domingo - 06/07/2014 - 08:54h

Tuas mãos


Por Pablo Neruda

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.

Pablo Neruda foi cônsul chileno no México e Espanha e poeta

Categoria(s): Grandes Autores e Pensadores / Poesia

Comentários

  1. AVELINO diz:

    O futebol (todos) é de uma burrice tão avolumada que chega a ser o único esporte que condena as mãos!!! Principalmente as mãos dos seus atletas que realmente correm atrás da bola…

  2. naide maria rosado de souza diz:

    Neruda. Transporta-nos ao sonho realidade. Lindo demais.

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