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A Carne Fraca e podre de bandidos fortes

Por Carlos Duarte

A Operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal, revela o grau de promiscuidade e de putrefação entre empresários, políticos e fiscais de órgãos que deveriam proteger a saúde dos cidadãos brasileiros. A podridão, ora exalada, que emana do submundo do crime de corrupção, embrulha o estomago de qualquer pessoa.

Mesmo que a prática de reembalagem de comida estragada, misturadas aos papeis e papelões, maquiadas pelo uso de produtos químicos de alta dosagem e com substâncias cancerígenas, seja uma situação pontual de apenas alguns frigoríficos, é inadmissível que isso ocorra num país que vem se firmando como um dos maiores exportadores de carnes do mundo.

Os grampos divulgados na operação da PF mostram também que a bancada ruralista é quem dá as ordens no Ministério da Agricultura, quem nomeia, demite fiscais e quem controla as ações sanitárias. Em um trecho das ligações grampeadas, o próprio ministro da Justiça, Osmar Serraglio, trata um suspeito, líder da facção criminosa, de “grande chefe”.

Não é à toa que o setor do agronegócio financiou cerca de R$ 400 milhões na campanha de 2014, com destaque para a JBS. Toda essa quadrilha de bandidos tem que ser presa e responsabilizada pelos atos hediondos que cometeram.

A “Carne Fraca” já causou impactos negativos na economia brasileira e abriu precedentes para que o protecionismo de outros países, como os EUA, cancele as compras de nossos produtos alimentícios. Poderá ser mais um obstáculo na retomada do combalido crescimento econômico brasileiro.

Com esse episódio, as exportações de carnes brasileiras poderão deixar de agregar valores aqui no Brasil para serem exportadas de forma “in natura”, gerando, assim, agregação de valores (emprego e renda) em países de primeiro mundo, a exemplo do ocorre hoje com o café brasileiro.

SECOS & MOLHADOS

Previdência – O rombo previsto do Sistema Previdenciário do Estado do Rio Grande do Norte é de R$ 1,6 bilhão, somente para este ano de 2017. Os números de aposentados e pensionistas servidores do Estado totalizam 47 mil. Esse é o resultado de um sistema falido, em todo o País, que nunca entrou na pauta de prioridades dos governos. Um caos anunciado que ainda irá causar mais prejuízos aos contribuintes e favorecidos.

Desinvestimento – O Tribunal de Contas da União (TCU) revogou a medida cautelar que impedia a venda dos ativos da Petrobras, na sessão da última quarta-feira (15/03). A decisão pode afetar o Rio Grande do Norte com a venda de mais da metade dos campos de petróleo do Estado. Inicialmente, envolverão 38 campos dos 104 existentes. Ainda não há data de quando serão iniciadas as vendas dos ativos da Petrobras no RN, com a nova política de desinvestimento da estatal.

Esperança – Neste dia de São José, as esperanças do sertanejo e dos devotos nordestinos se renovam em toda a região. Chuvas vigorosas em todos os estados do Nordeste, o verde brotando e os açudes jorrando. Sinais de recuperação da economia sazonal das pequenas cidades e elevação da autoestima do homem do campo. Que venham as chuvas, com a benção de São José!

Robinson – Sem ter o que mostrar, mais uma vez, o governador Robinson Faria (PSD) veio a Mossoró para parcas ações administrativas, neste final de semana. A falta de organização de sua agenda revelou a desarmonia de seus assessores. Apesar da chacina, destruição de unidades de BICs, tiros à 2ª DP e rebelião no Presídio Agrícola Mário Negócio, nenhuma explicação a respeito foi dada pelo governador.

HMAC esperava uma palavra de alento para não fechar e deixar bebês e mães à própria sorte (Foto: arquivo do Blog)

Robinson II – Lamentável ainda seu silêncio doloso em relação a pagamentos assumidos perante à Justiça, para o Hospital Maternidade Almeida Castro (HMAC) e Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer (LMECC) e algumas categorias médicas. Parturientes, bebês e pessoas acometidas de câncer com vidas ameaçadas e o governador não diz nada, não emite um alento. Nada, nada, nada.

Caos – O lixo e os buracos tomam conta das ruas de Mossoró. A combinação de lixo e água resulta em doenças causadas por vetores como mosquitos e moscas. Até agora a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) não emitiu nenhuma satisfação aos mossoroenses sobre mais esse caos de sua administração. Ah, claro que a culpa é do antecessor, como fora na época em que passou pelo Governo do Estado e não foi vista como tal, em Mossoró. Como esse povo gosta de sofrer e ser humilhado!

* Veja coluna anterior clicando AQUI.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa