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Economistas combatem qualquer ideia separatista do Nordeste

O presidente do Conselho Federal de Economia (COFECON), Wellington Leonardo da Silva, entregará carta da Comissão de Desenvolvimento Regional da entidade ao Consórcio Nordeste, colegiado de governadores nordestinos que está reunido (veja AQUI) nesta segunda-feira (16), em Natal.  O documento confere apoio ao movimento dos governantes e no seu arcabouço traz sugestões e ações “que podem e devem ajudar no processo de busca por um caminho menos árduo para o desenvolvimento e uma saída segura para o Nordeste”.

Welington: propostas sem separação (Foto: reprodução)

Paralelamente, o Confecon deixa clara sua posição política na relação dos governadores com a União: “O Cofecon rejeita que a iniciativa possa vir a ser usada para disseminar ideias separatistas. O Brasil não existe sem o Nordeste. Somos a composição de cinco regiões que, mesmo com diferenças socioeconômicas, compartilham a formação histórica e a cultura que nos define”.

Entre as sugestões dos economistas, eis alguns pontos:

– Ampliar e melhorar as condições de crédito, que dependerá do exito de gestões junto ao Governo Federal, que vão deve ser fácil. Dos recursos liberados pela Caixa Econômica Federal, este ano, para estados e municípios, apenas 2,2% foram para o Nordeste, enquanto em 2018 essa parcela foi 21,6%. Nesse campo, merece destaque a defesa da manutenção e ampliação das atividades do Banco do Nordeste (BNB).

– Dinamizar projetos estruturantes, como os portos de Suape e Pecem, concluir a Ferrovia Transnordestina e complementá-la com ramificações que coloque o transporte ferroviário de mercadorias entre os principais modais regionais.

– Exigir atuação mais efetiva da Sudene para favorecer ao desenvolvimento do Nordeste, finalidade para a qual foi idealizada por Celso Furtado, o mais destacado economista da Região, cujo centenário de nascimento ocorrerá em 2020.

– Reverter a recente contração da cadeia produtiva de petróleo e gás na Região, ocorrida com as reduções das operações da Petrobrás e a privatização do sistema de distribuição por gasoduto.

– Reivindicar a disponibilização de Aval Soberano, com lastro nas reservas internacionais do país, para financiamento externo junto organismos multilaterais, como o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e Banco dos BRICs, para estados e municípios adimplentes e com espaço para ampliar captações externas, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal.

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O investimento que a cadeia do petróleo espera e precisa

Por Gutemberg Dias

À semana passada estive no Rio de Janeiro-RJ acompanhando o governador Robinson Faria (PSD) em audiência na ANP – Agência Nacional do Petróleo (ANP), como representante da Redepetro RN, para discutir saídas para a crise na cadeia de petróleo e gás no RN.

Fiquei impressionado com os números apresentados pelo Diretor-Geral da ANP, Décio Oddone, eles demonstram que se não for feito investimentos no segmento a produção de petróleo no Rio Grande do Norte poderá sofrer um impacto terrível e, consequentemente, a nossa economia já tão cambaleante.

O Brasil na atualidade é o 10° maior produtor mundial de petróleo com uma produção de 2,7 milhões de barris por dia. A produção de petróleo e gás corresponde a 11% do PIB industrial, ou seja, o petróleo para o Brasil é tão importante quanto para o Rio Grande do Norte.

O nosso estado é o 6° maior produtor de petróleo nacional e no mês de junho de 2017 espalmou um produção de 48.390 bpd, quase metade do que o estado produzia na década de 2000. Hoje existem 14 blocos e 102 campos com registro na ANP. Um dado interessante é o quantitativo de poços, já foram perfurados 7.108 poços e atualmente o RN tem 4.6161 em produção.

No gráfico que mostra a produção de petróleo e gás no estado é possível identificar que tanto o petróleo como o gás vem caindo ao longo do tempo desde a década de 2000. Vale destacar que essa queda tem a ver com diminuição de investimentos e, também, o amadurecimento dos campos que tendem a produzir menos próximo ao fim de sua vida útil.

O ciclo do petróleo desde a autorização a pesquisar até um campo começar a produzir leva é media 5 anos. Entre os anos de 2008 e 2013 o Brasil não fez rodadas para cessão de blocos, somando-se a isso a redução dos investimentos da Petrobras e a queda do preço do petróleo no mercado internacional, levou o setor a uma diminuição de atividades impactando toda a cadeia.

Analisando esse impacto no RN observa-se que os poços concluídos ao nos últimos anos vem diminuído de forma preocupante. Um exemplo são os poços exploratórios que balizam descobrimento de novas ocorrências. No ano de 2012 foram perfurados 31 poços, no presente ano a ANP ainda não tem registro de perfuração, ou seja, já estamos no meio de 2017 e nenhum poço exploratório foi concluído.

Essa diminuição na perfuração de poços exploratórios se reflete na baixa notificação de descoberta de óleo,  para se ter uma ideia no ano de 2009 foram 30 notificações com queda nos anos subsequentes. Esse ano apenas uma descoberta de óleo foi notificada à ANP.

Diante dos dados apresentados é notório que para haver uma retomada da produção no Rio Grande do Norte é necessário que haja investimentos urgentes. A Petrobras, a partir de seu Plano Estratégico de Desinvestimento, não tem interesse em continuar operando os campos terrestre, sendo assim, é complicado esperar que a empresa faça grandes investimentos nessa área.

Num outro diapasão a Petrobras detém mais de 95% da produção no estado, ou seja, a operação de produção de petróleo é quase que total da Petrobras. Diante disso, se a empresa não tem foco em investimento que abra caminho para que outras operadoras de menor porte possam operar esses campos e voltarmos a ter perspectiva de retomada do aumento de produção de petróleo.

Um grande alento é que na 14° Rodada da ANP que ocorrerá no dia 27 de setembro de 2017, está sendo disponibilizado 62 blocos terrestres na Bacia Potiguar para serem arrematados. É bom fazermos uma torcida forte para que todos os blocos ou sua maior parte sejam arrematados, já que isso pode representar uma retomada dos investimentos em pesquisa com real geração de emprego e renda e, obviamente, dependendo das descobertas um aumento de produção.

Por fim, gostaria deixar claro que temos ainda muito petróleo e temos que extrair essa riqueza o mais breve possível, haja vista que o ciclo do petróleo deve durar mais uns 30 anos. Dessa forma, o importante é extrair o petróleo logo, não importa quem o faça.

Gutemberg Dias é o graduado em geografia, empresário e Presidente da Redepetro/RN