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“Cidade Junina” exige mudanças nas mãos de quem o criou

Por Carlos Duarte

O Mossoró Cidade Junina (MCJ), deste ano, começou a ser discutido pela prefeita Rosalba Ciarlini, no sábado (01/04). Na prática, a exiguidade de tempo, cerca de sessenta dias, é um fator altamente negativo para que se possa executar, com eficácia, um projeto dessa magnitude.

O que dá para ser feito nesse curto espaço de tempo são, apenas, os mesmos arranjos paliativos e gambiarras das edições anteriores – suscetíveis às críticas, desconfianças, denúncias e às fiscalizações exaustivas de sempre.

A prefeita tem a oportunidade de mudar o formato do evento, tornando-o maior e verdadeiramente autossustentável. Para isso, precisa elaborar um planejamento de caráter plurianual, que se estenda além de seu mandato, criando as condições necessárias e imprescindíveis para a captação de recursos, com objetivos predefinidos e integrados que contemplem cultura, entretenimento, turismo e economia, entre outros.

Um dos primeiros passos para atrair captações de recursos privados é o estabelecimento de normas que regulem e garantam segurança jurídica aos investimentos dos patrocinadores. É imperativo também que as licitações ocorram com antecedência suficiente capaz de garantir que os prazos recursais e de contratação não atrapalhem o cronograma de execução do evento.

Esse procedimento diminuirá os custos e poderá gerar maior transparência.

Para edição de 2017, o tempo que resta só vai dar para corrigir e ajustar alguns pontos polêmicos e negativos do evento. Mas, há um ponto que, sugerimos, não deverá ser negligenciado e nem poupado os seus recursos de execução: Trata-se do Plano Estratégico de Segurança Pública do evento.

Rosalba, que criou o MCJ, há vinte anos, tem agora a chance de repaginá-lo, inclusive expurgando-o do objetivo prioritário de promoção midiática de gestores, para torná-lo um evento cultural grandioso que insira Mossoró, definitivamente, na rota dos destinos turísticos de época, em âmbito nacional e internacional.

Isso fará do MCJ um projeto de viabilidade econômica, com fomento de sustentabilidade para o ano inteiro. Não, apenas, o incremento sazonal de subemprego da economia informal, como acontece atualmente.

SECOS & MOLHADOS

Milton – Pensamentos positivos e orações para o ex-reitor da Uern e empresário Milton Marques que passa por sérias complicações de saúde. Pessoa iluminada, competente e de bom coração. Deus está ao seu lado, Milton!

Segurança – Os números da violência, traduzidos pelos homicídios no RN, mostram a falta de eficácia do governo da Segurança contra o crime instalado. Na verdade, um verdadeiro fiasco que continua expondo o cidadão potiguar à própria sorte. Até o último dia 31 de março, foram 601 homicídios no estado do RN. Em Mossoró, 63.

TCU – A Operação Lava Jato continua revelando práticas do submundo do crime, que causam perplexidade e desesperança: quatro dos nove ministros titulares do Tribunal de Contas da União (TCU) são investigados ou citados em inquéritos que apuram praticas de corrupção. Lembrando que esses ministros são os responsáveis por analisarem e julgarem as contas dos administradores de recursos públicos federais.

Páscoa – Uma pesquisa nacional feita pela Fecomercio-RJ/Ipsos aponta um aumento de 2% no número de brasileiros que pretendem ir às compras de Páscoa. Um aumento tímido, mas que é visto como um sinal indicador de confiança do consumidor.

Rotativo – Entra em vigor, a partir da segunda-feira (03/04), a nova regra para o pagamento da fatura do cartão de crédito. Agora, o consumidor só poderá permanecer no crédito rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Ou seja, o limite do crédito rotativo será de apenas 30 dias. Se atrasar, o valor será pago ou financiado por meio de linha de crédito parcelada, oferecida pela operadora do cartão. A expectativa é que melhorem as condições de pagamento do débito, com juros menores e prazos maiores.

Agricultura – A Central de Agricultura Familiar, inaugurada na última segunda-feira (27), para comercialização direta do pequeno agricultor, deverá diminuir o impacto do atravessador e aumentar a renda em até 40%. Bem que o governo Robinson Faria poderia trazer essa ideia para Mossoró, como forma de minimizar os percalços dos agricultores da região oeste. No RN a agricultura familiar concentra cerca 91,3 mil agricultores (considerando apenas os assistidos pela Emater). Em 2016, o setor movimentou R$ 136 milhões, apenas pela via do BNB. Os principais arranjos produtivos estão no polo Assu-Mossoró.

Desinvestimento – A Petrobras vai anunciar, daqui a duas semanas, os procedimentos de desinvestimentos da empresa. A meta é atingir U$ 21 bilhões no período 2017-2018. Entre os projetos, estão as sessões de direitos de um conjunto de campos terrestres, nos quais estão inclusos a produção da estatal no Rio Grande do Norte (maior produtor do Brasil). De acordo com o projeto original de desinvestimento, a Petrobras previa que os ativos colocados à venda no RN representariam cerca de 23% de toda a produção em terra no estado. Equivalente a aproximadamente 15.000 por dia.

Retração – De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE, o comercio do Rio Grande do Norte entrou pelo 19º mês consecutivo em retração de vendas. A queda, em janeiro, foi de 8,8%. São sinais preocupantes da economia do RN. Os principais fatores são: aumento do desemprego e diminuição de renda.

Corte – A frustração de receitas foi o principal motivo que levou o governo do RN a proceder o corte de R$ 43,1 milhões na execução orçamentária do Estado, no primeiro bimestre deste ano.

Previdência – O presidente Michel Temer fechou questão e diz que a idade mínima de 65 anos para aposentadoria é fundamental e que não negocia esse ponto na reforma previdenciária proposta pelo seu governo. Na proposta de reforma enviada ao Congresso, o tempo mínimo de contribuição é de 25 anos.

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Carlos Duarte é consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

“Feirão” da Petrobras dispersa patrimônio estatal

Na quarta-feira, dia 27 de março, o executivo Carlos Fabián, do grupo argentino Indalo, esteve no 22o andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, para fechar o negócio de sua vida. É lá que funciona a Gerência de Novos Negócios da Petrobras, a unidade que promove o maior feirão da história da estatal – e talvez do país.

Sem dinheiro em caixa, a Petrobras resolveu vender grande parte de seu patrimônio no exterior, que inclui de tudo: refinarias, poços de petróleo, equipamentos, participações em empresas, postos de combustível.

Com o feirão, chamado no jargão da empresa de “plano de desinvestimentos”, a Petrobras espera arrecadar cerca de US$ 10 bilhões. De tão estratégica, a Gerência de Novos Negócios reporta-se diretamente à presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

Ela acompanha detidamente cada oferta do feirão.

enhuma causou tanta polêmica dentro da Petrobras quanto a que o executivo Fabián viria a fechar em sua visita sigilosa ao Rio: a venda de metade do que a estatal tem na Petrobras Argentina, a Pesa.

A revista Época teve acesso, com exclusividade, ao acordo confidencial fechado entre as duas partes, há um mês. Nele, prevê-se que a Indalo pagará US$ 900 milhões por 50% das ações que a Petrobras detém na Pesa.

Apesar do nome, a Petrobras não é a única dona da Pesa: 33% das ações dela são públicas, negociadas nas Bolsas de Buenos Aires e de Nova York. A Indalo se tornará dona de 33% da Pesa, será sócia da Petrobras no negócio e, segundo o acordo, ainda comprará, por US$ 238 milhões, todas as refinarias, distribuidoras e unidades de petroquímica operadas pela estatal brasileira – em resumo, tudo o que a Petrobras tem de mais valioso na Argentina.

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