Sem nome, sem respeito, malfalada;
Com tinta no cabelo, um dente escuro.
A boca muito rubra quanto usada
No leito coletivo, atrás do muro.
O vício do cigarro e tanto nada
No olhar daquela vida sem futuro…
A cruz dentro do peito, ensanguentada,
Um feto sepultado no monturo.
A perna com platina… A tosse feia
-O busto avantajado de baleia,
A voz muito sonora, mas confusa.
Portanto, assim morreu na primavera
(Doente de si mesma e de quimera),
Na casa do meu peito, a minha musa.
Marcos Ferreira é escritor
*Extraído do livro “A hora azul do silêncio” do mesmo autor.