É provável que seja mais fácil ser feliz rico, do que compondo a ralé – lá no subsolo da pirâmide social. Pelo menos para ter bens de consumo, sim. Deve ser ótimo.
Nem posso me arriscar a falar desse patamar humano, porque não herdei nada, sou incompetente para acumular capital e sem coragem para tentar o apogeu por via tortuosa.
Mas nem por isso, em face de minha condição de “liso estável”, desejo a qualquer um que esteja no topo, a pobreza e a infelicidade. Aplaudo os vitoriosos, sem qualquer constrangimento.

Vendo Eike Batista preso, humilhado e careca, não obstante ainda milionário, não me estimula qualquer faceta sádica. Não me compraz seu infortúnio.
Percebo, no entanto, que muitos que o desdenham por viver o escárnio público, o fazem mais por recalque do que por senso de justiça.
Particularmente, não nutro admiração por ele. Como se fala no populacho: “Nem é carne nem é peixe” para mim.
Nunca li seu livro autobiográfico (hagiográfico, diz-se), mas identifico que se trata de um corrupto diferente da grande maioria que está nesse redemoinho fétido da política do país.
Ao se desvencilhar do xadrez, ele voltará à ativa como empreendedor vitorioso, logo fazendo nova fortuna em larga escala. Não tenho dúvidas.
Arrogante ou autoconfiante? Não sei. Talvez Eike seja um misto disso. Contudo é também um pouco símbolo desse Brasil em que a esperteza mais do que constranger, estimula muitos a serem vencedores a qualquer preço.
Feio, dizem, é perder.
Outros tantos, dessa horda, precisarão mais uma vez do ambiente insalubre dos subterrâneos da política. Só assim voltarão a juntar dinheiro e arrotar riqueza com o sofrimento de milhares e milhões de pessoas. É-lhes imprescindível o esgoto, seu habitat.
De aprendizado para cada um de nós, testemunhando as intempéries de Eike, fica a reflexão de que realmente… “tudo passa!”
Eike deve estar percebendo isso, até mesmo para tentar renascer do ocaso.
É o “X” da questão.
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