domingo - 05/07/2026 - 13:16h

O veneno dos brasileiros

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Por estes dias, li na mídia digital – mais precisamente no portal G1 – a notícia de que uma mulher/homicida “foi condenada a 66 anos por envenenar e matar crianças com ovo de Páscoa no MA”, além da “tentativa de homicídio da mãe delas”. Os fatos ocorreram no ano passado, em 2025. As indefesas crianças “morreram após consumirem um ovo de Páscoa envenenado com chumbinho e entregue na casa da família”. A mãe “chegou a ficar dias internada em UTI, mas sobreviveu”. O crime teria sido “motivado por ciúmes e vingança”. A homicida era ex-namorada do companheiro da mãe das crianças. Três crimes bárbaros, portanto, “todos qualificados pelo uso de veneno, motivo torpe e dissimulação”.

Puxando pela memória e pesquisando para escrever este riscado, dei de cara com vários outros casos recentes de “envenenamentos passionais” aqui no Brasil. Isso é muito grave.

Antigamente, esses “acontecimentos” eram coisa da literatura detetivesca, a exemplo da obra da minha amiga Agatha Christie (1890-1976), a “Rainha dos Venenos”, cuja expertise no tema das toxinas foi adquirida quando do seu trabalho como enfermeira na 1ª Guerra Mundial. Contam-se mais de oitenta personagens que morreram envenenadas em muitos de seus livros: “Lord Edgware Dies” (1933), “Dumb Witness” (1937), “Five Little Pigs” (1942), “Sparkling Cyanide” (1944), “After the Funeral” (1953), “The Pale Horse” (1961) e por aí vai.

Ou não eram coisa de gente comum, como nosotros. Como registra Lemos Brito, no seu clássico “O crime e os criminosos na literatura brasileira” (Livraria José Olympio Editora, 1946), “tempo houve em que tinham celebridade os envenenadores, que conheciam, vendiam ou ministravam tóxicos terríveis a serviço de reis, homens de Estado, gente poderosa, dessa que limpava o caminho afastando pela morte seus inimigos ou rivais. E assim a história antiga e ainda a moderna está cheia de envenenamentos e de envenenadores”.

No Brasil, aliás, misturando realeza e literatura, “entendem alguns historiadores que D. João VI morreu envenenado. E atribuem esse envenenamento à esposa, [a espanhola] Carlota Joaquina. Chrysanthème [pseudônimo de Cecília Moncorvo Bandeira de Mello Rebello de Vasconcellos] alude ao fato em seu romance histórico A infanta Carlota Joaquina [1936]: ‘Certa manhã, alguém lhe sussurrou aos ouvidos que a acusavam de estar envenenando o marido para colocar D. Miguel no trono. Ela sacudiu os ombros com desdém: tinham-lhe dado todos os nomes, só lhe faltava o de uxoricida [mais propriamente, mariticida], que lhe serviam agora”.

Bom, na vida real, o nosso direito penal “considera duas espécies de envenenamento: o individual, com um objetivo certo, e que constitui uma agravante qualificativa do homicídio [art. 121, § 2º, inciso III, do CP], e o de perigo comum [art. 270 do CP]. Envenenar fontes públicas ou particulares, tanques ou viveiros de peixes e gêneros destinados ao consumo público, diz o Código, é crime de perigo comum. E o conceito tem sua aplicação no fato de, em tais casos, ser imprevisível o alcance ou a incidência do envenenamento. O outro é o direto, a morte dada a alguém por meio de um tóxico”.

Sinceramente, só espero que entre nós não apareça um criminoso loco, em busca da patológica celebridade dos dias atuais, e piore ainda mais as coisas, passando do envenenamento passional/particular ao delirante/coletivo.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Crônica
domingo - 05/07/2026 - 12:10h
Conversando com... Tabata Tesser

A batalha pelos católicos é fundamental na corrida presidencial

Por Giullia Chechia do Canal Meio para o BCS

"Existe aproximação entre mulheres católicas conservadoras e lideranças evangélicas", diz Tesser (Foto: Instagram)

“Existe aproximação entre mulheres católicas conservadoras e lideranças evangélicas”, diz Tesser (Foto: Instagram)

Cem milhões. É esse o tamanho da população católica no Brasil. Os dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que 100,2 milhões de brasileiros se declaram com essa escolha religiosa. Embora representem a menor proporção da população desde 1987, eles seguem formando o maior grupo religioso do país e, às vésperas da eleição de 2026, uma das fatias mais cobiçadas do eleitorado. A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta semana ajuda a explicar por quê: neste segmento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 48,3% das intenções de voto, contra 37,9% do pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL).

Nos últimos meses, os dois partidos intensificaram os gestos em direção a esses eleitores. Os percentuais revelam uma disputa. Não explicam, porém, sua complexidade. No catolicismo, a política segue outra lógica. Entre a memória da Teologia da Libertação, o avanço de um conservadorismo católico, o surgimento de influenciadores religiosos e até os reflexos da disputa entre Donald Trump e o papa Leão XIV, a Igreja vive uma reorganização que ajuda a explicar por que esse segmento se tornou um dos mais estratégicos da corrida presidencial. Foi esse cenário que Tabata Tesser, socióloga da religião da USP, desenhou em entrevista ao Meio. Confira os principais trechos da conversa.

A última pesquisa Atlas mediu como os católicos pretendem votar nesse ciclo eleitoral. Lula marca 48,3% contra 37,9% de Flávio. O que isso indica?

Para responder, vale olhar para o passado dos católicos nas eleições. Isso ajuda a entender por que se fala tanto que a tríade mais complexa para Flávio Bolsonaro nessas eleições é formada pelas mulheres, pelo voto nordestino e pelos católicos. A disputa pelo eleitorado católico não começou em 2026. O catolicismo sempre teve presença política, tanto no campo conservador quanto no campo popular, desde as Comunidades Eclesiais de Base, a Teologia da Libertação e as pastorais sociais até os setores mais tradicionais e carismáticos. No governo Bolsonaro, houve uma participação expressiva de católicos. Muito se fala do papel da Damares Alves no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, mas quem ocupava a Secretaria da Família era a jurista Angela Gandra, uma católica. A família Gandra ajuda a entender essa tentativa de aproximar o catolicismo de uma ala mais bolsonarista. Ainda assim, é muito mais complexo dizer que existe um bloco propriamente católico bolsonarista. Podemos citar lideranças como Simone Marchetto, Eros Biondini e a aproximação de Flávio com o padre Reginaldo Manzotti como ativos importantes. Mas isso é diferente de afirmar que exista uma base eleitoral católica consolidada em torno do bolsonarismo.

Como Lula e Flávio Bolsonaro estão tentando disputar esse mesmo eleitorado?

O PT tem uma relação histórica com o catolicismo popular. O partido nasce no contexto das Comunidades Eclesiais de Base, da Pastoral Operária, da Comissão Pastoral da Terra e da Teologia da Libertação. Talvez a grande questão seja que não só esse PT não existe mais como também esse catolicismo perdeu muita força. O que vemos hoje é uma tentativa do partido de dialogar novamente com esse campo e recuperar uma memória afetiva dessa relação. Já Flávio Bolsonaro está fazendo com os católicos algo parecido com o que a esquerda tentou fazer com os evangélicos nas eleições de 2018 e 2022: uma aproximação com lideranças e símbolos religiosos. O encontro com o padre Manzotti, a visita ao Vaticano e o pedido para que o papa rezasse pelo Brasil fazem parte dessa estratégia. Ao mesmo tempo, há uma diferença importante em relação ao mundo evangélico. Pouco depois de receber Flávio, o padre Manzotti também recebeu o ex-ministro do Lula, Camilo Santana. Isso mostra como o catolicismo institucional costuma manter canais de diálogo com diferentes campos políticos.

O que mais tem sido feito?

Os acenos de Flávio mostram que ele reconhece a dificuldade de ampliar sua votação entre os católicos. Se observarmos as duas últimas propagandas do PL, há uma tentativa de incorporar uma gramática muito próxima das campanhas da própria Igreja Católica, falando de desigualdade, recuperação social e da imagem dos pobres. Do lado do PT, também houve uma articulação recente. O 13º Encontro Nacional da Pastoral de Fé e Política foi seguido pela Carta dos Católicos e Católicas do PT, que apoia a reeleição, defende o Estado laico, mas evita temas como direitos sexuais e reprodutivos. Isso revela uma escolha deliberada de dialogar com um segmento do eleitorado que pode estar mais próximo do bolsonarismo. Por isso, eu diria que Flávio está tentando fazer com os católicos aquilo que a esquerda tentou fazer com os evangélicos nas eleições anteriores: disputar um eleitorado que nunca foi homogêneo e continua sendo decisivo.

Mas a Igreja Católica participa dessa disputa de forma diferente das igrejas evangélicas?

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma instituição bastante plural. A CNBB tem uma posição histórica de não indicar candidatos. O que ela faz é divulgar cartas aos seus fiéis, estabelecendo diretrizes para o pleito. A gente poderia dizer que a CNBB não faz campanha para candidato, mas faz política no sentido forte do termo, porque oferece espaços de diálogo para que essas conversas possam acontecer. O que está em jogo nessa disputa é o próprio significado público do catolicismo. A Igreja Católica vive um momento de pós-Francisco, dialogando com temas como Amazônia, defesa da Casa Comum, moradia e combate à desigualdade. Ao mesmo tempo, os documentos da CNBB reafirmam a defesa da vida desde a concepção e uma posição contrária ao aborto. Então, ao mesmo tempo em que a Igreja orienta os fiéis a votarem contra a desinformação e a compra de votos, ela também dialoga com pautas morais que aproximam parte desse eleitorado do bolsonarismo. É por isso que esse eleitorado é tão complexo.

A carta do PT critica a politização nas igrejas, algo que estamos acostumados a ver em igrejas evangélicas. Como isso tem atravessado a Igreja Católica nos últimos anos?

Olha, eu diria que a própria CNBB também está preocupada em não ser associada nem ao PT nem ao PL. Dou dois exemplos. Depois do Encontro Nacional da CNBB, o presidente Lula gravou uma mensagem que foi publicada nas redes sociais da Conferência. O vídeo acabou sendo retirado da página após a pressão nos comentários. Outro caso é o do frei Gilson. Ele se tornou um fenômeno de popularidade, recebeu o Nikolas Ferreira e passou a ser associado a um público bolsonarista. A CNBB o chamou para conversar, ele retirou alguns vídeos e, nos últimos meses, adotou uma postura bem mais cautelosa. Há ainda o caso do padre Júlio Lancellotti, que também enfrenta críticas e restrições justamente por ser identificado com a esquerda.

De que maneira a Igreja faz política, então?

A CNBB nunca disse que os católicos não devem participar da política. A compreensão dela sobre participação política não passa necessariamente pela participação partidária. Historicamente, as pastorais sociais, os movimentos populares e os grupos de fé e política sempre incentivaram a presença dos católicos no espaço público. É uma lógica diferente daquela dos grandes congressos evangélicos marcadamente partidários. Talvez a melhor forma de olhar para o eleitorado católico seja entender que ele nunca votou como um bloco homogêneo. Justamente por ser o maior grupo religioso do país, reúne perfis sociais, econômicos e ideológicos muito diferentes.

Mas dá para dizer que há mais afinidade com algum candidato?

Hoje, Lula continua mais forte entre os católicos, enquanto Flávio Bolsonaro lidera entre os evangélicos. Mas eu acho que existe outra questão importante. O papel das outras candidaturas. Existe um eleitorado católico que se incomoda com o bolsonarismo por causa da pauta armamentista, da linguagem bélica e de temas ligados aos direitos humanos. Ao mesmo tempo, também há católicos que fazem críticas ao PT, especialmente em relação à corrupção. Então, talvez a disputa entre os católicos não seja apenas entre Lula e Flávio Bolsonaro. Pode haver espaço para uma dispersão desse eleitorado entre outros candidatos, como Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Qual delas conversaria bem com esse eleitorado?

Existe uma franja importante do conservadorismo católico muito ligada ao campo do MBL. Apesar de o Renan Santos ter todo cuidado com o eleitorado evangélico, existe uma massa crítica desse bolsonarismo conservador católico que poderia migrar para ele. E aí entram também fatores conjunturais, como o caso Master. Outro ponto importante é o papel do Zema. Existe aquela piada no contexto eleitoral de que quem ganha em Minas Gerais ganha a Presidência. E tem pesquisadores acompanhando a trajetória de lideranças como o Nikolas Ferreira, que, apesar de ser evangélico, vem fazendo acenos importantes ao campo católico. É preciso entender esses movimentos nos estados. O peso do catolicismo é muito importante no Nordeste. Essa vaga de vice de Flávio Bolsonaro — ele já acenou para Clarissa Tércio ou com Simone Marchetto — é uma tentativa de suprir aqueles três pontos em que ele tem mais dificuldade: mulheres, Nordeste e católicos.

Bolsonaro conseguiu construir uma base evangélica forte, mas se elegeu sendo católico. Por que não conseguiu construir uma base católica do bolsonarismo?

Lembro de um estudo muito interessante do professor Ronaldo de Almeida que cita a participação de católicos no governo Bolsonaro. Alguns grupos da Igreja Católica, apesar de estarem em comunhão com a Igreja, têm posições bastante autoritárias e participaram de espaços públicos naquele governo. É o caso dos Arautos do Evangelho e também do Centro Dom Bosco, que esteve ligado por muitos anos à deputada Chris Tonietto, no Rio. Então, existem tentativas de organizar um campo católico bolsonarista. Mas o catolicismo, diferentemente do universo evangélico, é uma religião hierarquizada, submetida a uma estrutura que passa pela paróquia, diocese, arquidiocese e chega à CNBB. Isso torna a atuação política muito mais difusa. Ao mesmo tempo, é importante dizer: a Igreja Católica não tem candidatos, mas há católicos candidatos, com força eleitoral e representando grupos bastante expressivos dentro da Igreja. A própria Chris Tonietto dialoga com um setor ultratradicionalista. Eros Biondini representa um segmento importante da Renovação Carismática. Já Chico Alencar conversa com o campo da Teologia da Libertação. Ou seja, os segmentos católicos têm seus candidatos, mas a Igreja, institucionalmente, não tem.

Então, a diferença é que o catolicismo distribui essas lideranças em vários campos, em vez de concentrá-las em um projeto político?

Acho que isso dificulta justamente a construção de uma estrutura político-partidária como a que existe entre os evangélicos. Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja incentivou os leigos a se organizarem na sociedade civil e atuarem no espaço público. Foi daí que surgiram muitas pastorais sociais. Hoje, porém, vemos também um catolicismo paralelo crescendo. Há padres influenciadores, editoras, associações e grupos conservadores que não estão vinculados diretamente às estruturas oficiais da Igreja, mas que ganharam relevância pública e eleitoral. Essas lideranças acabam dialogando com candidatos, mesmo sem representar oficialmente a Igreja. O caso de Bolsonaro em Aparecida ilustra bem essa diferença. Ele foi recebido, mas também foi vaiado. Tem também um outro ponto interessante: a naturalização da presença do catolicismo no Estado. A gente olha muito para o crescimento político dos evangélicos porque ele é mais visível, mas isso acaba escondendo que os católicos sempre ocuparam espaços importantes.

Quais espaços?

Nós fizemos uma pesquisa no Judiciário, com o Instituto de Estudos da Religião (ISER), e identificamos que, enquanto vemos uma presença muito explícita dos evangélicos no Parlamento, existe um ativismo muito mais discreto dos católicos no Judiciário. Isso não significa que eles não atuem politicamente. Significa apenas que ocupam espaços diferentes. O fato de o Judiciário exigir muitos recursos, de o catolicismo ter forte presença no Ensino Superior e, historicamente, entre as elites, ajuda a explicar esse perfil e a naturalização dos católicos nos espaços de poder. O próprio Lula é um exemplo disso. Ele governou o país por dois mandatos e o fato de ser católico nunca foi tratado como um ativo eleitoral. Agora vemos um reavivamento dos Católicos do PT. Isso mostra que a religião passou a ser um valor mais explícito na disputa política.

Tabata Tesser é socióloga da religião da USP (Foto: redes sociais)

Tabata Tesser é socióloga da religião da USP (Foto: redes sociais)

O que mudou na relação entre PT e católicos?

Acho que a Igreja Católica e o PT vivem, de certa forma, um sintoma parecido. São instituições que tentam dialogar com um Brasil que ainda existe, mas que já mudou muito. Ao mesmo tempo, isso não significa que os católicos tenham deixado de participar da política. Recuperei os dados do ato em defesa dos envolvidos no 8 de Janeiro, na Avenida Paulista. O Monitor do Debate Político da USP identificou que a maioria dos participantes era católica. Embora o carro de som e a organização fossem marcadamente bolsonaristas e evangélicos, a base presente era majoritariamente católica. Isso mostra uma diferença importante: enquanto os evangélicos aparecem mais na mídia e no Parlamento, construindo uma identidade fortemente associada ao bolsonarismo, os católicos também participam desses espaços, mas de maneira menos visível, talvez porque historicamente já ocupem instituições do Estado.

O que mais há de novidade nessa atuação?

A aproximação entre mulheres católicas conservadoras e lideranças evangélicas. Hoje existe um contingente importante de católicas participando de espaços organizados por mulheres evangélicas conservadoras. Isso me parece um fenômeno relativamente novo. Por exemplo, a deputada Ana Campagnolo é evangélica e convida para seus cursos e livros antifeministas católicas como Pietra Bertolazzi, Patrícia Silva e Gabriela Saboia. A partir das pautas conservadoras, Ana também consegue mobilizar os dois públicos: católicas e evangélicas. Ao mesmo tempo, continuam existindo espaços próprios de organização do conservadorismo católico. O recente caso da excomunhão da Fraternidade São Pio X mostra que esse campo continua muito ativo e que essas tensões não acontecem apenas no Brasil.

E como o cenário internacional também influencia essa disputa?

A candidatura do Flávio Bolsonaro está muito associada ao governo Trump, e os conflitos recentes entre Donald Trump e o papa Leão XIV podem produzir efeitos também entre os católicos brasileiros. Isso ficou evidente porque lideranças conservadoras que normalmente apoiam Trump, como Eros Biondini e o padre Paulo Ricardo, fizeram críticas quando os ataques passaram a atingir diretamente o papa. Em outros temas internacionais houve silêncio, mas, quando o conflito envolveu a liderança da Igreja, houve reação. Nos EUA, existe um setor católico importante dentro do movimento MAGA. Só que, depois desses conflitos com o papa, já começam a aparecer sinais de dispersão desse campo. Não por acaso, o vice-presidente J.D. Vance, que se converteu ao catolicismo, lançou um livro narrando sua conversão e tem feito acenos explícitos a esse eleitorado.

A carta dos Católicos do PT defende o Estado laico, algo que não apareceu na carta dos evangélicos. Por quê?

Acho que fica muito mais fácil para os católicos defenderem o Estado laico porque eles já ocuparam historicamente diversas esferas do Estado. Não existe contradição entre ser religioso e defender o Estado laico. Mas, institucionalmente, faz diferença já ter experimentado esse lugar. A pergunta mais importante é: o que significa, na prática, um Estado laico? Porque, muitas vezes, ele aparece como um consenso, mas raramente se explica como se efetiva.

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 05/07/2026 - 11:30h

Conhecimento horizontal e conhecimento vertical

Por Honório de Medeiros

Foto ilustrativa captada pelo autor da crônica

Foto ilustrativa captada pelo autor da crônica

Visitei Antônio Gomes na Serra das Almas.

Ficamos de conversa vai, conversa vem, temperada com café e nacos de rapadura enquanto D. Ciça preparava a galinha com fava verde e Raimundo colhia umas cajaranas para o suco.

“Tá escrevendo alguma coisa”, perguntou ele.

“Não, ninguém mais se interessa por leitura”.

“Eu acho que você está enganado”.

“Como assim?”, perguntei.

“Antes de responder, vamos ampliar o sentido de Ler para o de Conhecer. Talvez seja verdade que não se leia hoje como se lia antigamente, não se sabe ao certo porque envolve estatísticas improváveis”. “Entretanto, nunca se conheceu tanto quanto se conhece hoje em dia”. Há o conhecimento que cresce horizontalmente, e aquele que cresce verticalmente”; um é raso, o outro, profundo”.

Acrescentou: “hoje em dia, qualquer matuto de pé de serra sabe muito mais acerca das coisas que seus antepassados do século passado, mesmo que seu conhecimento seja horizontalizado”.

Ele fez uma pausa, olhou para o imenso céu azul, quase despido de nuvens à sua frente, e rematou: “ainda por cima, à força de ouvir rádio, ver televisão, e ter sua atenção abduzida pelo celular, sua capacidade de raciocínio, quer queira, quer não, está sendo provocada, instigada, acelerada, e seu conhecimento está crescendo exponencialmente”.

É assim que acontece quando vou lá. Ele provoca e, depois, sigo estrada afora, convicto que meu conhecimento cresceu, não sei se horizontal ou verticalmente…

Quinta da Aroeira, 2 de julho de 2026.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e Governo do RN

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Categoria(s): Crônica
domingo - 05/07/2026 - 11:02h

Solilóquio

Por Bruno Ernesto

Foto de autoria do autor da crônica

Foto de autoria do autor da crônica

Andar por uma galeria de arte, museu ou espaço cultural pode revelar muito mais sobre os seus frequentadores, do que as próprias obras.

Chamamos de expografia o conjunto de técnicas para compor a cenografia, dispor as obras e guiar os visitantes.

O mínimo de informações sobre uma determinada obra, um determinado artista, ou mesmo sobre um movimento, já é um bom ponto de partida para aproveitar algumas exposições, mas isso não é essencial. O essencial é você aproveitar a visita para se recompor mentalmente.

Aliás, se uma obra parece não transmitir muita coisa, ou não lhe instiga em nada no momento, sugiro que observe os frequentadores.

Olhe ao redor. Olhe de longe; veja o grupo de crianças no final do corredor observando um frequentador solitário fotografando.

Observe os casais; a mulher que aparenta estar num intervalo de uma reunião importante e não quis deixar de visitar a galeria nesse dia, embora não desgrude o telefone do ouvido.

Pare um pouco e perceba que um jovem com os cabelos desgrenhados observa detidamente uma carta de Frida Kahlo a Diego Rivera e depois toma nota.

Observe os funcionários e pessoal de apoio do museu; observe tudo.

Arte sem o observador não existe.

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 05/07/2026 - 10:20h

O “País do Inocoop” entardece…

Por Marcos Araújo

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Há países que não constam em atlas nenhum. Não têm assento na ONU, não emitem passaporte, não cunham moeda. E, no entanto, são mais reais do que muitos que figuram nos mapas, porque seus cidadãos os carregam no peito a vida inteira. O meu, chama-se “País do Inocoop”. Ele está encravado num território maior (Nova Betânia), em um pequeno continente chamado Mossoró.

Começou a ser povoado no início da década de 80. Chegamos por lá em 1982, quando os meus pais Ary e Clotilde montaram um pequeno restaurante, sendo uma habitação mista (comércio e residência). Era início da minha adolescência, e o desenvolver da infância dos meus dois irmãos Odinha e Evans.

Tinha fronteiras precisas, aquele país: começava no primeiro poste do lado do poço da CAERN por uma rua projetada que se chamaria depois de Eduardo Mendes, e terminava no último poste posicionado na estrada vicinal que viria ser no presente a Av. João da Escóssia. Meu “país” tinha até governo eleito. Para seu comando, foi criada uma associação, chamada inicialmente de ASCONOBE (Associação dos moradores do Conjunto Nova Betânia), modificada depois para ASNOBE (tiraram o “CO” do “Conjunto” porque uns gaiatos começaram a dizer que a sigla era de “cornos” da Nova Betânia…). E o Presidente e o Vice – seu Álvaro Souza e Teteca (José Belarmino) – se alternavam em mandatos semi-vitalícios, reeleitos sempre à unanimidade dos votos dos eleitores.

Meu país tinha até um “hino”, escolhido por seu Luciano Pedrosa e sua esposa Dodora, cuja execução era obrigatória nos eventos sociais do conjunto. Sempre que eles estavam em uma festa, pediam que tocassem “Perfídia” (bolero composto pelo mexicano Alberto Domínguez em 1939, com versão em português adaptada por Lamartine Babo).

Tinha também sua bandeira, hasteada todo mês de junho em forma de bandeirola de papel de seda num campinho de terra onde hoje existe a praça com o mesmo nome, sendo ali o palco para as festas juninas e os encontros das famílias. Era uma concentração enorme de gente feliz (e bêbada!).

E tinha, sobretudo, povo — porque país nenhum se faz de território; faz-se de gente. Na nossa rua, contando da casa do início, havia Rui Vieira e dona Francisca; o médico Antonio Martins e Fátima; Rodovalho e Conceição; Raimundo Negreiros e Iridea; seu Gilson e dona Irene; caldas Neto e Fátima; Chico da Marpen e esposa; Dona Hélia; Lucinha Gurgel e Bonifácio; os irmãos Tito e Pereira, que viria a casar com Clarissa. Na primeira rua transversal, havia Marlene e Assis Neto; Raimundo e Lúcia; Conceição e Edinardo Jales. Lembro os confinantes dos fundos: Maiza, minha irmã; dona Letinha e esposo; Marconi Amorim e Ângela; José Carlos Barbosa e Dra. Flor de Maria; a Professora Lurdes e filhos; Assis Alves e Graça; Paulo Gameleira e Laurinha; o casal dono da loja Casa dos Parafusos…

Nas ruas adjacentes, residiam Ermano Gameleira e Elisabeth; Canindé Alves e Ivanilda Linhares; Damião e Leomar; Chicozinho, Getúlio e suas irmãs; Gerôncio e Andrea; Sinval e Graça; Dr. Ezequiel e sua irmã; Geraldo Pires e família…Pelas bandas do que hoje é uma praça, formava um quadrilátero de pessoas especiais: Zé Ilo e Lúcia; seu Álvaro e dona Lurdes; Dr. Hugo Brasil e Netinha; Amaral e Fátima; Chibanca e dona Lourdes; Amaury e esposa; Tarcísio e dona Noilde; Teteca e dona Selma; Ladislau e esposa; Dr. Joel de Souza Neto e Fátima; Queiroz advogado e Fátima; dona Salete Fernandes; Padre Américo; Júnior Rego e Cacilda; Elder Heronildes e Zélia. Era a chancelaria do nosso país.

Na zona limítrofe da nação inocopeana, vinha as casas de Domício Couto e dona Isa; Inácio Silveira e dona Assunção; Costa e Ione; Hilton e Nevinha Gurgel; Ferrer e dona Deisinha; dona Chiquita e seu Afonso; Profs. Cristóvão e dona Graça; Emanuel e esposa; Dr. Dauri e Tereza; Lobato vereador e dona Francinete; Getúlio Vale e Regina, entre outros.

Era gente que hoje me parece ter sido posta ali por um romancista caprichoso. Era uma comunidade de afeto e bem-querer. Os vizinhos se ajudavam reciprocamente. Claro que numa diversidade dessas, qualidades e defeitos são inatos a todos os tipos humanos.  Um “país” se forma com vizinhos que sejam: risonhos, alegres, carrancudos, briguentos, bem-humorado(a), intelectual, bom profissional, fofoqueiro(a), prestativo(a), indiferente, e por ai vai. No entanto, eram todos eles almas boas e generosos de coração. Gente que me ensinou a pedagogia do afeto. Os pais dos meus amigos, que eram um pouco pais de todos nós, numa época em que educar era tarefa da rua inteira. No País do Inocoop, criança tinha muitas casas e nenhuma porta fechada.

Fui adolescente naquele país como Carlinhos foi menino no engenho de José Lins do Rego: moldado pela geografia miúda do lugar, pelo cascalho e pedras das ruas de barro; pelos chamboques arrancados dos dedos jogando no campo onde hoje é a praça; nas lamas nas costas no período de inverno, quando vinha de bicicleta rompendo o matagal e as vielas periféricas que davam acesso ao Inocoop. Casimiro de Abreu, que decorei no grupo escolar, já tinha escrito por nós: “Oh! que saudades que tenho da aurora da minha vida”. A aurora da minha vida tinha CEP, e ele ficava no Inocoop.

Contudo, os países envelhecem junto com seus fundadores. E há semanas, como esta que se finaliza (graças a Deus!), em que a notícia atravessa a cidade e vem me encontrar: partiu para o céu mais um morador daquele tempo. Um não, desta vez, foram três. Em uma só semana, choramos a partida de Elder Heronildes, dona Selma Carneiro e Nevinha Gurgel. Três em quatro dias. E cada partida dessas não leva apenas uma pessoa; leva um pedaço do território. Porque aqueles vizinhos eram os marcos da nossa cartografia sentimental: a esquina de Dr. Elder só era esquina porque ele estava nela; a calçada de Dona Selma só era ponto de encontro porque ela vinha sentar-se ali no fim da tarde; a rua de Dª. Nevinha era frequentada pelos eu riso. Quando essas pessoas morrem, o mapa perde referências, e a gente passa a se orientar por lembranças.

Drummond, itabirano incurável, olhava a cidade natal reduzida a um retrato na parede e concluía, em três palavras que valem uma literatura inteira: “Mas como dói!”. Dói assim o País do Inocoop entardecendo. Câmara Cascudo, nosso vizinho de província, gostava de se dizer “provinciano incurável” — e eu entendo cada vez melhor: não se emigra do primeiro país. Gaston Bachelard sustentava que a casa natal fica fisicamente inscrita em nós, nos gestos, no modo de subir uma escada no escuro. Pois digo que o bairro natal também: até hoje meus pés conhecem de cor os desníveis daquelas calçadas.

Penso em Macondo, a aldeia de García Márquez, que só existiu de verdade quando virou memória contada. Talvez seja esse o destino dos países da infância: seu território definitivo é a lembrança, e seus habitantes vão, um a um, mudando de endereço — da rua para a saudade. Guimarães Rosa, porém, deixou dito o que prefiro acreditar: “As pessoas não morrem, ficam encantadas”. Os moradores do País do Inocoop não partiram; foram promovidos a fundadores eternos, patronos das nossas esquinas, nomes que doravante pronunciaremos como quem pronuncia rua de cidade histórica.

Minha fé me ensina que há um tempo de nascer e um tempo de morrer, e que nenhuma despedida é definitiva para quem espera a manhã da ressurreição. Por isso não escrevo esta crônica como quem lavra um atestado de óbito do meu país, mas como quem renova seu passaporte. O País do Inocoop entardece, é verdade, mas entardecer não é acabar. Acredito piamente que Evans, meu irmão, seus amigos Belarmino, Iuri, Wendell, Dimitri e Winglio, e os seus amigos contemporâneos, reconstruirão uma nova nação.

Pois puxemos as cadeiras da memória. Enquanto um de nós, meninos daquele tempo, contar essas histórias aos filhos e netos, o País do Inocoop terá população, território e soberania. E os que partiram esta semana não serão cidadãos a menos: serão, para sempre, os moradores ilustres de um país que não entrega suas fronteiras à morte.

Marcos Araújo é cidadão nato do País do Inocoop

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domingo - 05/07/2026 - 09:40h

Plano de saúde funerário

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Estamos partindo. Uma partida para nunca mais. Não há nisso nenhuma novidade, eu sei. Sempre foi dessa maneira. E dessa forma continuará por tempos infindos. Ultimamente, porém, tenho a sensação de que a Moça da Foice nos ronda mais acintosamente. Nos últimos meses (ou há poucos anos) a Indesejada já levou embora um monte de pessoas as quais desconhecemos, como também aquelas com relevante destaque na sociedade e outras bem próximas de nós: amigos, familiares, vizinhos. É muita gente fazendo a “extrema curva do caminho extremo”, como naquele soneto de Olavo Bilac.

Este verso é o mais perfeito eufemismo que conheço para denominar o fim peremptório, irremediável. Não posso negar que tenho pensado com certa frequência nessa passagem para a outra dimensão, acaso exista uma outra dimensão.

Volta e meia topamos com a notícia de que fulano ou fulana morreu. Aí me ocorre esta inevitável e íntima pergunta: “Quanto tempo será que ainda me resta?” Ou algo desse tipo: “Quando chegará minha hora?” Refletimos sobre nossa idade e, a depender da soma dos anos, recordamos aqueles cidadãos que se foram mais cedo, jovens ainda. Olho para mim mesmo e verifico que sou um indivíduo de meia-idade. Tenho mais passado que futuro. Mas não sinto medo da morte. O que deveras me assusta é morrer. Aqui me refiro àquele tipo de passamento longo e sofrido. Todavia tenho receio de ser pego de surpresa. Um mal súbito pode acometer este escriba.

Considero chato, por exemplo, bater as botas e deixar tanta coisa desorganizada. Olho novamente para meu caso e certos detalhes me vêm à cabeça. Moro só há quase duas décadas e imagino o transtorno de ser encontrado mortinho da silva apenas após alguns dias. Quando enfim entrarem aqui (deixei cópias das chaves com uma vizinha) possivelmente estarei sem camisa, a barriga saliente à mostra, a casa um tanto bagunçada, calçados e roupas largados em lugares impróprios. É mais ou menos assim. Tenho, por mais tolo que isto pareça, certos pudores de como venham a topar com meu cadáver. Possuo um temor enorme de ser encontrado no banheiro, inteira e lastimavelmente nu. Quem sabe até fulminado por um infarto.

Agora me vem à memória o seguinte: uma de minhas irmãs contratou e me incluiu em um plano funerário. À época, desconfortável com essa providência, senti a desagradável sensação de que estavam apressando as coisas. De repente, embora gozando de saúde, um arrepio percorreu a minha espinha. Não posso negar a importância de um serviço dessa natureza. “Viver é muito perigoso”, como escreveu (em Grande Sertão: Veredas) o escritor mineiro Guimarães Rosa. Essa ideia de plano funerário pode representar uma espécie de aceno, algo como se a gente dissesse ao além-túmulo: “Ei, estou aqui! Pode vir. Estou pronto!” Eis o meu desconforto com a proposta de um plano funerário. Poderíamos ao menos chamar de outra forma, como “plano de saúde funerário”. Desse modo, a meu ver, seria uma coisa mais discreta.

Tudo bem, podem dizer que isso é tolice, que não se pode enganar a morte e todo mundo nasce com o destino traçado. Devo concordar. Até hoje ninguém comemorou aniversário de cento e cinquenta ou duzentos anos. De igual modo nenhum sujeito que partiu nunca entrou em contato com os vivos para explicar de fato como é o processo. Dizem que o Nazareno está voltando. Vamos esperar.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 05/07/2026 - 08:14h
Na 2ª Guerra

Por amor e por uma causa

A história de Raymond e Lucie Aubrac revela união do casal e o fervor comum pela liberdade

Da página História Perdida e outras fontes

Raymond Aubrac e Lucie Aubrac; uma história incrível (Fotomontagem: reprodução)

Raymond Aubrac e Lucie Aubrac; uma história incrível (Fotomontagem: reprodução)

Em 1943, a Gestapo finalmente conseguiu prender Raymond Aubrac (1914-2012), um dos principais líderes da Resistência Francesa. Torturado e condenado à morte, tudo indicava que seus dias estavam contados.

A quilômetros dali, sua esposa, Lucie Aubrac (1912-2007), estava grávida de seis meses. Ela poderia ter escolhido fugir, esconder-se ou esperar por um milagre.

Escolheu lutar.

Quando a Alemanha invadiu a França em 1940, Lucie era professora de história e Raymond, um engenheiro civil de origem judaica. Eles se recusaram a aceitar a capitulação francesa e adotaram o sobrenome Aubrac como codinome de guerra para proteger suas famílias — identidade que decidiram manter oficialmente após o conflito.

Eles operaram principalmente na região de Lyon, no sul da França, e integraram o movimento Libération-Sud (Libertação-Sul).

De volta história: sabendo que não conseguiria libertar o marido pela força, Lucie elaborou um plano ousado. Munida de documentos falsos e de uma história cuidadosamente preparada, apresentou-se diante de Klaus Barbie, o temido chefe da Gestapo em Lyon, um homem responsável por torturas e assassinatos que mais tarde ficaria conhecido como o “Carniceiro de Lyon”.

Com uma serenidade impressionante, convenceu Barbie a permitir que visitasse Raymond pela última vez antes da execução.

Mas aquela visita nunca foi uma despedida.

Enquanto conversava com o marido na prisão, Lucie observou cada detalhe. Contou os guardas, memorizou a rotina da prisão, estudou os horários das patrulhas e descobriu o trajeto que seria percorrido pelo caminhão que transportaria os prisioneiros.

Ela saiu dali levando muito mais do que esperança.

Levava um plano.

Durante semanas, reuniu integrantes da Resistência, distribuiu tarefas, escolheu o local ideal para uma emboscada e preparou cada etapa da operação.

No dia 21 de outubro de 1943, o caminhão que levava Raymond e outros 13 prisioneiros deixou Lyon em direção à prisão de Montluc.

Os soldados alemães não imaginavam que estavam entrando em uma armadilha.

Quando o veículo chegou ao ponto escolhido, combatentes da Resistência abriram fogo. O ataque foi rápido, preciso e devastador. Em poucos minutos, os guardas foram dominados e Raymond Aubrac, junto com com os demais prisioneiros, recuperou a liberdade.

A mente por trás de toda aquela operação era uma mulher grávida de seis meses.

Depois da fuga, Lucie e Raymond precisaram viver escondidos. Mesmo perseguidos pelas forças alemãs, conseguiram escapar da captura, abrigando-se em Londres. Pouco tempo depois, Lucie deu à luz sua filha em um abrigo clandestino, enquanto a guerra ainda assolava a França.

Com o fim do conflito, o casal não buscou fama nem vingança.

Raymond e Lucie retomaram à rotina de vida, de sobrevivência digna e à preservação da memória da Resistência, fazendo questão de lembrar o papel fundamental desempenhado pelas mulheres e homens que não aceitavam a opressão e a capitulação.

Membros da Resistência Francesa (FFI) patrulhando as ruas durante os combates de libertação (Fonte - El Pais in English)

Membros da Resistência Francesa (FFI) patrulhando as ruas durante os combates de libertação (Fonte – El Pais in English)

Os dois permaneceram juntos por toda a vida, criaram seus filhos e continuaram compartilhando sua história com as novas gerações.

Anos depois, perguntaram a Lucie o que a levou a desafiar a Gestapo e arriscar tudo para salvar Raymond.

Ela respondeu com a simplicidade de quem nunca se considerou uma heroína:

“Era meu marido. O que mais eu poderia fazer?”

Lucie Aubrac morreu em 2007. Raymond faleceu em 2012.

Eles deixaram um legado que vai muito além da guerra.

Provaram que, mesmo diante de um dos regimes mais cruéis da história, a coragem pode nascer do amor.

Fontes:

Ils partiront dans l’ivresse

Musée de la Résistance Nationale

Nota do BCS – O filme Lucie Aubrac (1997), dirigido por Claude Berri, é um longa que reconstrói minuciosamente a vida do casal em Lyon, a prisão de Raymond por Klaus Barbie e o plano detalhado de Lucie para metralhar a van da Gestapo e libertar o marido. O roteiro foi baseado no livro de memórias escrito pela própria Lucie (Ils partiront dans l’ivresse – “Eles partirão na embriaguez”).

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Categoria(s): O que não está na história
domingo - 05/07/2026 - 07:04h

A avenida Presidente Dutra

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Numa madrugada do último mês de junho, pelas três horas, com sono, e sentindo um tiquinho de frio, levantei-me para ir buscar a minha filha na Estação das Artes, em Mossoró. Ela está no vigor da mocidade e gosta de curtir as festividades juninas que acontecessem.

Então, lá fui eu. Tirei o carro da garagem, atento a qualquer movimento suspeito. Com redobrada cautela, conduzi o veículo pela avenida presidente Dutra, apesar de achar que àquela altura da madrugada as ruas estivessem vazias, sem um pingo de gente.

Sabe de nada, inocente! Havia várias pessoas subindo o grande alto de São Manoel, a pé, retornando das festas. Eram grupos de amigos e amigas, talvez, casais enamorados. Confesso que fiquei surpreso, pois pensava que, diante da insegurança na qual vivemos, as pessoas não cultivavam mais esse costume, e utilizassem o serviço de Uber; eu sei, eu sei, o dinheiro é contado e, na maioria das vezes, só dá mesmo pra tomar umas.

Lembro que na década de oitenta, quando se curtiam as noites da cidade, era comum as pessoas voltarem caminhando, depois dos grandes showmícios, das festas no posto Imperial ou de outros clubes. Cansei de ver inúmeras pessoas voltando para as suas casas, no frescor da madrugada.

Recordo-me que as carreatas/passeatas se concentravam na churrascaria O Laçador, para só depois desceram o grande alto. Várias vezes fiz esse percurso ao lado de amigos, não raro, tomávamos porres de “juntar menino”. Somente anos depois as carreatas das campanhas eleitorais e as comemorações da vitória de um time de futebol começaram a se concentrar no posto de “ceguinho”.

Na época da minha mocidade não existia o famoso Sebosão, nem as conveniências, como hoje em dia. Após as festas, íamos comer na lanchonete de Zecão, que se localizava próximo a uma das pontes, e a resenha dos jovens “boêmios” se estendia pela madrugada.

Por isso, enquanto eu descia a avenida Presidente Dutra naquela madrugada insone, e vi a galera voltando para as suas casas, viajei no tempo; lembrei, com um sorriso, do junho da minha vida. Foi um tempo danado de bom.

Odemirton Filho é oficial de justiça

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sábado - 04/07/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“As boas pessoas merecem nosso amor; as pessoas ruins, precisam dele.”

Madre Tereza de Calcutá

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Categoria(s): Pensando bem...
sábado - 04/07/2026 - 08:38h
Saúde

Sobrevivente eu sou

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Virose, gripe, como queira. Não importa. Estou há 27 dias torturantes tomado por fadiga/prostração, coriza, falta de apetite etc.

Febre e dor de cabeça foram mínimas; tosses surgiram com maior incidência. Quando penso que estou me desgarrando disso, ledo engano.

Trabalhar e exercitar o físico de canário belga e canelas de talo de coentro não têm sido fácil. Mas espero entrar a nova semana melhor.

Como diria Dona Maura, minha Santa Mãezinha: “Que os anjos da boca mole digam amém.”

Amém.

Sobrevivente eu sou.

Saúde!

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sábado - 04/07/2026 - 07:32h
Catedral de Santa Luzia

Missa de 7º Dia de Herbert Oliveira Mota

Reprodução do BCS

Reprodução do BCS

Será amanhã, domingo (05), a Missa de 7º Dia em lembrança do advogado e músico Herbert Oliveira Mota, 64, falecido segunda-feira última.

O ato litúrgico acontecerá na Catedral de Santa Luzia, Centro de Mossoró, às 9 horas.

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Categoria(s): Gerais
sábado - 04/07/2026 - 06:30h
Legislação

Período de “defeso eleitoral” começa neste sábado

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

A partir deste sábado (4) entra em vigor o chamado período de “defeso eleitoral,” que estabelece restrições à publicidade institucional e à comunicação de órgãos públicos em todo o país. A medida segue a legislação eleitoral e tem como objetivo evitar o uso da máquina pública para promoção de candidatos, partidos ou da gestão em exercício.

Durante esse período, que segue até 25 de outubro, a comunicação oficial do Ministério das Comunicações e de demais órgãos da administração pública federal ficará limitada à divulgação de serviços essenciais, informações de utilidade pública, orientações ao cidadão e comunicados de emergência ou situações de calamidade.

Com isso, conteúdos de caráter institucional, como notícias sobre obras, programas, ações e resultados do governo, não poderão ser amplamente divulgados como forma de comunicação ativa. A medida busca impedir que esse tipo de conteúdo seja utilizado como propaganda indireta em período eleitoral.

Os serviços públicos, no entanto, continuam funcionando normalmente. Programas relacionados à conectividade, expansão de infraestrutura de telecomunicações, inclusão digital, radiodifusão e políticas de internet seguem em execução, sem alterações operacionais.

Equilíbrio 

De acordo com orientações da Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal, sites de ministérios, autarquias e demais órgãos passarão por adequações durante o período. Nesse contexto, notícias e reportagens serão removidas, permanecendo apenas conteúdos técnicos, como editais, legislação, dados oficiais e informações de atendimento ao cidadão.

O objetivo do defeso eleitoral é garantir equilíbrio na disputa eleitoral, assegurando que a comunicação institucional não influencie o processo político em andamento.

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Categoria(s): Política
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sábado - 04/07/2026 - 03:40h
RN e Mossoró

ACJUS fará VI edição sobre “Caminhos para o Desenvolvimento”

Convite (Cópia)

Convite (Cópia)

A direção da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS) promoverá a VI Edição do “Fórum de Debates Pensando o RN, Pensando Mossoró: Caminhos para o Desenvolvimento.”

Será dia 17 de julho na Casa da Indústria de Mossoró (Av. João da Escóssia, 3373, Nova Betânia, Mossoró), às 19 horas.

O painel contará com esses participantes:

Dr. Vilmar Pereira – 1° Vice-Presidente da Federação das Indústrias do Estado do RN – FIERN (Orador de Abertura)

Prof.ª. Dra. Cicília Raquel Maia Leite – Magnífica Reitora da Universidade do Estado do RN (UERN) e Acadêmica da ACJUS

Dr. Gustavo Coelho – Secretário de Estado da Infraestrutura do RN

Nota do BCS – Obrigado pelo convite. Estando na cidade à essa data, com certeza a gente espera participar do evento em epígrafe.

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Categoria(s): Cultura / Economia
sexta-feira - 03/07/2026 - 23:48h

Pensando bem…

“Sozinha com meus pensamentos, ainda existe liberdade.”

Suzanne Spaak

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Categoria(s): Pensando bem...
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 03/07/2026 - 23:38h
Futebol

Uma Copa do Mundo que surpreende

Argentina 3 X 2 Cabo Verde: jogão (Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP)

Argentina 3 X 2 Cabo Verde: jogão (Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP)

A Copa do Mundo 2026 em curso simultaneamente em três países – EUA, México e Canadá -, talvez seja a melhor edição das últimas décadas. Surpreende-me.

Antes da bola rolar, estimava que fosse uma competição sofrível e sem maiores surpresas, sobretudo pela quantidade inédita de seleções: 48. Meu plano era ver um ou outro jogo, para não perder muito tempo.

Mas estou indo bem além.

Tivemos vários jogos empolgantes e diversas surpresas, como a estreante Cabo Verde, que nessa noite foi eliminada na prorrogação pela tradicional e atual campeã Argentina, que sofreu para se sobressair no placar: 3 X 2.

O novo estágio que marca o início dos duelos eliminatórios entre as seleções classificadas, na fase de grupos, denominado de “16 avos de final”, com certeza é um grande diferencial. Torna cada jogo uma decisão à parte. Não tem faltado fortes emoções.

Pipoca e guaraná prontos. Vamos ao próximo duelo.

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Categoria(s): Crônica / Esporte
sexta-feira - 03/07/2026 - 22:50h
Mossoró

Sábado tem boas atrações no Banco do Nordeste Cultural

Congos tem um trabalho ligado à cultura africana (Reprodução)

Congos tem um trabalho ligado à cultura africana (Reprodução)

A programação do Banco do Nordeste Cultural Mossoró deste sábado (04) ocupa o espaço Cafezal Café & Bistrô, na Av. Rio Branco, Centro. Às 18h30 tem apresentação do grupo folclórico Congos de Combate, de São Gonçalo do Amarante.

Guardião da manifestação de matriz afro-brasileira, transmitida entre gerações como expressão de memória, identidade e resistência cultural, com raízes no século XVII, o grupo é referência no Rio Grande do Norte. A apresentação reúne música, dança, teatro popular, canto e ritualidade.

Artistas pretas

A “Roda de conversa com artistas pretas” completa a programação. Lenilda Santos, Tony Silva, Marcia Silva e Ligia Kiss compartilham suas trajetórias, vivências, desafios e conquistas, promovendo um diálogo sobre identidade, representatividade, resistência e transformação social por meio da arte.

A atividade será aberta à participação do público, com espaço para perguntas, troca de experiências e construção coletiva de reflexões sobre igualdade racial, cultura e protagonismo feminino negro no contexto sociocultural de Mossoró.

Teatro Lauro Monte Filho

No Teatro Lauro Monte Filho, às 16h30, tem apresentação da Companhia Palhaça-Ria, de Ceará-Mirim. No espetáculo “2050 Mundo Plástico”, Zé Pescador sai para sua pesca matinal e, em vez de um peixe se debatendo, fisga um peixe de plástico. Surpreso, ele descobre que está no futuro, num aterrorizante mundo dominado pelo Senhor Plástico.

Como único sobrevivente da raça humana, Zé Pescador vai precisar da ajuda das crianças para virar o jogo. O debate sobre sustentabilidade e preservação ambiental traz uma reflexão lúdica sobre o futuro da Terra para a plateia.

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Categoria(s): Cultura
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sexta-feira - 03/07/2026 - 21:28h
Aqui, ó!

Lula mostra dedo “maior de todos” em evento no Planalto

Lula empina o dedo em pleno Planalto (Foto: Cristiano Mariz/ O GLOBO)

Lula empina o dedo em pleno Planalto (Foto: Cristiano Mariz/ O GLOBO)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou o dedo do meio (médio, o “maior de todos”) nesta sexta-feira (03) durante um discurso em uma cerimônia oficial no Palácio do Planalto. O petista fez o gesto ao defender a ampliação do acesso à população de baixa renda a tratamentos de qualidade disponíveis para pessoas de maior poder aquisitivo.

— Precisamos acabar com essa ideia de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles (mostrando o dedo). Nós gostamos de coisa boa, queremos tudo de primeira — declarou.

Na cerimônia do Planalto, o governo anunciou entregas e investimentos nas áreas de saúde, educação e habitação em diferentes estados.

O evento encerra uma semana de agendas do petista às vésperas do início das restrições do calendário eleitoral, que passam a valer neste sábado, quando faltam três meses para o primeiro turno das eleições de outubro.

Nota do BCS – No livro “Do golpe ao Planalto” (Companhia das Letras, 2006), do jornalista Ricardo Kotscho, que foi secretário de Comunicação de Lula, além de ser seu amigo, ele narra diversos episódios dos bastidores com o petista, em que grosserias, palavrões e outras expressões chulas seriam comuns. Daí, bastidores, ao ambiente oficial e público, tal comportamento é injustificável. Como cunhou José Sarney, é preciso zelo à “liturgia do cargo.”

Com informações de O Globo.

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Categoria(s): Política
sexta-feira - 03/07/2026 - 10:30h
Luto

Morre em Natal a ex-reitora da Uern Maria das Neves Gurgel

Nevinha foi reitora da Uern entre os anos de (Foto: Reprodução do Relembrando Mossoró)

Nevinha foi reitora da Uern entre os anos de 1993 e 1997 (Foto: Reprodução do Relembrando Mossoró)

Residente em Natal, a ex-reitora da Universidade do Estado do RN (UERN) Maria das Neves Gurgel (Nevinha Gurgel), 79, faleceu nesta sexta-feira (03), na capital do estado.

Ela estava internada tratando de complicações recorrentes da idade e de comorbidades.

Nevinha ingressou na Uern (então denominada Furrn) em 1971, no Departamento de Educação. Na instituição, ela foi pró-reitora de Graduação, vice-reitora e reitora entre 1993 e 1997.

Velório e sepultamento

O velório e sepultamento serão em Natal. Detalharemos nesta mesma postagem, com atualização de informações.

Nota do BCS – Descanse em paz, professora.

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Categoria(s): Gerais
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sexta-feira - 03/07/2026 - 09:00h
Mossoró

Missa de 30º Dia de Falecimento de Anchiêta Alves

Convite missa (Reprodução)

Convite missa (Reprodução)

Será amanhã (sábado, 04), a Missa de 30º Dia de Falecimento do professor, bancário aposentado do Banco do Nordeste do Brasil e ex-secretário municipal de Educação de Mossoró José Anchiêta Alves Lopes.

A liturgia religiosa ocorrerá às 17 horas na Igreja Matriz de São Paulo, bairro Nova Betênia, Mossoró.

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Categoria(s): Gerais
sexta-feira - 03/07/2026 - 08:24h
RN

As águas do rio São Francisco chegaram

Dia passado, na entrega do Túnel Major Sales em Luís Gomes (veja AQUI), trecho do Ramal Apodi da transposição do rio São Francisco, o presidente Lula da Silva (PT) segurou a irritação. Esperava entregar a obra com as águas ocupando o empreendimento, mas um erro de cálculo não permitiu que houvesse esse fluxo pelo túnel com sua presença.

Mas ele encontrou um “atalho” à frustração: entregou a tarefa de lhe comunicar sobre a chegada das águas ao prefeito de Luís Gomes, Carlos Augusto de Paiva (Tututa). E assim foi feito: “Missão dada, missão cumprida”, proclamou Tututa ao lado da prefeita de Major Sales, Maria Elce, à noite dessa quinta-feira (02).

🎥 @tututalg

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 03/07/2026 - 04:00h
Deficiência

Indústria farmacêutica brasileira precisa tomar remédio

Arte ilustrativa com recursos de IA

Arte ilustrativa com recursos de IA

The News para o BCS

Até maio deste ano, o valor das importações de medicamentos para o Brasil cresceu 14% em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado não está isolado…

Nos últimos 3 anos, o Brasil registrou crescimento anual de dois dígitos na compra de remédios estrangeiros — algo que nos últimos 15 anos só tinha acontecido em 2021, em meio à pandemia.

Mas por que isso está acontecendo? Basicamente, para entender esse aumento, podemos dividir a situação em duas frentes.

Oferta: O oferecimento de remédios pelo Estado e o envelhecimento da população aumentam a demanda por remédios no país. A população com 40 anos ou mais passou de 37% em 2021 para 43,9% no 1tri deste ano.

Demanda: O Brasil não tem estrutura e tecnologia suficientes para suprir a procura nacional. A situação ficou ainda mais complicada depois da pandemia, já que muitos países cresceram nesse setor enquanto a indústria brasileira continuou para trás.

Um exemplo dessa deficiência está nos cinco medicamentos mais vendidos nacionalmente. Entre eles, apenas um é produzido no Brasil: o Glifage XR — um medicamento para diabetes.

Esse cenário gera um déficit na balança comercial de remédios, que em 2025 atingiu US$ 13 bilhões. Apesar do resultado negativo, a alta demanda ainda é uma oportunidade para o Brasil conseguir desenvolver sua indústria farmacêutica.

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Categoria(s): Saúde
quinta-feira - 02/07/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“O distanciamento é a única resposta diante da falta de respeito. Não reaja, não discuta, não tente provar seu valor para quem escolheu não enxergar.”

Patrick Nilo

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