Acho um equívoco se falar em “Cultura do estupro” no Brasil.
Sabemos do costume, até no ambiente prisional, de punição cruel a estupradores.
Fora desse submundo, o comum é também se execrar e até se reagir ferozmente contra esse crime humilhante.
Somos intolerantes em relação a essa barbárie.

A sociedade não cultua o estuprador, também não é leniente em relação a essa prática abjeta.
No episódio que tem sido narrado, ocorrido há poucos dias no Rio de Janeiro, muita gente deixa em segundo plano certos “detalhes”: o ambiente, os personagens.
Uma jovem de 16 anos teria sido supostamente estuprada por 33 homens, a maioria deles armados, gente do tráfico.
A atmosfera de liberalidade sexual, de incenso a traficantes e a ausência da tutela familiar em relação aos jovens, criam esses monstros e suas vítimas quase sempre indefesas.
Ninguém compare a realidade brasileira com a cultura sim, real, do estupro coletivo promovido na Índia. Hoje, sob legislação punitiva, mas ainda assim longe de ser exemplar contra esses subprodutos humanos.
São dois mundos diferentes, não obstante com práticas similares.