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Júri simulado terá julgamento de “Jararaca” 90 anos depois

jararaca: ataque frustrado (Foto: reprodução)

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) vai apresentar no final de semana programação completa para comemorar, no próximo mês, os 90 anos da resistência de Mossoró à invasão do bando de Lampião – em 13 de junho de 1927.

A iniciativa terá como ponto alto, um “júri simulado” do cangaceiro Jararaca (José Leite de Santana), morto pós-combate pelas forças de resistência.

O júri simulado vai acontecer no dia 9 de junho, às 9 horas, na Sala do Júri do Fórum Municipal Silveira Martins, à Avenida Jorge Coelho – em Mossoró.

Acusação e defesa

Presidirá o júri o juiz Breno Valério Fausto de Medeiros.

O advogado e escritor Diógenes da Cunha Lima atuará na acusação. O advogado e escritor Honório de Medeiros será o defensor do cangaceiro.

O conselho de sentença terá a seguinte formação:

– Inessa Linhares (Advogada e professora);

– Ludmilla Carvalho (Escritora e professora);

– Manoel Vieira Guimarães Neto (Padre e escritor);

– Antônio Clóvis Vieira (Professor e advogado);

– Lúcio Ney de Souza (Advogado e escritor);

– Rubens Coelho (Escritor e jornalista);

– Armando Negreiros (Médico e escritor);

O atual secretário da Segurança de Mossoró, general Eliéser Girão, será suplente do Conselho de Sentença.

O acesso ao júri será oportunizado com doação de um quilo de alimento não perecível, que será entregue ao Lar da Criança Pobre de Mossoró.

As inscrições serão efetivadas até o preenchimento da lotação da Sala do Júri.

Estudantes que estiverem no evento vão receber certificado com cinco horas-aula, da Universidade do Estado do RN (UERN).

Depois a Sbec, presidida pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos, divulgará informações à inscrição e outros detalhes da própria programação geral dos 90 anos da resistência bélica mossoroense.

Leia também: A sombra de Jararaca (AQUI);

Leia também: A resistência de Mossoró ao bando de Lampião (AQUI).

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Rafael Negreiros – Inesquecível

Por Paulo Negreiros

Dezoito anos sem a presença marcante, sensata, as vezes irreverente e sempre pronto a fazer  um favor, um obséquio qualquer. Era o homem permanentemente solidário, nunca pecou por omissão ou premeditação de tirar o corpo de fora. Sempre atento aos amigos, sentia na sua própria pele quando os mesmos sofriam tanto da dor de quaisquer espécie  à falta de numerário nos negócios, lá chegava ‘Seu’ Rafael. Ia direto ao assunto, não tinha rodeios nem tergiversava.

Tinha-se que se resolver aquele problema que também era seu.

Dona Elizabeth, minha mãe, sua companheira por mais de cinqüenta anos, mareja os olhos ao falar sobre seu marido, primo, amigo e pai dos seus seis filhos, e pensa como seria hoje se Rafael estivesse por aqui…

Era um eterno apaixonado pela vida, dormia pouco, insônia crônica e terrível, que o acompanhou por toda  existencia, o que o tornou um intelectual e erudito, pois lia muito e era o meu  enfant terrible, com o bate papo com os meus professores na Faculdade de Medicina.

Sabia de tudo, de Cervantes a Goethe, Vesalius a Pasteur, da medicina hipocrática à modernidade dos dias atuais. E os mestres ficavam a me perguntar:

– Quando seu pai vem de novo por aqui com os seus conhecimentos? Ao que Eu respondia: Vão lendo pra não me fazer  vergonha como professores…

Escrevia muito e de tudo. Soubemos, eu e Armando (irmão e também médico), do surgimento de uma nova doença que matava homossexuais masculinos na Califórnia (EUA), que se manifestava como sarcoma de Kaposi. Fomos pesquisar e anos depois surgia a pandemia com o nome de SIDA.

Viveu, viveu e viveu, fez tudo que nos é permitido e teve no pai e na mãe uma grande lição de vida; nos irmãos os amigos mais próximos; nos pais de dona Elizabeth, seus tios, a amizade serena e respeitosa; em dona Elizabeth e em seus seis filhos a paixão desenfreada.

Era o MEGAPAI, não deixava faltar nada, era sempre o ombro amigo, beijo e abraço sinceros; nos netos a sua continuidade pelos quais era apaixonado.

Gostava de dizer que tudo voltava ao carbono. Foi-se, extinguiu-se a matéria, faz parte da poeira cósmica… Saudades meu pai, muitas saudades.

Até a vista…

Paulo Negreiros é médico

* O homenageado neste artigo nasceu em 15 de outubro de 1924, filho de Manoel Fernandes de Negreiros e Maria Adelaide Gurjão Fernandes de Negreiros. Faleceu em 4 abril de 1994. Há algum tempo vinha com problemas cardiacos que não respondia a medicação, morreu na sua cama, enquanto dormia em casa aos 69 completos.