sexta-feira - 12/10/2018 - 17:30h
Agressões

Tribunal medieval da estupidez julga e pune vice-prefeita

Ao folhear páginas de redes sociais, sem maiores pretensões além do próprio hábito de fazê-lo, deparo-me com vídeo em que a vice-prefeita mossoroense Nayara Gadelha (PP) aparece ao lado do candidato à Presidência da República pelo PSL, capitão Jair Bolsonaro.

Apresenta-se como sua eleitora nesse segundo turno. No primeiro, ela foi de Ciro Gomes (PDT), seguindo orientação do governismo municipal.

Sob a ótica política e pessoal, compreensível. O bloco antagônico ao grupo em que ela está inserida, o rosalbismo, passa a adotar essa opção no segundo turno em contraponto à candidatura presidencial de Fernando Haddad (PT) e de Fátima Bezerra (PT) ao governo estadual.

Normalíssimo, que se diga.

Estranho mesmo é o linchamento moral, o escárnio e as agressões hidrófobas vomitadas nos comentários por centenas de pessoas, pelos mais variados motivos; do político ao pessoal, do ideológico ao fisiológico. Porque pensam e possuem escolhas diferentes àquelas feitas por ela, acreditam que têm o direito a massacrá-la.

De antemão, aviso: não tenho relação de amizade, convivência social, negócios ou afinidade política com a vítima ou seus familiares. Meus contatos não passam de acenos comuns à cordialidade. Nada mais.

Não votei nela e na prefeita Rosalba Ciarlini (PP); provavelmente não votarei se forem candidatas à reeleição. Nem por isso me acho no direito de agredi-las, por pensar e agir diferente de ambas. Critico-as, se assim considerar cabível.

Também não sou militante ou eleitor de Bolsonaro.

Até aqui, confesso que não vi ou fui informado, de qualquer manifestação deletéria ou grosseira da vice-prefeita nas redes sociais ou ambiente real, capaz de provocar essa erupção de ódio e até de traços de recalque em relação à sua privilegiada condição pessoal.

Há soluções para essa doença social? Há-as, sim.

Precisamos ter respeito à diversidade, às diferenças, ao contraditório. Aprendamos a coabitar, conviver… a ouvirmos os antagônicos. Essa “Guerra da Secessão” que racha a sociedade brasileira é um passo atrás, rumo à barbárie.

Em pleno Século XXI, essa gente se comporta como se fizesse parte de um tribunal medieval de inquisição: julga e pune quem bem entende, conforme sua vontade e métodos.

Nayara: mantenha o vídeo no ar e não recue.

A propósito, a enorme maioria ou totalidade dos detratores sequer terá coragem de lhe encarar na rua. Mudará bruscamente de calçada, desviará o olhar ou recorrerá ao celular para simular que fala com alguém.

Isso também é da natureza dos covardes. Releve.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
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