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Da brancura areada

Por Leonam Cunha

De Tertuliano, fiz-me cais;
Fiz-me barcaça, ilha, porto
Sou das águas escuras do rio;
Da calçada da matriz,
Jesus, Conceição, Ogum,
Xangô, Iemanjá, procissão.
Sou do tétano também
do ferro encalhado no mangue;
Da maternidade onde luzi,
Frente ao campo incrustada.
Fiz-me gentil, areia fina
Que embranquece como sal

Fiz-me urubu em beira
d´estrada, deglutindo o asno.
Fiz-me algaroba e ladrão
Tão somente de tamarindo.
Fiz-me burrinha de pano,
Urso batendo tambor e tarol

Fiz-me Areia Branca, seu moço,
Sangue irmão de Chico, José,
Maria, Josefa, Bastião, Joaquim.
Fiz-me , para sempre, menino:
Bucho grande e perna fina d´interior;
Não te esqueces, não confundes,
O ouvido é uma lágrima, Senhor.

Leonam Cunha é poeta areia-branquense e acadêmico de Direito da Universidade Federal do RN (UFRN)

* Extraído do livro “Dissonante”, segundo livro do autor, da Editora Sarau das Letras.

 

“Dissonante” será lançado hoje em Areia Branca

“Dissonante”. Esse o título do segundo livro de poesias do jovem escritor e acadêmico de Direito, Leonam Cunha. Será lançado hoje às 19h, em Areia Branca.

Leonam e Joseana com "Gênese", em 2012 (Foto: Jean Rodrigues)

A Câmara Municipal de Areia Branca será palco do evento literário, que tem publicação viabilizada pela Editora Sarau das Letras, capitaneada pelos escritores e editores David Leite e  Clauder Arcanjo.

Dissonante traz ilustrações de Milla Serejo e nasce como segundo título do autor, que é areia-branquense e já apresentara pela mesma editora, em dezembro de 2012, o livro “Gênese”.

Ele é filho do ex-prefeito Manoel Cunha Neto, “Souza” (PHS), e da educadora Joseana Nogueira Cunha.

Imerso no apetite perene e contumaz pela leitura, Leonam mergulha no universo de autores como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, além de nomes universais como Dostoiévski, como espelho de sua arte.

Sua parceria com Milla é uma composição poética em si, que tem o zelo editorial da Sarau das Letras lapidando o trabalho.

Nota do Blog – Fui escalado pelos editores Clauder e David para representar a nossa Sarau das Letras no evento.

No lançamento de “Gênese” eu já estivera em Areia Branca.

Retorno hoje, como de tantas vezes. Pouso de ave migratória que sempre encontra na Ilha de Maritacaca (nome primitivo de Areia Branca) um abrigo entre os comuns e diferentes.

Até lá!