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Livros e leituras

Por Marcos Ferreira

Foto e edição do autor do texto
Foto e edição do autor do texto

Hoje acordei me sentindo leve. Melhor dizendo, de bem com a vida, feliz com os amigos que tenho e com certas conquistas materiais. Acordei motivado, disposto a exibir, expor o bem-estar que me envolve. Talvez isso tenha a ver com os quatro livros que li nas duas últimas semanas. Consumi um pedaço de dezembro e uma pontinha deste janeiro debruçado sobre as obras que revelarei logo a seguir.

Essas leituras interromperam um longo hiato de minha falta de interesse para conhecer o trabalho de outros autores. Pois é, o desânimo, a preguiça e o fastio me dominaram por quase um ano. Pode ser, como sou péssimo para memorizar datas, seguir o relógio e o calendário como se deve, existe a possibilidade de que o intervalo sem abrir um livro e ler seja maior. Porque, afora os contratempos, afora a dedicação aos meus próprios escritos, parece até que 2025 passou ligeiro feito assim um rastilho de pólvora. 

Acho adequado usar a ordem de chegada. Começo, então, com Au Revoir, Mon Ami! — O Auto da Boa Morte, de autoria do poeta e prosador Júlio Rosado. Temos aqui um romance (quiçá uma novela) de fôlego e engenhosidade. O bom humor, a crítica corrosiva e a tragicomédia neste auto da boa morte são a tônica, a espinha dorsal da narrativa, cuja quantidade de personagens representa um desafio a mais para o ficcionista estreante. Não é coisa fácil caracterizar, movimentar (como em um tabuleiro de xadrez) tantos tipos marcantes e caricatos. Contudo Júlio conduziu todo esse elenco com pulso firme e notável mestria. Não vou, como está na moda dizer, dar spoiler. Nem acerca desta obra nem no tocante aos outros três títulos. O leitor que adquira esses trabalhos, saboreie as folhas e tire as conclusões que julgar apropriadas. 

Seguindo o critério da chegada, em uma visita que me fez em uma tarde de que não lembro a data, rolou um cafezinho e fui presenteado pelo poeta, artista plástico e músico Airton Cilon com uma nova reunião de seus poemas. Com pouco mais de sessenta páginas, Inverno é uma seleta para maiores de dezoito amores. Sensível, versejador inveterado de uma paixão característica e plural, Cilon não nega a sua veia doce e transborda neste opúsculo toda a sua alma de bardo profundamente romântico.

Sem rimas e muito menos métrica, os versos de Inverno são por completo livres e ratificam a temática que o autor produz e publica desde os tempos dos cadernos de cultura dos jornais impressos, sobretudo no jornal O Mossoroense. Vejamos este exemplo do poema Amor e Contradição: “Sempre fui um/ romântico incurável, /um poeta errante/ passível de contradições, /um reincidente na arte/ de amar errado.” Novamente proponho ao leitor que encontre e constate todo o romantismo de Airton Cilon. 

Faço uma pausa para um banho e um café. A tarde se arrasta nublada, abafadiça e cheia de poeticidade como um soneto do vate parnasiano Olavo Bilac. Bem, vou preparar a cafeteira. Daqui a pouco estarei de volta à escrevinhação. Restam dois livros sobre os quais desejo produzir algumas linhas. Ressalto, entretanto, que este relato não pode ser classificado como resenha e ainda menos um ensaio. Estou a anos-luz de um crítico literário. Isto é meramente um registro superficial. Suponho, porém, que nem é necessário fazer esta advertência. Até daqui a pouco. 

Pronto, já regressei do banho e do cafezinho. Mantenho à mesa, à direita da escrivaninha, uma pequena caneca de café que vou bebericando aqui e acolá. O livro da vez é Mais Perto de Você: Notas de Amor e Cura, espécie de catarse da lavra de Carlos Oliveira, jovem e talentoso autor que faz a sua estreia no universo da literatura. O rapaz também é mossoroense, profissional do ramo de marketing. Reside fora do Brasil há vários anos. É, pelo que consta em seu livro, um cidadão do mundo. Mais Perto de Você: Notas de Amor e Cura, trabalho publicado primeiramente em inglês nos formatos impresso e digital pela Amazon, é uma longa viagem que o autor realizou pelos sinuosos e por vezes sombrios caminhos de sua mente.

Carlos faz um mergulho nas próprias entranhas psíquicas para encontrar a si mesmo e também interagir (por meio de sua escrita amena e com uma sintaxe de se tirar o chapéu) com um número expressivo de pessoas. O resultado dessa viagem, entrementes, é uma densa, didática e fraterna relação com todos que orbitam o mundo de Carlos Oliveira. 

Vejam (quebro o trato e exponho um spoiler) o seguinte fragmento: “A Parte Dolorosa de Encontrar a Si Mesmo: A parte dolorosa de encontrar a si mesmo é a luta para traçar nosso próprio caminho enquanto buscamos conforto em um lugar onde já não pertencemos. É nessa busca por pertencimento que corremos o risco de nos perder.” Mais Perto de Você: Notas de Amor e Cura, sejamos corretos, não pode ser meramente definido como um livro de autoajuda. Nada contra o referido gênero. Vai muito além disso. Ao longo destas páginas o autor consegue transcender tal modalidade literária e tocar, com ternura e competência, o coração do leitor. 

O quarto e último livro é Compassos Autobiográficos — Trajetória de Vida e Trabalho, conteúdo (como o próprio título informa) autobiográfico assinado pelo escritor e jornalista Passos Júnior. O autor é jornalista graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Possui vasta experiência em rádio, televisão, jornal impresso e assessoria de imprensa. É especialista em educação sexual e estudos afro-brasileiros, além de mestre em gestão de processos institucionais pela UFRN. No decorrer de mais de quatro décadas, atuou na Rádio 96 FM, na Rádio e TV Tropical, no jornal Tribuna do Norte, nas assessorias de comunicação da Secretaria de Saúde e de Comunicação Social da Prefeitura do Natal, no jornal Correio da Tarde e na assessoria de comunicação do governo do estado do Rio Grande do Norte. 

Desde de 2010, em Mossoró, através de concurso público, é jornalista da Universidade Federal Rural do Semi-Àrido (UFERSA). Desenvolveu projetos que entrelaçam história e imagem, sempre marcados pelo compromisso com a memória, a cultura e a educação. Com vigor narrativo e um olhar atento à escuta, Passos Júnior utiliza o audiovisual e a literatura como ferramentas para preservar memórias, valorizar o conhecimento e contribuir para a construção de novos saberes. Passos, enfim, com uma escrita afiada e direta, contribui com a história da comunicação social do Rio Grande do Norte e alhures. Eis, portanto, minhas leituras mais recentes. 

Marcos Ferreira é escritor

Mais perto de você – Notas de amor e cura

Por Carlos Oliveira

Capa do livro na versão em inglês (Reprodução do BCS)
Capa do livro na versão em inglês (Reprodução do BCS)

Como você volta para si mesmo quando a vida te afastou tanto?

“Mais Perto de Você” (veja vídeo AQUI) começou como uma coleção de notas escritas nos momentos silenciosos entre o coração partido, a ansiedade e a cura — uma forma de dar sentido ao caos interior e encontrar palavras para emoções que pareciam impossíveis de nomear.

Através de prompts reflexivos, verdades suaves e lembretes poéticos, ele explora o que significa amolecer, deixar ir e escolher a si mesmo, vez após vez.

Estas páginas não oferecem respostas prontas. Elas oferecem companhia, um convite para desacelerar, respirar fundo e se reconectar com a parte de você que sempre foi suficiente.

Se você está atravessando a dor da perda, buscando paz ou simplesmente desejando se sentir inteiro, este livro é para você.

* Texto da contracapa do livro bilíngue (Português e Inglês) “Mais Perto De Você – Notas de Amor e Cura”, de Carlos Oliveira (Carlos dos Santos Oliveira Júnior). O autor desnuda-se, mergulha em suas fraquezas, decepções e derrotas para descobrir que no fundo do poço “o único caminho que resta é para cima. É para lá que ele resolver ir.

É preciso subir, mesmo que despedaçado, para ser de novo inteiro, ainda que incompleto.

Carlos Oliveira é consultor global de eventos, palestrante, escritor e gestor de projetos sustentáveis (veja AQUI)