria prima.

Sobra-me falar mal do leitor, reduzi-lo à condição funcional do focinho, como se o texto tentasse pôr uma brida, com rédeas sob meu controle, mesmo montado num animal desconhecido.

Esse é um bom texto? Se você disser que é, não entendeu nada. Se disser que não é, entendeu menos ainda. É melhor ficar calado.

O mundo é uma caverna na Tailândia, com crianças esperando respirar com a sobra do ar de asmáticos.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    O bom texto precisa de ruindade, François? O seu promoveu a maldade o quanto pôde. Até o último parágrafo. Alí a bondade da letra obrigou-lhe a falar sobre as crianças da caverna naTailândia, fato que entristece você e todos, por mais que tentasse disfarçar com a assistência asmática.
    A escrita espelha nossa alma, ainda mais do que o olhar. Pau–arbusto, que nasce torto, morre torto. Não há conserto para você, François. O mal não é sua praia.
    Quanto ao time da caverna, queremos amanhecer com boas notícias, ainda que com um ligeiro chiado de asma.

  2. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    O bom texto precisa de ruindade, François? O seu promoveu a maldade o quanto pôde. Até o último parágrafo. Alí a bondade da letra obrigou-lhe a falar sobre as crianças da caverna naTailândia, fato que entristece você e todos, por mais que tentasse disfarçar com a assistência asmática.
    A escrita espelha nossa alma, ainda mais do que o olhar. Pau–arbusto, que nasce torto, morre torto. Não há conserto para você, François. O mau , contrário do bom ,não é sua praia.
    Quanto ao time da caverna, queremos amanhecer com boas notícias, ainda que com um ligeiro chiado de asma.

  3. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    O bom texto precisa de ruindade, François? O seu promoveu a maldade o quanto pôde. Até o último parágrafo. Alí a bondade da letra obrigou-lhe a falar sobre as crianças da caverna naTailândia, fato que entristece você e todos, por mais que tentasse disfarçar com a assistência asmática.
    A escrita espelha nossa alma, ainda mais do que o olhar. Pau–arbusto, que nasce torto, morre torto. Não há conserto para você, François. O mau , contrário do bom ,não é sua praia.
    Quanto ao time da caverna, queremos amanhecer com boas notícias, ainda que com um ligeiro chiado de asma.

  4. François Silvestre diz:

    Você não presta, Naide. Isto é, é Ótima!

  5. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    Uma overdose de Naide Rosado.

    • Carlos Santos diz:

      NOTA DO BLOG – A grande lady deste espaço.

      Sempre bem-vinda.

      Saudações tricolores.

      • François Silvestre diz:

        Positivo e operante. Naide asmática, que não nega ar aos seus princípios, e respira a memória viva de Serra Grande. O Dezoito que vem antes dos Vinte e depois de qualquer contagem.

  6. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    Estou envaidecida! Obrigada, François e Carlos.

  7. Naide Maria Rosado de Souza diz:

    Estou emocionada.

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