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Renovação impossível numa política para pimpolhos

A renovação política no Rio Grande do Norte é puramente familiar.

Fica engraçado ver líderes de grupos, clãs e partidos defendendo ingresso de jovens na política.

Pra quê?

Para servir a seus filhos?

Ah, claro! Mas todos têm o mesmo discurso em defesa dos seus bichinhos: “O menino é vocacionado”.

Sei.

Normal que filho siga o pai na atividade profissional-produtiva. É resultado de inspiração, espelho e até DNA.

Porém na maioria dos casos, não é o que ocorre na política. Poucos são os que se sobressaem e possuem luz própria. Temos essas raridades.

Boa parte dos pimpolhos sequer tem profissão e já sobrevive desde pichototinho com sinecuras.

Diferente do competitivo mundo lá fora. Estabelece-se quem tem competência e não sobrenome, poder econômico e força política.

Veja o futebol. Quantos craques podem lançar seus filhos como herdeiros da bola?

Exemplo mais notório de fracasso na continuidade é Zico, ex-jogador do Flamengo. Apesar da boa origem e influência, sua prole não vingou. Bem que tentou.

Um deles ficou “só no sapatinho”, como cantor-compositor de pagode. Chuteiras não encaixaram.

Com a política é diferente. Azar nosso. Praticamente todos calçam 40 e adoram “bola”.

Na dúvida, pró-Rosado! Tem sido assim

Há seis eleições consecutivas que apenas Rosado “briga” contra Rosado em Mossoró. Vem desde 1988. Em 2010, a receita é a mesma, com duas bandas do clã se digladiando. Em tese,  não há como perder.

Nada é por acaso. Isso é resultado de uma estrutura de poder bem enraizada, desde o início do século XX.

No inconsciente coletivo ocorre uma inclinação comum: o novo e desconhecido assustam. Somos, por natureza, cautelosos e refratários à ousadia.

Mas a humanidade só avançou com o ímpeto da minoria “louca”, pois do contrário ainda estaríamos vivendo em cavernas e matando bicho com paus e pedras.

Na política impera o tradicionalismo, como é conservadora a nossa mente. Para comprar um sapato ou cortar o cabelo, costumamos ir aos mesmos lugares. Uma alteração de percurso é algo raro e precisa de forte motivação, uma margem de segurança. Na política também agimos assim.

Portanto, o que acontece em Mossoró não deve ser visto como anomalia. A psicologia social e a sociologia política explicam. Outras ciências acrescentam argumentos a essa tese.

Na dúvida, pró-Rosado.

Compreensível. Aceitável. Tem sido assim.