As ações que pedem cassação de registro das candidaturas a prefeito e vereador, respectivamente de Rosalba Ciarlini (PP) e Betinho Rosado (PP) em Mossoró (veja AQUI), “estavam escritas”. Absolutamente normais e previsíveis.
As ações protocolizadas no dia passado talvez não produzam efeito prático pretendido em seu bojo, ou seja, alijar Rosalba Ciarlini da disputa. É provável que tenham papel mais tático-eleitoral do que judicial-eletivo.
A judicialização das campanhas eleitorais não é um fenômeno da política mossoroense. Ela advém do fomento da própria legislação eleitoral, a maior profissionalização de campanhas do ponto de vista técnico-jurídico, além da vigilância dos órgãos de fiscalização.
De acordo com dados levantados em julho passado pelo portal G1/SP, no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Rio Grande do Norte é o Estado brasileiro que teve proporcionalmente o maior número de prefeitos eleitos em 2012 cassados nos últimos quatro anos.
Ao todo, foram 16 cassações, com oito afastamentos definitivos e oito permanências no cargo por meio de recursos judiciais e liminares.
O Brasil teve, segundo o levantamento, 136 prefeitos cassados e retirados do cargo pela Justiça Eleitoral – uma média de um a cada oito dias.
Além disso, outros 93 também foram cassados, mas se mantêm no cargo com liminares e recursos, a poucos meses de um novo pleito, que ocorre em outubro deste ano.
O dado de cassados no cargo e fora dele representa 4% do total de prefeitos eleitos em 2012 (5.568).
O que acontece em Mossoró logo nos primeiros dias de campanha está pulverizado no país. Isso é inquestionável. Segue-se à risca uma máxima militar milenar, posta em “A arte da guerra”, do general chinês Sun Tzu:
– “Mantenha o teu inimigo ocupado”.
É o que procuram fazer nesses primeiros dias as campanhas dos candidatos Francisco José Júnior (PSD) e Tião Couto (PSDB), em relação à concorrente Rosalba Ciarlini. Acuam-na judicialmente.
Favorita, Rosalba é uma adversária a ser caçada (ou cassada, diga-se). Em sua retórica, numa tática do marketing, pode e provavelmente posará de vítima.
Sua reação também faz parte da arte da contenda eleitoral. “A estratégia é uma economia de forças”, afirmou o general prussiano (alemão) Carl von Clausewitz no clássico “Da Guerra”. Ou seja, pensar antes de agir.
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