domingo - 19/04/2026 - 15:26h

Paulo Maia

Por Honório de Medeiros

Da esquerda para a direita: Fred Câncio, Paulo Maia, Hélton, eu, Fernando Negreiros, Segundo Paula, Lenilson Fernandes, Anchieta Medeiros, Delevam Gurgel, Jânio Rêgo. Turma da Quarta Série Ginasial, 1972, Colégio Diocesano Santa Luzia, reunidos em 2011, Mossoró (Foto: Reproduçao)

Da esquerda para a direita: Fred Câncio, Paulo Maia, Hélton, eu, Fernando Negreiros, Segundo Paula, Lenilson Fernandes, Anchieta Medeiros, Delevam Gurgel, Jânio Rêgo. Turma da Quarta Série Ginasial, 1972, Colégio Diocesano Santa Luzia, reunidos em 2011, Mossoró (Foto: Reproduçao)

Paulo Maia dizia que era baixinho por minha culpa: eu tinha roubado o leite dele, quando recém-nascido.

Tudo porque eu nasci três dias depois do 23 de abril de 1958, no qual ele veio ao mundo, ambos na Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.

Como mamãe não conseguia matar minha fome com seu pouco leite, valeu-se da generosidade da mãe dele, Manolita Pereira, que nos alimentou.

Manolita dizia que é minha mãe de leite. Eu respondo, sempre respondi, que eu e Paulo tínhamos que ser irmãos, estava escrito no livro da vida, e beijo a mão dela, reverente.

Entre idas e vindas, altos e baixos, seguimos próximos vida afora, sempre muito próximos.

Amigos desde a maternidade.

Um dia, eu lá pelas bandas de São João do Sabugi, no Seridó, em busca das misteriosas raízes genealógicas do meu avô paterno, acordei cedo, abri o celular, e li a devastadora notícia de sua morte.

Um baque.

Botei o carro na estrada e fui calado de lá até Mossoró, rasgando o centro do Estado, percorrendo um mundão de terra em um tempo que sequer vi passar.

Michaela respeitou meu silêncio.

Uma espécie de solidão amarga, ensimesmada, uma onda de tristeza que teimava em vir, tomou conta da gente.

Sensação de impotência. Solidão, tristeza e impotência.

Falam que há conforto na partida de alguém que lutou bravamente por dois anos contra essa maldita doença cujo nome amedronta tanto, que o abreviaram.

Pode ser. Sei que lutou ele, a esposa, filhos, a família toda, os amigos, os amigos dos amigos. Rezamos muito.

Luta vã.

Que seja feita a vontade de Deus.

Descansou, então, e por fim.

E a saudade?

Paulo, você se lembra daquele dia em Tibau no qual Antônio de Bé nos levou em sua jangada, começo da madrugada, para além da última visão de terra, como companheiros de pescaria?

Lembra das tardes de cerveja e Belchior, lá no Asfarn, em Natal?

Lembra dos veraneios em Tibau? Do jipe, das meninas, dos amigos comuns, das pescarias no Arrombado?

Do Diocesano e da turma da quarta série ginasial de 1972?

Lembra como decidimos, junto com Delevam, quem seria o padrinho de Paulinha?

Lembra daquele dia no qual fomos barrados na ACDP?

Lembra daquele dia… não, não, melhor não contar, não é?

Ê, Paulo, são tantas e tantas memórias.

Um dia eu conto para meus sobrinhos! As que eu puder, claro.

Paulo, aguarde aí. Um dia, chego.

Descanse em paz, meu irmão.

Estamos juntos!

Vou juntar as imagens desse tempo que passou tão rápido…

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

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Categoria(s): Crônica
domingo - 19/04/2026 - 14:44h

Seu Pedro

Por Bruno Ernesto

Pedro Bezerra Sobrinho tem 95 anos e é um mestre em ofício que parece estar desaparecendo Foto: Bruno Ernesto)

Pedro Bezerra Sobrinho tem 95 anos e é um mestre em ofício que parece estar desaparecendo (Foto: Bruno Ernesto)

Pedro já foi pescador, apóstolo, navegador, ator, escultor, estudante e tantos outros.

Admiro tanto o significado deste nome, que é simbólico e ao mesmo tempo simples, que meu filho é Pedro.

Já encontrei vários Pedros nessa vida, e até já me pus em frente ao Pedro que descanse Pedro, Petrus, Pietrino

Pedro já foi pescador, apóstolo, navegador, ator, escultor, estudante e tantos outros.

Admiro tanto o significado deste nome, ao mesmo tempo tão simbólico, porém simples, que meu filho é Pedro.

Parece que Pedro é atemporal. Tanto pode ser Seu Pedro, quanto Pedrinho. Mas chamo o meu de Dandão.

Do mais simbólico, tive uma conversa reservada abaixo do altar principal e do Baldaquino de Bernini.

Os demais Pedros, encontro todos os dias, cada um com a sua importância e simbolismo.

Há um Pedro, todavia, com quem posso interagir e observar de uns anos para cá, cuja a simplicidade e aparente fragilidade, me fazem vez ou outra passar à sua porta, nem que seja para dar um oi.

Exceto na hora da sua siesta.

Seu Pedro Bezerra Sobrinho é um senhor de noventa e cinco anos de idade.

Natural de Campo Grande/RN, foi criado no Sítio Laje, vizinho ao Sítio Chafariz, na zona rural de Mossoró.

Encontrei Seu Pedro enquanto procurava um sapateiro para consertar um sapato que estimo muito.

Nos fundos da Catedral de Santa Luzia, me apontaram o dedo em direção ao famoso beco das frutas.

-Ali, naquela esquina. Praticamente o último sapateiro da cidade.

-Fale alto, e pausado, que ele não escuta bem.

-É flamenguista.

Há mais de sessenta anos é sapateiro, está no atual há cinco anos.

Mora lá sozinho, num pequeno anexo, que muito me lembrou o anexo da casa de Anne Frank. Pelo menos a sensação que tive foi a mesma, quando vi um e outro.

Trabalha e mora no prédio, tem oito filhos, dos quais seis vivos.

Nessa minha última visita, além do filho que o ajuda no ofício, o filho mais velho estava lá, mas se despediu avisando que precisaria voltar para Natal.

Trabalhou muito tempo como vendedor da A Passarela, percorrendo o Vale do Jaguaribe (Russas), Paraíba e o próprio Rio Grande do Norte.

Falou com uma certa nostalgia que trabalhou para várias fábricas locais,  mas que a sola subiu de preço e a sola de borracha arruinou o mercado de vez.

-Entrou a sola de borracha, e veio o tênis. Acabou com tudo.

Fazia sapato por encomenda para os moradores de Mossoró, mas contou que a última encomenda foi há 40 anos.

Ficou viúvo há dezoito anos. Casou só 1 vez.

-Dá certo não!

Seu Pedro Bezerra é o Pedro que nos lembra a simplicidade da vida.

Apesar da longa estrada, ainda segue firme no ofício de sapateiro, rumando para os noventa e seis anos de idade no próximo dia treze de maio.

Não é que não se precise mais de sapateiros. O que precisamos é de mais Pedros.

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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domingo - 19/04/2026 - 10:34h

A conta que dá trabalho

Por Deborah Bizarria

Carteiras de trabalho (arte ilustrativa do Canal Meio)

Carteiras de trabalho (arte ilustrativa do Canal Meio)

Nos últimos meses, o debate sobre o mundo do trabalho voltou ao centro da política brasileira. A escala 6×1 e o trabalho por plataformas estão na agenda do Congresso e do governo, embora a discussão sobre pejotização esteja paralisada no Supremo. À primeira vista, parecem discussões distintas. Na prática, elas esbarram no mesmo problema: em um país marcado por informalidade alta, renda instável e proteção desigual, mudar a regra não basta para garantir que ela alcance a maioria dos trabalhadores.

Então, para além de conversarmos sobre como repartir a riqueza existente, também precisamos considerar quais são as condições que permitem ampliá-la de forma duradoura. Quando economistas falam obsessivamente sobre produtividade, a preocupação vem dessa tentativa de entender por que algumas sociedades conseguem sustentar salários mais altos, mais proteção aos trabalhadores e mais oportunidades, enquanto outras seguem marcadas por baixa renda, informalidade e relações de trabalho mais frágeis.

Produtividade é a medida desse processo de enriquecimento: quanto valor se gera por trabalhador ou por hora trabalhada. Ela depende de qualificação, gestão, tecnologia, organização do processo produtivo, capital físico e instituições. Durante muito tempo, porém, a explicação da riqueza de uma sociedade passou sobretudo pela acumulação de trabalho e capital. No exercício clássico de Robert Solow para os Estados Unidos, apenas cerca de um oitavo do aumento do produto por hora entre 1909 e 1949 podia ser atribuído ao aumento de capital por trabalhador; o restante aparecia como mudança técnica, isto é, um ganho de eficiência não explicado pela maior quantidade de insumos.

Ou seja, dizer que a produtividade brasileira é baixa, portanto, não é dizer que o trabalhador brasileiro se esforça pouco. É dizer que a sociedade usa mal trabalho, capital, tecnologia e gestão. Entre 1981 e 2022, a renda per capita cresceu 0,9% ao ano, enquanto a produtividade por hora avançou apenas 0,5%; boa parte do crescimento de renda foi sustentada pela maior participação da população em idade ativa, um impulso demográfico que não se repete indefinidamente. Ao debater jornada, formalização, pejotização ou plataformas, convém compreender em que condições esses direitos se tornam viáveis e abrangentes numa economia heterogênea marcada por desigualdades persistentes.

Uma das formas de se aumentar a produtividade é por meio da educação, seja aumentando os anos de estudo via universidade e formação técnica, seja através da melhoria da qualidade. Claro que a educação básica importa não só por dignidade e autonomia, mas porque amplia a capacidade de ler, escrever, resolver problemas e desenvolver todas as potencialidades. O Brasil avançou muito no acesso e praticamente universalizou a entrada das crianças na escola. O problema é que estar na escola não virou aprendizagem na mesma proporção. No Pisa 2022, o país ficou em torno do 65º lugar em matemática, 52º em leitura e 62º em ciências, entre 81 participantes. Então, conseguimos colocar quase todos na escola, mas ainda entregamos uma formação básica fraca demais para sustentar ganhos mais consistentes de renda para os jovens e suas famílias.

Outro canal de melhoria está na qualidade das instituições. A literatura de Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson mostrou que diferenças de desenvolvimento não decorrem apenas de mais trabalho, mais capital ou mais escolaridade, mas da qualidade das regras que organizam a vida econômica. Quando direitos de propriedade são frágeis, contratos são pouco previsíveis, o Estado regula mal ou concede privilégios, investir, inovar e contratar se torna menos atraente. Robert Hall e Charles Jones organizaram esse argumento ao tratar essas condições como parte da “infraestrutura social” que torna a atividade produtiva mais ou menos vantajosa. Isto é, segurança jurídica, qualidade regulatória e clareza tributária não são detalhes técnicos. Quando não funcionam bem, travam a possibilidade de empresas surgirem e novos empregos aparecerem.

Acesso e desenvolvimento de tecnologia também entram nessa conta. Mercados mais abertos tendem a pressionar firmas a se adaptar, incorporar métodos mais eficientes e abandonar práticas menos produtivas. No Brasil, a abertura comercial dos anos 1990 foi um dos choques que empurraram esse tipo de ajuste. Seus efeitos não foram uniformes, mas ajudam a mostrar que a produtividade também depende do ambiente competitivo em que as empresas operam. Em alguns casos, esse tipo de mudança teve inclusive efeitos distributivos relevantes. Guilherme Hirata mostra que o aumento da concorrência reduziu o diferencial salarial entre trabalhadores brancos e negros no Brasil, sugerindo que mercados mais fechados e concentrados podem preservar ineficiências que não são apenas econômicas, mas também distributivas.

Um mercado de trabalho dividido

O mercado de trabalho brasileiro chegou a 2025 aquecido, com taxa anual de desocupação de 5,6% — a menor da série iniciada em 2012 —, encerrando o quarto trimestre em 5,1%. Nem por isso deixou de ser um mercado segmentado: a informalidade ainda atingia 37,6% da população ocupada ao fim do ano, e mesmo entre os empregados do setor privado, 25,6% seguiam sem carteira assinada.

A informalidade não aparece só entre empresas inteiramente fora do sistema, na chamada margem extensiva, como aponta o pesquisador Gabriel Ulyssea em um estudo do Ipea. Ela também aparece dentro de firmas formalizadas, que mantêm parte da força de trabalho sem a proteção correspondente. Isso significa que aqui não separamos apenas o informal está também no interior das próprias empresas, o que faz com que a cobertura da legislação seja desigual mesmo dentro de um mercado aparentemente organizado. Nesse contexto, ampliar direitos no papel não produz automaticamente ampliação equivalente de proteção na prática.

Esse retrato enquadra o debate atual sobre a escala 6×1. Na Câmara, a PEC 221/2019 recebeu parecer favorável à admissibilidade na CCJ, mas a votação foi adiada por pedido de vista. Ela prevê reduzir a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais em dez anos. Em paralelo, o governo Lula enviou o PL 1838/2026, em regime de urgência, reduzindo a jornada legal para 40 horas semanais, garantindo dois descansos remunerados por semana e vedando redução salarial. Dado o provável custo político de se opor ao projeto, é razoável supor que algo nessa linha seja aprovado. Mas o que levar em conta para que a mudança faça sentido num mercado com tantas desigualdades?

Há uma razão substantiva para que a revisão da 6×1 mobilize apoio. Tempo fora do trabalho não é apenas lazer: é descanso, cuidado, estudo e recuperação física e mental. A defesa da mudança parte da ideia de que uma economia melhor também depende de trabalhadores menos exaustos e com mais controle sobre o próprio tempo. O problema é que esse ganho potencial não opera no vazio: seus efeitos dependem do desenho da política, da transição e da estrutura do mercado em que ela incide.

De um lado, em coluna no Valor, o economista Naercio Menezes Filho argumentou que a redução de 44 para 40 horas não deve ser tratada como sinônimo automático de desemprego ou retração econômica. Ele se apoia em nota técnica recente do Ipea, assinada por Felipe Pateo, Joana Melo e Juliana Círiaco, segundo a qual a mudança para 40 horas elevaria em média em 7,84% o custo do trabalho celetista, mas com impacto inferior a 1% do custo operacional em grandes setores empregadores, como indústria e comércio. Na coluna, Naércio também recupera a experiência brasileira de 1988, analisada pelo estudo dele próprio com Gustavo Gonzaga e José Márcio Camargo, que concluiu que a redução constitucional de 48 para 44 horas diminuiu a jornada efetiva, elevou o salário real horário e não teve efeito negativo sobre o emprego no curto prazo.

De outro, o também economista Gabriel Ulyssea sustentou, em artigo no Globo, que a versão mais ambiciosa da mudança, de 44 para 36 horas em arranjo de 4×3, sem redução salarial, pode produzir o efeito oposto ao desejado. Em um contexto onde a informalidade já atravessa inclusive empresas formalizadas e 68% das empresas são de pequeno porte, uma redução brusca da jornada pode aumentar fortemente o custo do trabalho formal e empurrar o ajuste para a margem menos protegida do mercado. Esse processo ocorreria por meio de demissões, maior rotatividade, compressão salarial na entrada e mais informalidade.

A literatura internacional reforça essa necessidade de separar o desejo legítimo de melhorar a qualidade de vida do trabalhador do desenho institucional concreto da política. Na pesquisa de Marcello Estevão e Filipa Sá sobre a França, a redução de 39 para 35 horas não teve efeito significativo sobre o emprego agregado, mas aumentou a rotatividade e levou parte dos trabalhadores diretamente afetados a buscar segundos empregos ou a migrar para firmas menores, sugerindo que a política restringiu escolhas em vez de apenas ampliar bem-estar. Isso não prova que uma redução de jornada fracassará no Brasil. Mostra apenas que o efeito depende da transição, da capacidade de organizar escalas, do porte das firmas e, no caso brasileiro, do peso da informalidade.

A segmentação também atravessa as zonas cinzentas criadas pela pejotização, pelo MEI e pelo trabalho por plataformas. Tratar esses arranjos como se fossem uma coisa só atrapalha. O mesmo rótulo pode encobrir fraude trabalhista, arbitragem entre regimes jurídicos e tributários distintos ou arranjos que, embora incompletos, são de autonomia.

Arte ilustrativa

Discussão da folga maior é complexa, longe da simplificação do contra ou a favor que uma banda partidária quer impor (Arte ilustrativa)

Há, sem dúvida, casos em que a pejotização é apenas uma forma de mascarar a relação de trabalho e subordinação. A distinção jurídica continua sendo: quando há pessoalidade, habitualidade, onerosidade e subordinação, a contratação como pessoa jurídica não muda a natureza do vínculo. O aumento do contencioso indica que esse problema está longe de ser irrelevante. Com base nas estatísticas do CNJ, as ações trabalhistas pedindo reconhecimento de vínculo passaram de 167 mil em 2020 para 443 mil em 2024. Ou seja, tem muita gente trabalhando fora das regras por necessidade e imposição do empregador.

Ao mesmo tempo, a fraude não dá conta do processo de pejotização por completo. Em artigo, Nelson Marconi mostra que os trabalhadores por conta própria com CNPJ tinham escolaridade média mais alta: 34% dos pejotizados tinham nível superior ante 23% entre os celetistas. No mesmo estudo, Marconi mostra que a remuneração média dos trabalhadores com CNPJ supera a dos empregados com carteira em vários segmentos, inclusive em áreas como mídias, atividades profissionais, científicas e técnicas e educação. Assim, existe um segmento mais qualificado, mais bem pago e concentrado em ocupações de projeto, consultoria, aula, parecer ou produção intelectual. Nesses casos, a escolha entre renda maior acompanhada de flexibilidade e cobertura menor de direitos sociais pode ser realmente livre, e não apenas imposição patronal.

A própria sondagem do FGV IBRE sobre trabalhadores por conta própria aponta nessa direção: 67,7% disseram que gostariam de ter carteira assinada, 55% podem ser classificados como autônomos por opção e 44,9% afirmaram não saber ao certo quanto ganharão no mês seguinte. O regime do MEI reforça essa ambiguidade. De acordo com o Sebrae, 76% dos microempreendedores individuais têm na atividade empresarial sua única fonte de renda e 33% estavam na informalidade antes da formalização. Ou seja, o MEI serviu, em parte, como porta de entrada para a formalidade, mas também criou uma moldura jurídica barata que pode ser usada tanto por empreendedores genuínos quanto por empresas que desejam deslocar custos e riscos para o trabalhador.

O trabalho por plataformas também é reflexo dessa complexidade. Como observa a OIT, a gestão algorítmica passou a organizar, distribuir, monitorar, supervisionar e avaliar o trabalho. O trabalhador até mantém alguma margem para decidir quando se conectar, mas os elementos centrais da coordenação continuam nas mãos da plataforma. Por isso, a relação não cabe bem nem na ideia de autonomia plena nem na noção clássica de subordinação.

O quadro das empresas ganha outra dimensão no caso brasileiro, como mostram Nicholas Bloom e John Van Reenen. Parte das diferenças sobre a efetividade da gestão entre países decorre da presença de uma parcela expressiva de firmas mal geridas. Temos aqui uma grande fatia de empresas muito ineficientes, então, dado o contexto, a expansão de vínculos cinzentos não resulta apenas de inovação organizacional. Ela também reflete empresas que, diante de custos elevados, baixa capacidade gerencial e regras rígidas, buscam saídas laterais de contratação. Daí por que uma resposta regulatória única tende a errar o alvo: fraude exige coibição, arbitragem tributária exige revisão de incentivos, e vínculos descontínuos exigem formas de proteção compatíveis com essa realidade.

Uma agenda de produtividade

No fim, o ponto não é só mudar a regra trabalhista, mas criar as condições para que ela possa valer para mais gente. Num mercado de trabalho segmentado, a proteção tende a alcançar com mais força quem já está em posições mais estáveis e a chegar de forma mais fraca a quem circula entre informalidade, ocupações precárias e renda irregular. Por isso, a discussão sobre jornada, vínculo e direitos precisa desembocar em outra pergunta: que agenda econômica torna essas mudanças sustentáveis fora de um grupo restrito?

Parte da resposta passa pela educação, mas não por uma visão mecânica de escolaridade. Como mostram Eric Hanushek e Ludger Woessmann, anos de estudo dizem pouco quando não vêm acompanhados de aprendizagem real e habilidades cognitivas. Isso ajuda a entender por que o avanço educacional brasileiro não se converteu automaticamente em ganho sistêmico de produtividade. Melhorar a escola continua sendo central, mas com foco em qualidade e em desenvolvimento de habilidades relevantes para o mundo do trabalho.

Também é preciso um ambiente econômico mais favorável ao investimento e à adaptação produtiva. Isso inclui regras mais claras, menos insegurança jurídica, sistema tributário menos confuso, abertura maior à concorrência, incorporação de tecnologia e difusão de inovação. Sem esses elementos, a economia reage pior a mudanças regulatórias, e a distância entre o direito formal e sua aplicação concreta tende a continuar grande.

Há ainda uma frente decisiva para quem está mais distante do mercado de trabalho estável: a inclusão produtiva. O trabalho de Abhijit Banerjee, Esther Duflo e coautores mostra que políticas que combinam transferências de renda, ativos produtivos, capacitação e acompanhamento podem gerar efeitos sobre renda e capacidade de gerar meios de vida. Afinal, para muitos trabalhadores, proteção e formalização dependem antes de tudo da possibilidade concreta de sobreviver muito antes de encontrar bons empregos ou criar pequenos negócios.

No fim, a agenda do trabalho não se sustenta sem uma agenda de produtividade mais ampla. Isso envolve educação que gere aprendizagem, ambiente de negócios menos hostil, segurança jurídica, tecnologia e inclusão produtiva para quem hoje só encontra espaço em vínculos frágeis. A pergunta, então, é política: quem está disposto a defender esse pacote mais completo, e que coalizão é capaz de levá-lo adiante?

Deborah Bizarria é economista pela UFPE e especialista em gestão pública no Insper. Estudou economia comportamental na Warwick University (Reino Unido)/Do Canal Meio especial para o BCS

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domingo - 19/04/2026 - 09:26h

O uso da Inteligência Artificial nas eleições

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Ao longo do tempo as campanhas eleitorais foram se modificando, acompanhando as mudanças da sociedade. Se, noutros tempos, as campanhas eram realizadas somente nas ruas, no corpo a corpo, no contato pessoal com o eleitor, hoje, as batalhas são travadas com mais ênfase nas redes sociais.

É no mundo virtual que candidatos se tornam conhecidos, ou cancelados, para usar um termo em voga. Diante dessas vicissitudes, a Justiça Eleitoral tem se desdobrado para acompanhar essa evolução social, editando Resoluções condizentes com a era tecnológica na qual vivemos.

Nesse sentido, a Resolução n. 23.755/26, dispõe que “a utilização na propaganda eleitoral, em qualquer modalidade, de conteúdo sintético multimídia gerado por meio de inteligência artificial ou tecnologia equivalente para criar, substituir, omitir, mesclar ou alterar a velocidade ou sobrepor imagens ou sons, impõe ao responsável pela propaganda o dever de informar, de modo explícito, destacado e acessível, que o conteúdo foi fabricado ou manipulado e qual tecnologia foi utilizada”.

Esclareça-se que conteúdos sintéticos são mídias, como textos, áudios, vídeo, imagens, softwares, gerados por Inteligência Artificial (IA), sem a participação direta do ser humano. A técnica do deepfake, na qual se criam conteúdos falsos, é uma realidade. Aliás, não é novidade que as mentiras e ofensas trocadas entre candidatos sempre foram marca registrada nas campanhas eleitorais, da era analógica a digital.

Assim, “ficam vedadas a publicação e a republicação, ainda que gratuitas, bem como o impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial ou por tecnologias equivalentes que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidata ou candidato ou de pessoa pública, mesmo que rotulados e em conformidade com as demais exigências deste artigo, no período compreendido entre as 72 (setenta e duas) horas que antecedem e as 24 (vinte e quatro) horas que sucedem o término do pleito”.

Com efeito, não se pode negar a influência da IA no mundo atual, sendo uma realidade inescapável da vida contemporânea. Reputações podem ser construídas, no entanto, muito mais rápido é a desconstrução da honra e imagem das pessoas, sobretudo, dos candidatos, que são expostos diariamente. Imagine-se a modificação de um vídeo de um determinado candidato, alterando-se o conteúdo de suas palavras. Pode ser “fatal” para a sua campanha.

Como bem salientou uma matéria da revista Veja: “fato é que a mentira, elemento intrínseco à estratégia eleitoral desde os primórdios da política, alcança novos patamares de potencial nocivo com a proliferação dos deepfakes. Sem mecanismos eficientes de controle e conscientização, não há nenhuma barreira para que agentes mal-intencionados tentem sequestrar o debate político e colher frutos nas urnas”.

No mesmo sentido, foram as palavras do professor Conrado Hübner Mendes: “o objetivo não é comunicar ideias ou fatos, apenas instigar a emoção tribal, a pulsão de pertencer a um grupo. Não está preocupado com pensar e argumentar, apenas a sentir e agredir”.

Por fim, destaque-se que a violação do que está disciplinado na referida Resolução no tocante ao uso da IA poderá ensejar a adoção de medidas coercitivas destinadas a assegurar a efetividade da ordem judicial, inclusive, a fixação de multa diária.

A Justiça Eleitoral, certamente, terá muito trabalho.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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  • Art&C - PMM - Abril de 2026
domingo - 19/04/2026 - 08:18h

Dos porcos à moderação

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

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Parte em resposta à fracassada “invasão da Baía dos Porcos” de 1961, parte em contrapartida à presença de mísseis balísticos norte-americanos na Europa (Itália e Turquia em especial), a “crise dos mísseis cubanos” foi um confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética, entre os dias 16 e 28 de outubro de 1962, relacionado à implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba. Mais do que em qualquer outro momento, chegamos ali muito próximo de um confronto nuclear entre as superpotências da Guerra Fria. Resultado de tensas negociações, um acordo foi alcançado entre os líderes de então, John Kennedy e Nikita Kruschev, dando assim mais um prazo de validade à nossa civilização. Ufa!

Sobre a “crise dos mísseis”, o economista e diplomata (entre muitíssimas outras coisas) John Kenneth Galbraith, em “The Age of Uncertainty” (“A era da incerteza”, Pioneira, 1980), nos conta uma interessante história, que há de nos servir de lição (tenho ainda essa esperança).

Por essa época, “generais [e outros afoitos de ocasião] faziam discursos ameaçando os comunistas com o extermínio atômico”, lembra Galbraith. Conclamavam os americanos a embarcar na empreitada. E mostravam – pelo menos eles pensavam que sim – uma suposta coragem pessoal. Durante alguns dias angustiantes, a perspectiva de uma guerra nuclear – reciprocamente suicida, para dizer o mínimo – tornou-se clara e iminente.

Entretanto, como especialmente ressalta John Kenneth Galbraith, “algo mais evidenciou-se nessa crise, pelo menos para o Presidente dos Estados Unidos. Foi a de que homens de pouca coragem moral, quando se veem forçados a uma decisão, ficam com medo de resistir ao ponto de vista consagrado, não importando quão catastrófico ele possa ser. Assim, paradoxalmente, por covardia, com receio de divergir ou parecer fracos, eles concitam a tomar-se o curso mais perigoso. Durante a crise dos mísseis, foram esses homens que advogaram um ataque às bases de lançamento dos mesmos, no que chamaram de golpe cirúrgico. Ninguém poderia dizer que a eles faltasse coragem ou determinação, acusação essa que mais eles temiam. Os homens de coragem não comprometida – Adlai Stevenson, George Ball, Robert Kennedy – recomendaram comedimento, prudência. Ao voltar da Índia, alguns dias após o fim da crise, fui uma noite ao teatro com o Presidente e a Srª Kennedy. Durante o intervalo (…). Ele contou-me, com emoção, dos conselhos imprudentes que havia recebido no transcorrer da crise cubana. Os piores, asseverou, vieram daqueles que tinham medo de ser sensatos”.

Foi Karl Marx quem disse, desenvolvendo uma ideia de Hegel, que a “história se repete como farsa”. Para quem não sabe, Marx analisava como Luís Bonaparte, o Napoleão III ou Napoléon le Petit, assumiu o poder na França emulando o seu tio, Napoleão Bonaparte, dito le Grand, resultando assim em uma versão “farsesca” do original.

Por estes dias, em que se fecham caminhos já deveras estreitos e se ameaça exterminar civilizações, muito se tem de farsa – e de tragédia também, infelizmente. Eu só espero que, nesse novo teatro, em que não podemos mais contar com um poder civil de coragem não comprometida (os Kennedy, Stevenson e Ball da história), tenhamos generais prudentes que não se deixem lambuzar com os porcos.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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domingo - 19/04/2026 - 06:24h

Situações inoportunas

Por Marcos Ferreira

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Achava-me no banheiro, enxugara-me parcialmente e estava prestes a passar o desodorante roll-on. Aí escuto umas pancadinhas no portão. Quem seria a essa hora? Momento de sol forte, calor demais. Imediatamente, como autoridade constituída, Juju se pôs a latir com teatral bravura, engrossando a voz de modo a me parecer autêntica protetora deste domicílio. Isso foi ontem, por volta das quatorze horas. Vesti-me da cintura para baixo com a toalha e fui ver o que havia.

Não abri, limitei-me a espiar e falar pela minúscula fresta entre o muro e o portão corrediço. Não estava em condições de receber ninguém semivestido com uma toalha. Já procedi assim algumas vezes com certas pessoas cuja voz não me pareceu familiar. Perguntei sobre quem era e o que desejava. Felizmente, talvez pela proximidade, fui logo visto e ouvido através da referida frincha. Um tanto surpreso, então, com o pouco cabelo despenteado e o corpo com bolhas d’água em determinados pontos, pude ver o recorte de um rostinho feminino. Pois é. Estava ali uma garota que se anunciou como testemunha de Jeová.

Tive, pelo timbre daquela voz, a impressão de que não tivesse nem dezoito anos. Julgando o falatório confuso do outro lado, presumi que a mocinha não estava só. Ela disse se chamar Luana e revelou que andava em companhia de outras duas moças cujos nomes não os recordo. Amigas talvez tão jovens quanto ela, quem sabe adolescentes. Indaguei de mim para comigo como alguém tão jovem possa se dizer testemunha de uma história tão velha quanto o próprio mundo.

É isso, a mocinha esperava ser recebida de maneira mais apropriada. Esforçava-se para usufruir do nosso mínimo campo de visão e diálogo. Eu não tinha o menor intuito de convidá-las a entrar, oferecer água ou café. Por isso dei um jeito de encurtar a conversa e me livrar daquela situação inoportuna para os dois lados. Uma lateral da armação dos óculos de grau dela tocava a parede do muro.

Imagino que Luana tenha visto ao menos que eu estava sem camisa. Educadamente, enfim, ela agradeceu pela atenção e disse que poderíamos conversar melhor em outra oportunidade. E lá se foram as testemunhas do Criador. Fico aqui imaginando se este relato pode interessar a quem quer que seja. Entrementes quero supor que a história sirva de exemplo, ao menos para que vejamos que ainda há neste planeta pessoas voluntariosas e de bom coração. Aquelas meninas não tiveram a chance de me transmitir a sua mensagem de fé e amor, porém acho justo fazer o registro dessas três boas almas que tentaram me catequizar na tarde de ontem.

Lembro que certa feita, há coisa de dois ou três anos, despachei sumariamente dois jovens mórmons que me encontraram em outro tipo de circunstância na qual não pude lhes dar maior atenção. Apareceram-me justamente quando eu ia chegando em casa apertado por uma perigosa dor de barriga. Argumentei às pressas sobre a impossibilidade do diálogo e por pouco não borrei as calças.

Marcos Ferreira é escritor

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  • Art&C - PMM - Abril de 2026
sábado - 18/04/2026 - 08:50h
Indústria

Vilmar Pereira assume a presidência da Fiern

Serquiz estará em eventos internacionais e Vilmar o substituirá (Foto: Fiern)

Serquiz estará em eventos internacionais e Vilmar o substituirá (Foto: Fiern)

O industrial Francisco Vilmar Pereira assumiu interinamente a presidência da Federação das Indústrias do Estado do RN (FIERN), em cerimônia conduzida pelo presidente Roberto Serquiz, durante reunião com diretores do Sistema Fiern, nessa sexta-feira (17).

A mudança ocorre em razão da participação de Serquiz na missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), à Alemanha, entre 18 e 25 de abril.

Um grupo de mais de 260 representantes da indústria brasileira embarca na missão para participar da Hannover Messe. É a maior feira de tecnologia industrial do mundo, e do 42° Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), o principal fórum bilateral do setor produtivo dos países.

Empresário nos ramos petrolífero, de gás natural e imobiliário, Francisco Vilmar Pereira é diretor-presidente das empresas Vipetro, Petroforte Factoring e Petroimóveis.

Também atuou durante trinta anos no ramo da aviação com a Viação Aérea São Paulo (VASP).

Atualmente, é 1º vice-presidente da Fiern, foi presidente do @simetalrn, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Mossoró (CDL) e da Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM).

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Nota do BCS – Você é o que os americanos chamam de self made man, @vilmarvp. Fez-se pelos próprios esforços, saindo do nada, da pobreza. Parabéns, meu caro! Aplausos!

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Categoria(s): Gerais
sexta-feira - 17/04/2026 - 23:50h

Pensando bem…

“Nunca é tarde demais para ser aquilo que você deveria ser.”

George Eliot

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sexta-feira - 17/04/2026 - 17:24h
Mossoró

Sinfônica de Lisboa se apresenta com crianças de escolas municipais

Musicalização é uma das grandes apostas da gestão (Foto: Lucas Bulcão)

Musicalização é uma das grandes apostas da gestão (Foto: Lucas Bulcão)

No próxima quinta-feira (23), o Teatro Municipal Dix-huit Rosado será palco de mais uma apresentação da Orquestra Sinfônica de Lisboa. A exemplo da edição anterior, alunos da Rede Municipal de Ensino de Mossoró, que integram o projeto de Musicalização, farão parte do espetáculo “O Sítio da Amizade”.

No último dia 13 de março, a Prefeitura de Mossoró, por meio da Secretaria Municipal de Educação, reuniu supervisores e diretores de unidades para uma formação com técnicas de musicalização a serem repassadas aos professores da rede municipal.

O trabalho executado nas unidades do município fará parte da apresentação da Orquestra Sinfônica de Lisboa, no dia 23, ás 8h30 no teatro Dix-huit Rosado com acesso livre.

Musicalização

A musicalização infantil é um processo pedagógico que utiliza atividades lúdicas, como canções, jogos rítmicos e instrumentos de percussão, para estimular o desenvolvimento integral da criança. O projeto visa estimular a percepção sonora e criatividade, além de aprimorar a coordenação motora, a socialização, a concentração e expressão corporal das crianças.

A Orquestra Sinfônica de Lisboa esteve anteriormente em Mossoró no dia 9 de setembro do ano passado.

Dia 9 de setembro do ano passado, a Sinfônica teve um espetáculo com casa cheia no Dix-huit Rosado (Foto: Wilson Moreno/Arquivo)

Dia 9 de setembro do ano passado, a Sinfônica teve um espetáculo com casa cheia no Dix-huit Rosado (Foto: Wilson Moreno/Arquivo)

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sexta-feira - 17/04/2026 - 16:28h
Campanha

Capital e trabalho, um tema para esquentar o debate 2026

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

O debate sobre jornada de trabalho rompeu a barreira técnica e entrou no campo político-eleitoral. Passa a ser pauta de disputa, narrativa e convencimento. Compreensível num ano em que teremos eleições.

No RN, ainda aparece como reflexo de Brasília – porém de modo muito superficial, tangido mais pelo partidarismo do governo e seu braço sindical, do que por qualquer outra razão.

Mas tende a ganhar corpo rapidamente, sobretudo com o afunilamento do calendário eleitoral, que ainda está no estágio de pré-campanha.

Quem entender primeiro o alcance desse tema pode sair na frente.

Não apenas entender, óbvio. Como lidar e ser convincente em posicionamentos e argumentos.

Leia tambémTrabalhar mais, ou menos; o Brasil discute sua jornada

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sexta-feira - 17/04/2026 - 15:28h
Pimenta-do-reino

Vereadora Thabatta fará palestra em Oxford-Inglaterra

Thábatta é um nome em ascensão que ocupa espaços importantes Foto: Redes sociais)

Thábatta foi convidada pelo ex-ministro Luís Roberto Barros ( Foto: Redes sociais)

Por Diógenes Dantas (Diário do RN)

A convite do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, a vereadora Thabatta Pimenta vai palestrar no Brazil Forum UK 2026, em Oxford (Inglaterra).

O evento será realizado nos dias 16 e 17 de maio, na Blavatnik School of Government.

Na pauta, o debate sobre desigualdades sociais.

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Categoria(s): Política
sexta-feira - 17/04/2026 - 10:30h
Homo sapiens

A polarização como fenômeno humano, mas nem sempre vital

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Converso numa roda de amigos sobre amenidades, abobrinhas e nada muito sério. Um daqueles momentos em que nos reunimos porque temos um monte de coisas para não fazer. Desplugamos para continuarmos ligados, humanamente ligados.

Contudo aí, por deslize de um dos nossos circunstantes, a tal da política é jogada inoportunamente à mesa. Alguém fala sobre ‘polarização’ e as manadas que se digladiam em casa, na rua, na chuva, na fazenda, mas principalmente em redes sociais. Cada uma incensa seu semideus e vomita no contendor.

Polarização existe desde a maior parte da nossa existência como gênero Homo, o caçador-coletor, aquele indivíduo das cavernas a 2,5 milhões de anos. Ou agora mais próximo, por volta de 300 mil anos – o homo sapiens na África. Entretanto, o fenômeno do confronto nesse nível como estamos testemunhando, reportando e participando, ganha dimensão grandiloquente por força desse mundo conectado em que vivemos.

No campinho de futebol de várzea, no tablado do teatro, num centro comunitário, no bar, no galpão da fábrica, em todo lugar em que existimos, existe alguma modalidade de polarização e ela nem sempre é pelo topo, pelo comando, pelo controle, mas algum outro tipo de supremacia, proeminência, destaque. Está acima não mudará o mundo, a política ou qualquer componente vital à vida em sociedade.

Um exemplo de fácil entendimento: em boa parte dos campeonatos estaduais de futebol que acompanhei no RN, Potiguar e Baraúnas polarizaram forças e raramente no topo, mas para saber quem ficaria à frente do outro na competição. Um duelo paroquial, que se diga.

A polarização é quando opiniões, grupos ou visões de mundo se afastam e se concentram em polos opostos, com pouca zona de racionalidade no meio. O diálogo diminui, a identidade e pertencimento de grupo aumentam; discordar vira “ser inimigo”. Regra, não exceção. A política é só o palco mais visível.

A elite política tem mais microfones, organização com capacidade de arrebanhar gente e marketing mais profissional, além de despudor para patinhar no submundo. Redes sociais reforçam o que você já é induzido a pensar e expõem o pior do “outro lado”, acelerando sentimento de ódio e dando o start para repulsa um pelo outro.

Nada muito racional, como nossos antepassados das cavernas.

Voltemos à nossa conversa nada séria com um monte de coisas para não fazer.

Depois falamos sobre política.

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sexta-feira - 17/04/2026 - 08:28h
Adeus

Mossoró se despede do professor Djalma Frota

Djalma Frota deixa um importante legado profissional e nas relações interpessoais (Reprodução)

Djalma Frota deixa um importante legado profissional e nas relações interpessoais (Reprodução)

Notícia triste, mas temos que dá-la. Nessa quinta-feira (16), à noite, faleceu no Hospital Wilson Rosado, em Mossoró, o professor de educação física aposentado Francisco Djalma Frota, 82, pai de cinco filhos e com dez netos.

Ex-integrante dos quadros da Universidade do Estado do RN (UERN), onde foi diretor da Faculdade de Educação Física (FAEF) de 1989 a 1992, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), além das redes estadual e municipal de ensino, Frota residia em Tibau e estava internado há semanas com uma série de complicações de saúde, que se interligavam.

Seu velório ocorre no Centro de Velório Sempre no Centro da Cidade, em frente ao Tiro de Guerra 07/010.

Sepultamento está marcado para as 17 horas desta sexta-feira (17) no Cemitério São Sebastião, Centro da cidade

Nota do BCS – Através de Djalma Júnior, transmito minhas condolências. Conhecia Djalma Frota há muitos e muitos anos. Parte com legado de ser, em essência, um cidadão de bem.

Descanse em paz.

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sexta-feira - 17/04/2026 - 04:28h
Comportamento digital

Se tem sangue, tem audiência e angústia desse lado aí da tela

Boxe criado com recursos de IA para o BCS

Boxe criado com recursos de IA para o BCS

The News para o BCS

“If it bleeds, it leads” — em tradução não literal, “se tem sangue, tem audiência.” É um ditado antigo nas redações de jornal e que, recentemente, ganhou um upgrade.

Um estudo publicado na Nature Human Behavior da Inglaterra analisou mais de 105 mil variações de manchetes para entender o que realmente nos faz clicar nas notícias e adivinhe…

A negatividade é um dos maiores motores de consumo de notícias online.

A pesquisa utilizou milhões de impressões e descobriu que, quanto maior o viés negativo de uma notícia, mais ela engaja. Na prática, e em números:

Para uma manchete de tamanho médio, cada palavra negativa adicional aumenta a taxa de cliques em 2,3%;

Palavras positivas têm o efeito oposto. Cada termo mais positivo reduz a chance de clique em cerca de 1,0%;

Termos como ‘’errado’’, ‘’ruim’’ e ‘’terrível’’ foram os campeões de audiência, superando de longe qualquer variação com ‘’amor’’ ou ‘’lindo’’.

Desde a pré-história…

Mas por que clicamos no que nos assusta?

O cérebro humano é programado para priorizar estímulos negativos como uma ferramenta de sobrevivência. É uma questão biológica.

Na prática, as informações negativas ativam respostas automáticas tal como uma ameaça. Volte aos homens pré-históricos e lembre-se que saber de algo “errado” nos permite planejar e nos ajuda a evitar a dor.

Voltando ao estudo… Foi feita uma análise para entender quais sentimentos específicos movem a curiosidade da audiência.

O resultado mostra que o consumo privado (o que você lê sozinho) difere do consumo público (o que você compartilha).

Ao preferirmos o tom negativo, criamos um incentivo econômico para que veículos de mídia pesem a mão no pessimismo ou no sensacionalismo. Nós pagamos pelo próprio sofrimento, neuras, abatimento psicológico e fragilização emocional como um todo.

Crise fabricada e polarização de laboratório

Até o período pré-pandemia, quando a circulação de jornais impressos ainda era “uma coisa”, o Super Notícias, de Belo Horizonte-MG, conhecido por suas manchetes violentas na capa, era o periódico de maior circulação no país — tudo bem que o preço ajudava.

O fator horror também influencia bastante os temas “Governo e Economia”, já que a exposição constante a manchetes negativas comprovadamente contribui para a polarização política e um sentimento de “crise incessante”.

No fim do dia, o mercado de notícias não entrega o que dizemos que queremos, mas sim aquilo que o nosso cérebro instintivo não consegue parar de olhar.

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sexta-feira - 17/04/2026 - 03:46h
Senado

Avança projeto contra assédio de bancos a consumidores

Consumidor passa a saber natureza da ligação em seu aparelho (Foto ilustrativa)

Proposta deixa consumidor com proteção e poder de rejeição documental (Foto ilustrativa)

A Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC) aprovou nesta quarta-feira (15) o PL 133/2024, de autoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que combate o assédio de bancos e empresas de crédito aos consumidores.

O projeto proíbe o assédio para oferecer produtos e serviços financeiros, por meio de ligações telefônicas, mensagens eletrônicas e publicidade direcionada. Recebeu parecer favorável na forma do substitutivo apresentado pelo relator, senador Marcio Bittar (PL-AC), e seguirá para turno suplementar de votação na próxima reunião do colegiado.

— Não tem coisa mais chata do que o consumidor ser assediado, o telefone celular tomando conta do tempo das pessoas com essa insistência. Essa proposta é um verdadeiro microssistema regulatório de proteção contra o assédio financeiro — afirmou o relator ao defender a proposta.

Para combater o problema, o projeto cria um cadastro centralizado no qual pessoas físicas podem se inscrever para não receber ofertas de operadores financeiros. A inscrição é feita por manifestação voluntária do consumidor e tem validade mínima de cinco anos.

Fonte: Agência Senado

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sexta-feira - 17/04/2026 - 02:40h
Anúncio Feito

Veja todas as atrações do Mossoró Cidade Junina 2026

Nattan, Cláudia Leite, Alok e Xand são atrações anunciadas (Fotomontagem da PMM)

Nattan, Cláudia Leite, Alok e Xand são atrações anunciadas (Fotomontagem da PMM)

A Prefeitura de Mossoró anunciou nesta quinta-feira (16), as grandes atrações do “Mossoró Cidade Junina” (MCJ) 2026. O evento, aberto ao público, aconteceu no Hotel Thermas. Neste ano, o maior São João do Rio Grande do Norte traz na sua programação atrações como Alok, Xand Avião, Nattan, Bell Marques, Cláudia Leitte, Simone Mendes e outros nomes.

No evento, com a presença do prefeito Marcos Medeiros (PSD) e o secretário local da Cultura  Cícero França, a Prefeitura divulgou as datas, atrações e a estrutura de todos os polos do São João mais cultural do mundo. O MCJ 2026 começará no dia 6 de junho, com o tradicional “Pingo da Mei Dia”, e vai até o dia 27 de junho, com o “Boca da Noite”, encerrando os festejos juninos.

O São João de Mossoró reúne shows musicais, apresentações culturais, quadrilhas juninas e polos temáticos. Em 2025, atraiu visitantes de várias regiões do país, reunindo mais 1,5 milhão de pessoas.

No lançamento, a cada nome anunciado a multidão presente no Thermas vibrava e exaltava a escolha, numa  noite marcada por muita euforia, sorrisos fartos e aquele clima de expectativa pelo que vem em junho. O público presente também se divertiu ao som da artista local Alinne Reis,

Confira a programação:

Polo Pingo da Mei Dia – 6 de junho

– Nattan
– Bell Marques
– Grafith
– Dan Ventura
Polo Estação das Artes

Quinta, 11 de junho

– Calcinha Preta
– Iguinho e Lulinha
– João Gomes

Sexta, 12 de junho

– Mara Pavanelly
– Henry Freitas
– Zezo

‌Sábado, 13 de junho

– Márcia Fellipe
– Matheus e Kauan
– Flay

‌Quarta, 17 de junho

– Xand Avião
– Felipe Amorim
– Mano Walter

Quinta, 18 de junho

– Zé Vaqueiro
– Dorgival Dantas
– Pablo

Sexta, 19 de junho

– Solange Almeida
– Filho do Piseiro
– Simone Mendes

Sábado, 20 de junho

– Matheus Fernandes
– ⁠Marina Elali
– Lagosta Bronzeada
– Michele Andrade

Domingo, 21 de junho

– Kadu Martins
– Mumuzinho
– Sorriso Maroto

Quarta, 24 de junho

– Jonas Esticado
– Thiago Freitas
– Alok

Quinta, 25 de junho

– Vicente Nery
– Zé Cantor
– Tarcísio do Acordeon

Sexta, 26 de junho

– Zezé Di Camargo e Luciano
– Nuzio Medeiros
– ⁠Jotave

Boca da Noite

Sábado, 27 de junho

– Chicabana
– Claudia Leitte
Arraiá do Povo

Domingo, 7 de junho

– Waldonys
– ⁠Forrozão Tropykália
– ⁠Batista Lima

Sábado, 13 de junho

– Amazan
– ⁠Arnaldinho Netto
– ⁠Eliane

Domingo, 14 de junho

– Banda Líbanos
– ⁠Raynel Guedes
– ⁠Toca do Vale

Sábado, 20 de junho

– Ferro na Boneca
– ⁠Bonde do Brasil
– ⁠Edyr Vaqueiro

Domingo, 21 de junho

– Brasas do Forró
– ⁠Bartô Galeno
– ⁠Circuito Musical

Polo Poeta Antônio Francisco

Quarta, 10 de junho

– Bráulio Bessa

Segunda, 22 de junho

– Zé Lezin

Polo Igreja São João

Segunda, 15 de junho

– Adriana Arydes

Sábado, 20 de junho

– William Sanfona

Terça, 23 de junho

– Thiago Brado

Atrações locais e regionais em todos os polos.

Banner de divulgação da programação do MCJ 2026 (Reprodução do BCS)

Banner de divulgação da programação do MCJ 2026 (Reprodução do BCS)

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quinta-feira - 16/04/2026 - 23:30h

Pensando bem…

“Cada um tem de mim exatamente o que cativou.”

Charlie Chaplin

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quinta-feira - 16/04/2026 - 21:36h
Isenção estratégica

Salineiros obtêm apoio à aprovação de projeto no Congresso Nacional

Audiência ocorreu nesta quinta-feira (Foto: divulgação)

Audiência ocorreu nesta quinta-feira (Foto: divulgação)

A competitividade do setor salineiro potiguar foi o tema central de reunião realizada nesta quinta-feira (16) entre a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), empresários do segmento e a governadora Fátima Bezerra (PT). O encontro ocorreu na Governadoria e resultou em compromissos de apoio ao setor.

O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, e o presidente do Sindicato da Indústria de Extração de Sal do RN (SIESAL-RN), Airton Torres, buscaram apoio da governadora Fátima Bezerra para avanço de um projeto no Congresso Nacional que busca garantir a isenção do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para os estados do Norte e Nordeste.

O AFRMM é um encargo cobrado nas operações de transporte marítimo e fluvial, destinado a financiar o desenvolvimento da marinha mercante e da indústria naval brasileira. Atualmente, os estados nordestinos e nortistas já contam com a isenção desse adicional — tanto na entrada quanto na saída de navios —, mas o benefício precisa ser renovado a cada cinco anos. O projeto em tramitação no Congresso Nacional torna essa isenção definitiva, conferindo segurança jurídica e previsibilidade ao setor.

Serquiz destacou o caráter urgente da medida. “O segmento salineiro tem enfrentado desafios de competitividade por diversos fatores; como o tarifaço do governo dos Estados Unidos, inflexões na área Ambiental e o tabelamento do frete pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”, observou.

Ele alertou ainda para os riscos de uma eventual interrupção do benefício. “Se interrompida a isenção do AFRMM, o estado do RN, que é o maior produtor do país com 95% da produção do sal nacional, vai perder mais um fator de competitividade para o sal chileno, que tem entrado cada vez mais no mercado nacional. Por isso, esse pleito é relevante e estratégico para um setor que há mais de um século permanece forte e representativo no nosso estado, gerando empregos e riqueza”, ressaltou.

Encaminhamento

A governadora Fátima Bezerra acolheu a demanda e determinou o encaminhamento de audiências com o Ministério da Fazenda e o Ministério de Portos e Aeroportos. “Estamos sensíveis a essa pauta e vamos levar para o governo federal para buscar a solução de forma célere”, declarou.

O presidente do Siesal-RN, Airton Torres, expressou otimismo com os resultados do encontro. “Estamos felizes porque a governadora assegurou para a indústria salineira que o governo vai se empenhar para que esse projeto, que já tramita no Congresso Nacional, seja assumido como prioridade também pelo governo federal.” A expectativa é que o projeto seja aprovado na Câmara e Senado e sancionado pela Presidência da República ainda este ano, antes do encerramento da isenção vigente.

Torres ressaltou ainda o alcance amplo da medida. “Essa iniciativa beneficia a indústria salineira do RN, mas também todas as mercadorias que transitam por via marítima originadas ou destinadas a portos do Norte e do Nordeste.”

Lailson Ramalho, diretor jurídico e representante do Sindicato da Indústria de Moagem e Refino de Sal do RN (SIMORSAL-RN), reforçou a dimensão econômica e jurídica do pleito. “É uma pauta que tem impacto na produtividade, na empregabilidade e na situação econômica e fiscal do estado. Na realidade, o que se pede é a continuidade do que já existe, sem perdas para o governo federal, mas garantindo previsibilidade e segurança jurídica para o setor salineiro”, disse.

Fátima (centro) prometeu encaminhamento do pleito em Brasília (Foto: divulgação)

Fátima (centro) prometeu encaminhamento do pleito em Brasília (Foto: divulgação)

Participantes

Também participaram do encontro Rafael Mandarino, CEO da empresa Salinor; Fabio Hereda, gerente administrativo-financeiro da Intersal; e Ana Adalgisa Dias, coordenadora executiva de Relações Institucionais e com o Mercado da FIERN.

Pelo governo estadual, participaram os secretários de Infraestrutura, Gustavo Coelho; da Fazenda, Álvaro Bezerra; e do Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca; além do diretor-presidente do Idema, Werner Farkatt; o Procurador-Geral Adjunto, José Duarte Santana; a diretora-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Natécia Nunes; e o diretor técnico do Idema, Thalles Dantas.

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quinta-feira - 16/04/2026 - 18:22h
Caso Master

Federal prende ex-presidente do Banco de Brasília

Paulo Henrique tem diálogos pinçados pela PF (Foto: Lúcio Bernardo/Agência Brasília)

Paulo Henrique tem diálogos pinçados pela PF (Foto: Lúcio Bernardo/Agência Brasília)

A Polícia Federal prendeu hoje Paulo Henrique Costa, que foi presidente do Banco de Brasília (BRB) de 2019 a 2025.

A investigação aponta que Costa facilitava negócios irregulares entre o BRB e o Banco Master, em troca de benefícios pessoais. O advogado Daniel Monteiro, suspeito de operar fundos para ocultar o rastro do dinheiro, também foi preso.

Segundo a PF, o executivo recebeu R$ 146 milhões em imóveis de Daniel Vorcaro, para fechar negócios que não tinham garantia nenhuma de retorno. Confira aqui as mensagens que os banqueiros trocaram.

O Banco Central já havia barrado a tentativa do BRB de comprar parte do Master. É a primeira vez que a PF cita explicitamente corrupção de agentes públicos vinculados ao caso (veja AQUI).

Com informações do The News para o BCS

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Categoria(s): Política
quinta-feira - 16/04/2026 - 14:40h
48 municípios

Caern abre consulta pública para universalizar esgotamento sanitário

Saneamento básico faz parte de uma pauta diversificada em termos de meio ambiente (Foto ilustrativa)

Meta é atingir 90% de esgotos até 2033 (Foto ilustrativa)

Nesta quinta-feira (16), inicia uma etapa importante do projeto de estruturação da Parceria Público-Privado (PPP) para a universalização do esgotamento sanitário em 48 municípios potiguares, com a abertura da Consulta Pública do projeto. Nesse momento, os cidadãos e a sociedade civil poderão fazer contribuições relacionadas aos documentos disponibilizados.

Os municípios alcançados são esses: Acari; Assú; Afonso Bezerra; Angicos; Antônio Martins; Apodi; Boa Saúde; Bodó; Bom Jesus; Caicó; Caraúbas; Carnaúba dos Dantas; Carnaubais; Coronel Ezequiel; Cruzeta; Equador; Florânia; Ipueira; Janduís; Jardim de Angicos; Jardim de Piranhas; Lajes Pintadas; Lucrécia; Luís Gomes; Macau; Martins; Monte das Gameleiras; Mossoró; Natal; Parazinho; Parnamirim; Passagem; Pau dos Ferros; Pedra Preta; Pendências; Porto do Mangue; Riachuelo; São Bento do Trairi; São Fernando; São José do Campestre; São José do Seridó; São Paulo do Potengi; Serra Caiada; Serra do Mel; Tangará; Tenente Ananias; Tenente Laurentino Cruz e Tibau do Sul.

Natal, Parnamirim, Mossoró e Caicó possuem contratos regulares com a Caern, conforme termo de atualização aprovado pelas Microrregiões de Água e Esgoto (MRAE) Litoral-Seridó e Central-Oeste. É importante ressaltar que, conforme preconizado pelo marco legal do saneamento, no caso da existência de estruturas regionalizadas, a titularidade dos serviços é exercida pelo estado em conjunto com os municípios, reunidos em colegiado interfederativo. Sendo assim, as MRAEs passaram a ser responsáveis pelas decisões acerca da gestão dos serviços de saneamento no estado do RN. Vale ressaltar que, além dos documentos relacionados à PPP, as MRAEs estão colocando em consulta os Planos Regionais de Saneamento Básico relativos aos serviços de esgotamento sanitário dos municípios abrangidos pelo projeto.

Audiência públicas

A consulta vai até dia 29 de maio e a consulta aos documentos, bem como as contribuições, podem ser feitas no seguinte link: //transparencia.caern.com.br/ppp/ . No mês de maio, serão realizadas as audiências públicas, com data prevista para 11 de maio.

Com cerca de R$ 3,8 bilhões previstos em investimentos no serviço de esgotamento sanitário durante todo o período da PPP, ou seja, até 2051, seu objetivo é garantir o atingimento da meta de 90% de atendimento de esgoto até 2033, conforme preconizado pelo marco legal do saneamento. A PPP, na modalidade administrativa, complementará os esforços de investimentos da Companhia, sendo passo fundamental para a expansão do atendimento no estado. Dentre os benefícios da parceria estão a garantia de acesso aos serviços de saneamento, que são essenciais, e a consequente melhoria das condições de saúde pública e do meio ambiente.

Parceria

A estruturação desta parceria contou com o apoio do BNDES e de um consórcio de consultores especializados (Ceres, Serenco Engenharia, Cescon Barrieu e Amaral Andrade). O grupo foi responsável pelo diagnóstico, modelagem e confecção dos documentos licitatórios, sempre sob a diretriz do Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020) e suas metas de universalização.

Etapas

Importantes etapas foram cumpridas desde 2024, ano em que o projeto iniciou. Desde então, foram realizados diagnósticos dos serviços de esgotamento sanitário da área do projeto, a modelagem econômico-financeira, a definição do escopo da PPP pela CAERN e a elaboração dos documentos de contrato, edital e anexos, que estão sendo colocados em consulta pública. Estão sendo adotadas medidas de divulgação interna e externa para garantir a visibilidade do projeto a todos as partes interessadas.

Investimentos

A Parceria Público-Privado tem o potencial de contribuir para transformar a realidade do Rio Grande do Norte, beneficiando cerca de 1,9 milhões de norte-rio-grandenses e a população que visita o Rio Grande do Norte todos os anos, com serviço de coleta e tratamento adequado de esgoto.

Após a consulta pública, as contribuições realizadas serão consideradas e respondidas, com a realização das adaptações pertinentes nos documentos editalícios. O projeto também será apreciado pelo TCE-RN. Após esse período de análises e adequações será publicado o edital de licitação.

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Categoria(s): Administração Pública / Gerais
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quinta-feira - 16/04/2026 - 13:30h
Allyson Bezerra

Pré-candidato ao governo quer visitar todos os municípios do RN

Em página no Instagram o pré-candidato publica trilha na estrada (Fotomontagem do BCS)

Em página no Instagram o pré-candidato publica trilha na estrada (Fotomontagem do BCS)

Desde que renunciou ao mandato de prefeito reeleito de Mossoró no dia 27 de março, o engenheiro e acadêmico de direito Allyson Medeiros pôs os pés na estrada como pré-candidato ao governo do estado. Entre suas metas até o fim da campanha oficial em outubro, deste ano, colocou que vai visitar todos os municípios do Rio Grande do Norte.

– “Não é demais ou improvável”? – perguntei à saída do Teatro Dix-huit Rosado, em Mossoró, após solenidade de posse do sucessor Marcos Medeiros (Republicanos), o seu vice.

A resposta veio instantaneamente, sem rodeios: “Improvável se eu fosse pré-candidato a governador de Minas Gerais.”

“Realmente…”, emendei. Faz sentido. Entre os estados federados, MG tem 853 municípios, o maior número do país. O RN possui apenas 167.

Sem perda de tempo, de lá para cá, Bezerra aportou em cerca de dez municípios potiguares, além de dezenas de vezes fez percurso entre Natal e Mossoró. Touros, Itaú, Carnaúba dos Dantas, Porto do Mangue e Martins, por exemplo, já entraram no seu mapa.

No ambiente virtual, precisamente na plataforma Instagram, o pré-candidato inclusive criou um endereço que no nome e número foca nessa agenda: 167 Razões RN (veja AQUI).

Na campanha municipal de 2020, quando se elegeu prefeito pela primeira vez, Allyson Bezerra chegava a caminhar diariamente cerca de 15 a 18 quilômetros de média/dia para ser conhecido e lembrado nas urnas. Um GPS acoplado a seu corpo mapeava e dimensionava tudo.

Agora, a área territorial é bem maior. Mas, duvidar quem há de…

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Categoria(s): Política
quinta-feira - 16/04/2026 - 10:34h
História de vida

Superação e conquista marcam entrega de carteiras da OAB

Letícia, vitória no nome e na vida Foto: cedida)

Letícia, vitória no nome e na vida (Foto: cedida)

A entrega das carteiras dos novos advogados é sempre um momento que vai além do protocolo. Representa sonhos conquistados, na sua grande maioria, com muita superação e resiliência. É o caso da agora advogada Letícia Vitória, que recebeu sua carteira na posse festiva, realizada na quarta-feira (15), no auditório da Ordem, em Mossoró.

Ela enfrentou um diagnóstico difícil de endometriose e precisou interromper temporariamente o curso.

“Esse é um momento muito importante e significativo para mim e para toda a minha família. Na graça de Deus, cheguei até aqui. Passei por momentos de tribulações com a minha saúde, mas tudo acontece no tempo do Senhor. Depois de tanto enfrentamento e batalhas por conta da endometriose, conquisto o meu sonho”, disse, emocionada.

A endometriose é uma doença crônica em que o tecido que deveria revestir apenas o interior do útero (endométrio) cresce em outras regiões do corpo. O diagnóstico veio em 2024.

“A minha foi endometriose profunda. Precisei pausar por exatamente um ano. A cirurgia realizada foi por vídeo, e acabei perdendo um ovário. Hoje cuido da minha saúde física, sigo estudando e, graças a Deus, consegui retomar a vida normal e me permitir recomeçar”, finalizou.

Além de Letícia, outros 31 advogados receberam a carteira da OAB nesta quarta-feira (15). Mais do que um ato formal, é um momento marcado por histórias de luta e superação.

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