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Quem tem Internet vai a Roma

A Internet e suas maravilhas. A ideia de vivermos num mundo comum, com aquele conceito de “Aldeia global”, a cada dia se materializa através da rede mundial de computadores e dispositivos móveis.

Talvacy: emoção (Foto: Web)

Quem nos oferta um exemplo particularmente interessante e, bonito, é o padre Talvacy Chaves (que foi pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Mossoró). Ele vive em Roma (Itália) há alguns meses, para temporada de estudos.

De lá, acabou surpreendido pelo pai – “um homem da roça, simples” – que utilizou computador para se comunicar com áudio e imagem com o filho, a partir da bucólica cidade de Venha-ver no RN (pouco mais de 4 mil habitantes).

Veja abaixo essa experiência fascinante entre pai e filho, separados por mais de 7.400 mil quilômetros:

Acabo de viver uma das maiores emoções neste ano de 2016

Agora há pouco, estava sentado, lendo algo sobre autonomia comunicativa, quando, de repente, alguém me chama no Skype.

Quem? Papai. “Vixe como foi ligeiro, já cheguei aí em Roma”, respondeu espantado e todo feliz, com um chapéu velho na cabeça, quando me viu na tela do seu computador.

Foi a primeira vez na sua vida que, sozinho, liga o computador, entra na Internet, procura o Skype e se conecta com o seu filho que está do outro lado do mundo.

Papai, para os que não o conhecem, é um homem da roça, simples. Quando menino aprendeu apenas a ler e escrever o básico. Hoje, com seus 63 anos, vivendo no sítio, mostra o seu interesse em viver no ambiente digital, para poder se comunicar com seus filhos e, pouco a pouco, ter acesso a mais pessoas e mais fontes de informação e conhecimento.

A vida é assim, feita de emoções, de alegrias verdadeiras, aquelas que nascem dentro da gente ao sermos tocados por pequenos gestos. Por isso, sinto-me o prazer de compartilhar com vocês essa emoção inédita, que vale a pena guardar para sempre na minha memória.

Hoje, 27 de dezembro de 2016, às 18:15h, horário de Roma, 15:15h, horário do Venha-Ver.

Talvacy Chaves.

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Tudo por um fio na palma da mão

O mundo corporativo e uma modesta bodega precisam enxergar o bem e o mal do uso de smartphone e navegação em redes sociais no trabalho…

Impressionante como o tititi virtual invade o mundo laboral e, na maioria das vezes, fazendo um mal terrível. O estrago não é virtual.

Já entrei em loja de calçados em que vendedores estavam navegando em seus aparelhos, sem perceberem minha presença. Sai sem ser notado por qualquer um deles.

Hoje me deparei com situação hilariante: um rapaz com smartphone na mão, numa escada, e com outra mão ocupada por um pincel. Boquiaberto, olhos fixos no visor e com acionamento do polegar, trocava mensagens, enquanto seu trabalho ficava em segundo plano.

Rendimento Zero.

Até água demais faz mal: afoga.

No trabalho, relações pessoais, família etc. o uso excessivo dessas maquininhas cria o paradoxo da distância. Tudo tão perto, tudo tão distante.

Precisamos de antídotos para o excesso e contra a distorção de algo tão espetacular, que realmente faz desse mundo uma “aldeia global”.

Na palma da mão parece que temos o comando de tudo, mas no fundo estamos perdendo o controle sobre a própria vida.

Nos negócios, então, tudo está por um triz com um smartphone.

É nesse fino divisor que mora o perigo…

O mundo é uma aldeia global

Por Honório de Medeiros

Dia desses, estando em Martins, aproveitei uma madrugada para caminhar. Saí da “Morada dos Ventos”, no Sítio Canto, e peguei a estrada de barro que o liga à cidade.

Um pouco mais à frente dois moradores do Sítio, de cócoras, tomavam canecas de café e conversavam. Quando passei ao lado deles, e antes de cumprimentá-los, escutei um fragmento de diálogo:

– E ele comprou como?

– Foi pelo computador. Pediu na internet.

Imediatamente evoquei minha adolescência em Natal, meados da década de 70,  recém-chegado de Mossoró e maravilhado com a biblioteca de minha tia, Elza Sena, professora da Ufrn, na qual encontrara dois livros muito estranhos, tanto em relação à forma com a qual foram escritos quanto ao seu conteúdo:

“O Meio é a Mensagem”, e “A Galáxia de Gutemberg”.

Eu os li várias vezes.

Não compreendia o alcance de suas hipóteses, mas intuía que eram extremamente significativas. Nunca os esqueci.

Já cinquentão pude comprovar, pessoalmente, quão revolucionário era o pensamento do seu autor. Pois foi McLuhan, o autor dessas duas obras, escritas sob a forma de apotegmas e inseridas em um meio gráfico sofisticado e diferenciado, que pela primeira vez tratou dos meios de comunicação enquanto extensões do Homem. Não somente isso.

De sua lavra também é, entre outras, a hipótese de que em algum momento uma “rede mundial de ordenadores tornará acessível, em alguns minutos, todo o tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro.”

Estava lançado o conceito de “Aldeia Global”.

Dele decorre o ousado corolário de que com o surgimento da energia elétrica – leia-se, hoje, “internet” – as relações sociais passam, necessariamente, a ser tribalizadas, em decorrência da maior interação entre os indivíduos.

A compreensão de que os meios de comunicação são extensões de Homem ainda não foi plenamente assimilada, mesmo quando tratada à luz da Teoria da Seleção Natural. McLuhan chamava essas extensões de “próteses técnicas”.

Um computador, por exemplo, seria uma extensão do cérebro. As consequências dessa concepção constituem campo fértil para epistemologias evolucionárias.

Quanto à idéia de “Aldeia Global”,  McLuhan entende que é/será um “topos” de convergência, no qual  se permitiria, em qualquer circunstância a comunicação direta e sem barreiras. Ou seja, trocando em miúdos, a “internet”.

O mundo é/será uma imensa “Aldeia Global”, graças à possibilidade de comunicação instantânea entre seus moradores.

Esse evocar se desdobrou, enquanto eu caminhava, em uma série de conexões com leituras de outras obras, tal como “A Biblioteca de Babel”, uma metáfora acerca da Sociedade de informação, genial texto de Jorge Luis Borges, a “Teoria de Sistemas” de Ludwig von Bertalanffy, e a relação entre a “Sociologia de Marx e a Teoria da Seleção Natural”, de Darwin.

Tudo quanto torna fascinante o mundo dos livros e dos seus leitores, essa eterna tentativa de entender o que somos, e para onde vamos…

Mas essa já é uma outra história. Curioso, mesmo, é constatar o quanto anda esquecido McLuhan.

Honório de  Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN