Asfixiado por uma lenta e incisiva investigação do Ministério Público, o presidente da Câmara de Mossoró, Júnior Escóssia (DEM), desabou. Resolveu pedir socorro.
O ex-deputado estadual Carlos Augusto (DEM), marido da senadora Rosalba Ciarlini (DEM), passou a orientá-lo nos destinos da instituição. Desde essa terça, 31, Carlos é uma espécie de interventor consentido, avalizado pelo próprio Júnior.
O presidente da câmara procura sair do isolamento em que se meteu. Faz concessões na ânsia de evitar o pior. É uma operação desesperada e emergencial, de resultados ainda imprevisíveis. Porém é certo que produz um quadro ainda mais surreal do legislativo mossoroense, transformado num arremedo de poder.
Júnior enfrenta a insubordinação de servidores comissionados, perdeu a capacidade de unir seus pares e não tem uma bússola à superação da crônica de um escândalo anunciado. Ouvindo Carlos, a quem seguiu como líder enquanto Rosalba era prefeita (1997/2004), Júnior passa a ter o ex-deputado como fio de esperança.
É a tentativa de superar o que o espreita assustadoramente, como se a anunciar o apocalipse. A 11a Promotoria do Patrimônio Público, que investiga a câmara, trabalha sem alardes ou pirotecnia. O que é ainda mais inquietante.
Aguarde. Trago mais detalhes sobre os bastidores dessa notícia em pouco espaço de tempo.