domingo - 18/02/2018 - 03:40h
Conversando com...Manoel de Brito

‘Tempos marcantes’ de quem tem uma vida inteira na política

Ex-deputado estadual e ex-auxiliar de vários governadores lançará livro contando toda essa história

Por Janully Cristiano (Rádio Cabugi do Seridó)

Ex-deputado estadual (dois mandatos), ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ex-secretário de governos no RN, Manoel de Medeiros Brito é um arquivo vivo. Dono de memória privilegiada e próximo de completar 90 anos de vida (6 de julho de 1928), ele deu entrevista a Rádio Cabugi do Seridó, em que fala sobre livro que pretende lançar ainda este ano, vida e política.

Filho de Jardim do Seridó, metido e enfurnado na política provinciana desde tenra idade, ele é conhecido ainda por fino bom humor, como diria o jornalista João Batista Machado, que o trata até hoje por “Brito Velho.”

Seus pais eram proprietários do “Jardim Hotel”, em Jardim do Seridó. O mundo político-econômico do estado e muitos nomes da vizinha Paraíba passavam por lá, sob seu testemunho ainda imberbe. Ponto de partida para uma vida inteira nesse universo, mas com espaço também à formação em Direito no Rio de Janeiro.

Udenista, amigo e parente do governador Dinarte Mariz, preferiu seguir Aluízio Alves na célebre campanha ao governo de 1960. Em 1978, Brito foi um dos operários na construção da “Paz Pública” que juntou o proscrito (cassado pelo regime militar) Aluízio Alves e o governador Tarcísio Maia.

Mas no racha em 1982, ficou com os Maias, sem nunca ter perdido a amizade com os Alves. O radicalismo jamais o contaminou.

Veja abaixo uma síntese desse bate-papo:

Manoel de Medeiros Brito aproxima-se de 90 anos, sem nunca ter sido contaminado pelo radicalismo (Foto: Magno César)

Qual o título do livro? Já está escolhido e qual a previsão de data do seu lançamento?

Eu vou completar 90 anos e este livro relata desde a minha infância, a convivência que eu tive com as figuras mais importantes do RN, figuras de expressão nacional, e o serviço que eu pude prestar à minha terra. Desde muito cedo eu convivi com figuras muito importantes da vida política municipal, estadual e nacional. Por isso é que eu faço esse relato e dou ao livro o titulo de “Tempos Marcantes”. Está praticamente concluído. Desejo lançar no dia em que eu completo 90 anos: 6 de Julho deste ano. Vamos ver se dar tempo.

De quantos governos o senhor foi auxiliar?

Eu participei efetivamente de oito governos Estaduais, a começar pelo de Silvio Pedroza (governador do estado do Rio Grande do Norte entre 16 de julho de 1951 e 31 de janeiro de 1956). Fui o primeiro titular da representação Federal na capital da República, que nessa época era no RJ, depois eu fui auxiliar do Governador Aluizio Alves, do Governo Monsenhor Walfredo Gurgel. Também fui secretário-chefe de Gabinete Civil do Governo Lavosier Maia, além de titular da pasta do Interior e Justiça no Governo José Agripino. Posteriormente no novo governo dele (1991-1994), passei pela Secretaria de Segurança.

O que o levou após tantos anos discorrer sobre fatos marcantes da vida administrativa e política do nosso estado, escrevendo um livro?

Como eu participei de muitas gestões de políticas estaduais. Eu tenho muito o que contar. Foram governos empreendedores. O RN saía de um regime ditatorial em 1945 quando elegeu sua primeira Assembleia Constituinte de modo que eu conheci todos os atuantes. Eu tinha 17 anos. Não era nem eleitor mas participava das atividades políticas de modo que foi um período muito importante para historia do Brasil e sobretudo para historia do RN.

O que o senhor guarda em sua memória sobre todo esse período de serviços prestados ao estado, a esses governos?

De todos os governos que participei eu guardo muitas lembranças, porque foram governos operosos e normalmente em condições precárias, com poucos recursos. Dependíamos principalmente da ajuda federal. Tanto Sílvio Pedroza como os que o sucederam. Todos eles eram dependentes da ajuda do governo federal. O único que não dependeu expressivamente desse recurso foi o governador Aluizio Alves, porque foi favorecido com o programa “Aliança para o Progresso” que foi trazido ao país através do presidente norte-americano John Kennedy. Resultou em um grande trabalho que ele executou que foi a criação da Cidade da Esperança (conjunto habitacional em Natal), que foi a primeira e única obra do programa Aliança para o Progresso porque logo depois Kennedy foi assassinado, lamentavelmente,

Qual, na sua opinião, as características mais marcantes do governo e do governante Dinarte Mariz? Deixando os detalhes para o livro que o senhor está concluindo sobre a sua convivência com o ex-governador e politico

Brito: livro em breve (Foto: Web)

Dinarte foi um empreendedor, um empresário que sacrificou sua empresa em favor do RN porque ele era um homem muito bom, de muitos recursos e utilizou quase todos eles no exercício de sua atividade política. Realizou algumas obras que marcaram seu governo como a consolidação da Universidade Federal do RN (UFRN), graças ao apoio da bancada federal e ao desempenho competente do professor Onofre Lopes da Silva.

Qual sua opinião sobre o Governo Robinson Faria?

Eu tenho que ser sincero a dizer que sou amigo pessoal de Robinson Faria (PSD). Eu o apoiei. Ele tem feito um esforço muito grande para dar conta do trabalho mais o RN precisa entender que ele recebeu o Governo do Estado falido.

Quais os caminhos que o governo deveria dar para tentar minorar a situação caótica em que o estado mergulhou, ou não há mais tempo de mandato?

Administrar não tem segredo. Quem tem competência para gerir bem o patrimônio público, na minha opinião quem governa o Estado, município ou a nação tem que ter compreensão e disposição para não gastar mais do que arrecada. A despesa não pode ser maior do que a receita.

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Categoria(s): Conversando com... / Entrevista/Conversando com... / Política

Comentários

  1. Marcos Pinto. diz:

    Manoel de Brito é um dos últimos baluartes políticos dos últimos 50 anos na história política potiguar. O homem é um repositório vivo de fatos que marcaram, de forma indelével, a trajetória da maioria dos políticos potiguares. Parabéns pela transcrição IPSIS LITERIS dessa fantástica entrevista.

  2. Paulo Trigueiro diz:

    Vou adquirir assim que for lançado porque são poucas pessoas com a experiência de vida pública como ele. Suas experiências servirão de exemplo para aqueles que estão iniciando nesta área, serão tratados fatos que não devem ser esquecidos na memória do Rio Grande do Norte. Que seja concluído o mais rápido possível para termos o prazer de lê-lo.

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