O importante é vencer, uma lição de Aluízio Alves

Toinho: vitória apertada (Foto: arquivo)

O pleito municipal de 1968 em Mossoró foi emblemático. Lá se vão quase 51 anos. Quem viveu essa disputa testemunhou (participou) da mais renhida campanha municipal mossoroense de todos os tempos.

Foi vencida pelo ex-prefeito Antônio Rodrigues de Carvalho, com apoio decisivo do ex-governador Aluízio Alves. Maioria de apenas 98 votos sobre o adversário.

A vitória de “Toinho do Capim” (Antônio Rodrigues) foi comandada nas últimas 72 horas pelo ex-governador Aluízio Alves, que fez mais de 170 comícios-relâmpagos, com vitória tida até então como improvável sobre “O Touro” (Vingt-un Rosado), irmão do deputado federal Vingt Rosado.

“As senadoras”

O líder aluizista enfrentou e contrariou grupo de aliados locais na escolha de Toinho, que tinha sido eleito prefeito pela primeira vez em 5 de janeiro de 1958, com legenda do PTB.  Ala influente conhecida como “as senadoras” desejava que o médico Cid Duarte, filho do senador Duarte Filho, fosse o nome oposicionista à prefeitura na sucessão do prefeito rosadista Raimundo Soares de Souza.

– O candidato vai ser Toinho – sentenciou Alves, enfrentando também a contrariedade de Duarte Filho. Ignorava o passado rosadista do seu preferido.

Entre correligionários algumas vozes retrucaram, mesmo assim, lançando um presságio a fim de dissuadi-lo da decisão.

– “Ele vai nos trair depois” – pregavam.

“Eu não gosto de perder, mesmo que seja para Toinho nos trair no dia seguinte”, afirmou Aluízio Alves em uma das tensas reuniões à escolha do candidato.

Em artigo assinado no dia 26 de abril de 1999, no jornal Tribuna do Norte, Aluízio denominou a jornada para fazer Toinho do Capim prefeito, como “A mais bela campanha” de que participara. Uma plaquete foi publicada pela Coleção Mossoroense com esse texto, sob edição do próprio derrotado à época – professor Vingt-un Rosado.

De fato, Toinho venceu. Com a cassação de Aluízio Alves pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5) no dia 7 de fevereiro de 1969, o prefeito eleito passou a se esquivar do líder de sua campanha vitoriosa.

Antônio Rodrigues faleceu em 3 de dezembro de 2009, em Natal, em face de complicações cardíacas e renais. Aluízio em 6 de maio de 2006, de isquemia cerebral, aos 85 anos, também em Natal.

Vitória apertada em 1968

– Antônio Rodrigues (MDB) – 11.132 votos;
– Vingt-un Rosado (Arena) – 11.034 votos;
– Maioria – 98 votos a favor de Antônio Rodrigues.

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3 thoughts on “O importante é vencer, uma lição de Aluízio Alves”

  1. Como pesquisador de campo, ouvindo protagonistas da política potiguar nestes últimos 45 anos, tive o prazer de privar da amizade do popularíssimo Dr. Antonio Rodrigues de Carvalho. Em abordagens pormenorizadas indaguei-o a respeito da famosa “brejeira do ano de 1957” ardilosamente arquitetada pelos ROSADUS (Leia-se Vingt Rosadus) no qual entrou em cena um Tabelião Público titular DO Cartório Eleitoral, indicado pelo Deputado Vingt-Rosadus, que na última noite destinada Como prazo final para confecção de Títulos Eleitorais, “forjou” a existência de Eleitorais de eleitores inexistentes, (Eleitores fantasmas) todos residentes no então Distrito de Baraúna-RN. Prática detestável que depois se tornou corriqueira. O Dr. António Rodrigues venceu a eleição com Vitória tramada nos bastidores mediante confecção de titulos eleitorais JÁ referidos. Eis que o Dr. António Rodrigues rompeu com os ROSADUS, tendo se bandeado para o lado do Aluizismo. Em 1968, portanto 10 anos após a Brejeira montada para a Vitória de 1958, aos que os maquiavélicos e encalacrados a ressabiados António Rodrigues e Aluísio Alves caíram em Campo contando com os outros outrora votos falsificados da eleição de 1957 forjados com apoio dos ROSADUS. Resultado: Os .ROSADUS ficaram reféns da própria brejeira forjada há dez anos, portanto, em 1957. Como um dos artífices desta Engenharia política, Aluísio Alves passou 72 horas que antecederam o pleito, fazendo comícios em Baraúna e Mossoró, garantindo que venderiam com maioria em torno de mais de cem votos. Apuradas as urnas, confirmou-Se a Vitória do notavel António Rodrigues de Carvalho exatamente pelos votos forjados (Eleitores fantasmas) de Barauna-RN.

  2. Em adendo a primeira postagem. Em descontraído reencontro com o Dr. Antonio Rodrigues fiz sucinta abordagem sobre a “brejeira” dos títulos de “eleitores fantasmas” de Baraúna no ano de 1957, o Dr. ANTÔNIO apenas sorriu, certificando, assim, a validade do Comentário .n

  3. A verdade é que, pela primeira vez na história do Planeta Terra o Capim comeu o Touro. Fato, fato e fato.

    Mais: A pedido de Lulu, eu trabalhei toda a campanha como chefe da ala moça ‘As Abacateiras dos Paredões.’

    Saíamos sempre à frente da charanga de Mota. Um luxo, ora pois!

    Durante a última vigília (3 dias sem tirar de dentro) via-se claramente os cabaços das moças voando pelos ares e em todas as direções. Segundo as mesmas, era o Grand Finale.

    Me sinto-me culpado pela ‘explosão’ de alguns deles. Por outro lado, me sinto-me absolvido haja vista que as moças faziam questão que eu acendesse o pavio delas.

    Me lembro-me perfeitamente que o de Luzia ‘Rôlha de Poço’ caiu em minhas mãos enquanto Lulu fazia um CUmicio relâmpago durante a madrugada, na Baixinha. Ela disse: ‘Ou você acende o meu pavio ou eu pulo da ponte quando a vigília passar por lá.’

    Eu fiz de tudo para evitar o suicídio e a explosão. Confesso que fracassei em todas as tentativas para aborta-la (a explosão), mas juro que acendi o pavio na primeira tentativa, salvando assim a vida de Luzia. Fato, fato e fato.

    Para não machucar ninguém, optei em acender o estopim de Luzia embaixo do Caminhão da Esperança. Escuro e fedendo a graxa, poeira e gasolina. Fazer o quê?

    Mesmo assim, aconteceu uma explosão e tanto. Porém o barulho foi abafado graças a charanga de Mota.

    As vigilias do bacurau me trazem-me boas recordações.

    Ora, se me trazem-me…!!!

    Ah, se o Caminhão da Esperança falasse durante os CUmicios relâmpagos ele diria:

    – Fon! Fon! João, sai de baixo.

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