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A vida como ela é

Por Honório de Medeiros 

Reflexo, na água, do Templo Expiatório da Sagrada Família, obra de Antoni Gaudi (Foto do autor)
Reflexo, na água, do Templo Expiatório da Sagrada Família, obra de Antoni Gaudi (Foto do autor)

Na Rue de Lutèce, entre o Boulevard du Palais e a Rue de La Cité, em algum lugar conhecido por muitos poucos, o literário “La Mémoire de L’homme” cumpre sua missão de preservar histórias abandonadas pela humanidade.

Da mesma forma, por outro ângulo, na Barcelona gótica (Barri Gòtic), o “Cemitério dos Livros Esquecidos”, do qual nos deu conta Carlos Ruiz Zafón na bela tetralogia “A Sombra do Vento”, arquiva, em seus infinitos desvãos, tudo quanto a loucura e a sanidade dos homens ousou escrever ao longo do tempo e terminou encaminhado às traças.

Também alberga essa missão a Biblioteca de Babel, descrita por Jorge Luis Borges em “Ficções”, de 1944, que nos fala do mundo constituído por uma biblioteca sem fim, que abriga uma infinidade de livros possíveis e impossíveis, e que somente o gênio do argentino foi capaz de nos persuadir de que sua existência é fictícia.

São histórias abandonadas tais quais aquelas vividas pelo velho militar a quem deu tempo e voz Alain de Botton em “Nos Mínimos Detalhes”:

– “Ele não tinha nenhum biógrafo para recolher suas palavras, para mapear seus movimentos, para organizar suas lembranças; ele estava vazando sua biografia para o interior de inúmeros receptores, que o ouviam por um momento, e então lhe davam uma pancadinha no ombro, e partiam para suas próprias vidas. A empatia dos outros era limitada às exigências do dia de trabalho, e assim ele morreu deixando fragmentos de si dispersos casualmente em meio a uma caixa de cartas esmaecidas, fotografias sem legenda reunidas em álbuns de família e histórias contadas a seus dois filhos e a um punhado de amigos que marcaram presença no funeral em cadeiras de rodas”.

É a vida, tal como é.

Barcelona, 19 de dezembro de 2014.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

Morre o ex-vereador e bancário Aldivon Honorato

Do Blog de Jota Belmont

Morreu em Natal o ex-vereador, radialista e bancário aposentado Aldivan Honorato, 69. Estava internado há vários dias na capital para tratamento de próstata. O problema de saúde agravou-se e morreu de falência multípla dos órgõas, na tarde deste domingo (17).

Aldivan residia há quase 20 anos em Natal, onde será sepultado amanhã.

Aldivan Honorato foi vereador duas vezes em Mossoró e duas vezes em Martins. Também trabalhou na antiga Rádio Tapuyo (hoje RPC) como repórter e no Banco do Brasil – agência de Mossoró.

Lamentamos profundamente e enviamos os nossos votos de pesar a toda família enlutada.

Nota do Blog do Carlos Santos – Aldivon deve ser lembrado ainda pelo trabalho em defesa da poesia popular, tendo papel importante para criação da Casa do Cantador e integrava a Academia de Cordel do Rio Grande do Norte.

Que descanse em paz!