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“Época” mostra o mal que Micarla pode causar

Por Felipe Patury (revista Época)

Doutora Francielle sataniza Micarla

Receber apoio da prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), pode ser um fator negativo na eleição — mesmo a 250 quilômetros da capital potiguar.

Em Caicó, a candidata da coligação PPS-PV-PDT, Dra. Francielle, cuja foto embeleza esta nota,  recorreu à Justiça para negar que tenha recebido apoio de Micarla, conforme foi divulgado em um blog local.

A Justiça Eleitoral local deu razão à coligação de Dra. Francielle.

“A notícia que associava Dra. Francielle a Micarla era inverídica e mentirosa”, diz Gláucia Lima, assessora de imprensa da candidata. Segundo ela, a notícia poderia prejudicar Dra. Francielle porque “se sabe que Micarla tem uma rejeição muito grande”.

Segundo o Ibope, o índice de rejeição a Micarla atinge 91% do eleitorado.

Micarla assusta aliada em Caicó, que busca apoio da Justiça

O juiz eleitoral de Caicó, Luiz Cândido de Andrade Villaça, emitiu despacho determinando que o blogueiro Robson Pires retire de sua página na Web notas relacionadas à candidata “Doutora Francielle” (PPS), concorrente a prefeito de Caicó pela Coligação Pra Frente Caicó (PPS/PV/PDT).

Robson dá direito; candidata prefere fato político-judicial

Ela preferiu acionar a Justiça Eleitoral em vez de se dirigir ao próprio blogueiro/jornalista para apresentar seu contraditório. “Minha página nunca se furtou ao direito de resposta porque é um direito constitucional. Mas principalmente, é um instrumento baseado no meu dever de consciência, que ajuda a legitimar meu ofício de informar”, pondera Robson em contato telefônico acionado por este Blog à manhã de hoje.

A candidata não gostou daspostagens publicadas por Robson Pires sobre um natural apoio da prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), que preside o Partido Verde no Rio Grande do Norte, à candidatura dela. O PV faz parte de sua coligação.

Apoio de Micarla virou pecha em Natal, seu terreiro eleitoral, mas também – pelo visto – contaminou o interior. Parcialmente, que se diga, como ocorre na capital. Seu PV tem utilidade para somar em horário de TV/rádio e engordar coligações à cata pelo voto, mas é preciso escondê-la no ‘armário’, numa mágica que a própria Justiça Eleitoral tira da cartola.

O que seria lógico, ou seja, uma presidente de partido apoiar uma candidata de sua coligação, passou a ser suposto ato de má-fé jornalística. Não seria mais sensato, então, que a candidata tivesse evitado candidatura atrelada ao PV de Micarla?

Para a Justiça Eleitoral em Caicó, não.

O juiz considerou que a divulgação das matérias que “atrelam a Candidata Francielle Lopes à Prefeita do Município de Natal Micarla de Sousa excedem os parâmetros da livre manifestação de pensamento, vez que é público e notório que nunca existiu declaração da Prefeita de Natal apoiando Francielle e como o próprio representado diz cotidianamente em seu blog, esse apoio é negativo em virtude da baixa popularidade que a gestora da capital enfrenta”.

Se Robson Pires tivesse anunciando que Lula (político de maior popularidade no país) poderia apoiar a candidata, mesmo a nota sendo inverídica, “Doutora Francielle” entraria na Justiça Eleitoral pedindo a retirada de notas com esse teor?

O jornalista e blogueiro vai recorrer da decisão ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Quanto à candidata, é provável que sua legítima prerrogativa de pleitear amparo judicial a um direito subjetivo, lhe cause péssima impressão em meio à crítica e atenta sociedade caicoense.

“Insinuações”

O uso da via judicial, quando tinha a seu dispor a agilidade de sua própria versão, no Blog de Robson Pires, deve colocar uma pulga atrás da orelha dos eleitores.

Robson Pires foi condenado a retirar do seu blog as notícias postadas e publicar em todas as mídias sociais onde as notícias tenham sido publicadas, com igual destaque, a resposta enviada pela coligação. O blogueiro também deverá se abster de publicar matérias com insinuações contra a candidata. É a decisão judicial.

“Insinuações”?

Vá entender.

Noticiar, por exemplo, que ela pode receber apoio de um grupo bem conceituado na cidade, à sua postulação, estaria proibido? A subjetividade, nesse caso, pode muito mais prejudicar do que ajudar a candidata da Coligação Pra Frente Caicó.

Mesmo que positiva e verdadeira, uma informação desse valor não pode ser postada? Seria uma insinuação? Ou uma conjectura? A especulação jornalística está proibida no jornalismo caicoense em pleno Século XXI, em ambiente que ainda temos como simulacro de democracia?

Jornalismo político sem análise, sem crítica, sem opinião e costura de cenários hipóteticos que podem se formar, ou não, é como futebol sem gol. Impossível.

Em nenhum lugar do mundo democrático e civilizado, jornalismo político é arrimado apenas na reprodução de declarações de agentes públicos e outros atores desse ambiente. Se for assim, melhor convocar um batalhão de escrivães policiais às redações.

Vão prosperar apenas textos frios do tipo “fulano declarou, fulano disse, fulano afirmou, fulano salientou, fulano prometeu… etc.” na imprensa convencional ou alternativa.

Herança de tempos sombrios, uma sentença há muito deixou de ser cristalizada no pindorama brasileiro: “Decisão judicial não se discute!”. Discute-se, sim. Essa dialética é que fortalece a própria democracia e torna o Judiciário a balança confiável do equilíbrio dos poderes.

Dessa lonjura, minha solidariedade ao Robson Pires, a confiança na própria Justiça e meu abraço fraterno em Caicó, de tantas saudades e que gosto tanto.

Veja AQUI postagem de Robson Pires sobre o assunto.