Com uma população de quase 250 mil habitantes, Mossoró não deve ser analisada a partir desse volume demogrático. Seus números são mais grandiloquentes.
Até aqui, praticamente nenhum prefeito tem pensado e agido no trato de questões públicas, da organização de trânsito à urbanização e economia, vendo o município sob esse prisma. Mossoró não é ela em si. É multifacetada. Muitas numa só.
Esse perfil começou a se formar a partir da avassaladora seca de 1877, num triênio que praticamente quadruplicou a população local, de pouco mais de 6 mil pessoas para mais de 24 mil.
Temos uma cidade miscigenada, gregária e que vai bem além de seus limites territoriais tecnicamente postos pela cartografia oficial.
Sem entender isso, os governantes de hoje e de um passado não muito remoto, comprometem o próprio futuro dos mossoroenses. Também dificultam a vida dos que afluem para esse espaço, em passagens episódicas ou à fixação.
Um exemplo até bizarro de tamanho amadorismo, é o relacionamento da Prefeitura de Mossoró com mais de 2,5 mil veículos alternativos e congêneres, que despejam milhares de pessoas diariamente na cidade. Eles vêm do Vale do Jaguaribe (CE), Vale do Açu, Alto e Médio Oeste, além da região Salineira.
Há alguns meses, essa gente trabalhadora e de forte importância econômica, simplesmente foi banida do centro urbano, sem garantia de infraestrutura mínima nas áreas em que foi jogada.
É provável que Mossoró tenha população flutuante acima dos 20 ou 30 mil indivíduos/dia. Uma superpopulação desprezada, tratada com desdém ou mesmo imperceptível aos gestores públicos, que até aqui trabalham no improviso, no “achismo” ou sob a batuta de velhos modelos gerenciais.
Muitos de nós não entendemos o crescimento de Mossoró, sobretudo quando circulamos por sua periferia. Muitos não compreendemos o boom imobiliário e a migração de grandes grupos econômicos para essa terra.
Conjuntura
Os mais inocentes ou passionais, creditam tudo aos inquilinos da prefeitura. Outros, tão-somente à conjuntura nacional-internacional etc. A maioria não percebe que independentemente de fatores exógenos e algumas políticas públicas acertadas, pesam a extraordinária localização e potencial natural do lugar.
O West Shopping não foi instalado em Mossoró em nome do belo sorriso da prefeita Fátima Rosado (DEM). Algumas indústrias não estão se espraiando por mero incentivo do governo estadual. Híper Bom Preço, Lojas Americanas, Marisa, Renner e a indústria do petróleo não jogam âncora na cidade por nossa temperatura suíça.
Se na antiguidade todos os caminhos levavam à capital do mundo, Roma, na região de influência de Mossoró (cerca de 800 a 1 milhão de habitantes) todas as estradas/veredas – em especial do meio circulante – acorrem para esse lugar. Qualquer estudo canhestro – ou de reconhecida qualidade científica – mostrará isso.
Cada fábrica instalada em Grossos, Tibau, Governador Dix-sept Rosado etc. termina “despejando” dinheiro em Mossoró. De um simples Carnaval (Areia Branca) à indústria de cimento (Baraúna), temos moeda engordando a economia local, numa migração óbvia.
Deve ser observado, ainda, que Mossoró está se robustecendo como polo acadêmico. Milhares de jovens e adultos estão desembarcam diariamente na cidade em busca de conhecimento, a grande chave para o progresso pessoal e coletivo de qualquer povo.
Apesar de todas essas evidências, o poder público é convencional e atrasado, míope e primário em termos de gestão. Mossoró teima em ser provinciana, incapaz de avançar além dos arrabaldes de sua mentalidade política oligárquica, reducionista, patrimonialista e iníqua.
O futuro, dizem os mais fervorosos na fé, “a Deus pertence”. Em nome dessa fé, é bom lembrarmos: “Façamos nossa parte”.