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A fraqueza e mediocridade dos que impõem o medo

Depoimento do coronel reformado do Exército, Paulo Malhães (veja AQUI “Ditadura cortava dedos e arrancava dentes de torturados“), à Comissão da Verdade, lembra Adolph Eichmann, criminoso nazista. Terrível.

Para ele, a tortura, mutilação e morte de “inimigos” do regime eram tarefas normais. Os dois são típicos funcionários públicos, que usam/usaram o “estrito cumprimento do dever” como justificativa à barbárie.

É a banalidade do mal, descrita pela filosofa judia-alemã Hannah Arendt.

O tenente-coronel Nazista Adolf Eichmann via com serenidade a tarefa de extermínio de judeus.

Malhães, da mesma forma, entende que precisava combater com rigor as ameaças ao Estado verde-oliva.

Arendt descreveu-o criminoso alemão em um livro atemporal e revolucionário: “Eichmann em Jerusalém”.

Em outro livro célebre, “A casa da Rua Garibaldi”, de Isser Harel, ex-diretor da polícia secreta de Israel – a Mossad, Eichmann é descrito como um homem medíocre.

Malhães é outro personagem dessa estirpe: obtuso, baixa capacidade cognitiva, que se orgulha de ter cumprido bem as ordens dos superiores.

Enfim, o autoritarismo é próprio dos medíocres e fracos, que impõem o medo empurrados por suas fraquezas.

Toda ditadura é suja e doentia, à esquerda e à direita, mesmo que uns ainda encontrem justificativa para as suas.

Veja também: Vítima aponta torturadores em relatório sobre a Casa da Morte de Petrópolis.