Arquivo da tag: Edilson Pinto Júnior

AOS VIVOS – Com Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

ACESSE: nosso endereço no Instagram – www.instagram.com/blogcarlossantos.

Vamos conversar com o escritor, médico e professor Francisco Edilson Leite Pinto Júnior.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Médico, escritor e professor vai estar Aos Vivos! conosco

Ele é médico, escritor e professor. Figura humana ímpar nos três ofícios, Francisco Edilson Leite Pinto Júnior (assim mesmo, por completo, como gosta de assinar seus textos) será nosso quinto convidado no projeto Carlos Santos – AOS VIVOS!Vamos recebê-lo nessa segunda-feira (15), às 21 horas, em nosso endereço no Instagram – www.instagram.com/blogcarlossantos.

Edilson Júnior (amputei seu ‘Pinto’ de propósito na identificação do banner de divulgação) vai jogar conversa fora, não fazer um monte de coisas e sei lá o quê ao nosso lado e de internautas.

Anote esse compromisso.

Até lá

Leia também: O mundo de Francisco Edilson Leite Pinto Júnior.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Em tempos de pós-verdade

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

Em tempos de “Pós-Verdade”, onde  os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais, nada mais atual do que ler o livro do escritor e estudioso digital Gil Giardelli:

– “Nesse mundo em rede, podemos estar solitários, mas jamais estaremos sozinhos. São dezenas de amigos em seu Inbox, Messenger, Facebook, Twitter, Foursquare, Blog, Instagram, Pinterest… Contudo, passamos a viver em uma zona de neblina entre a vida real e a virtual (…)

– “O mundo on-line parece um grande palco de teatro de espelhos, no qual o tímido se torna extrovertido, o calmo se torna visceral, o rude se torna romântico. A inconveniência da verdade é criar um alter ego digital acima da lei, viver uma vida paralela completamente diferente da real (…)

– “Quando você dá sua opinião, curte, divulga, comenta, segue, lê, escreve, redireciona, divide, fala sobre e faz mais gente saber sobre algo, usando os recursos digitais, já está compartilhando. Sua existência digital, sua reputação, é medida pelo que você COMPARTILHA, pelo quanto influencia os outros e pelo modo como faz a diferença no mundo (…)

– “Eu amo a internet, vanguardista e revolucionária, que tem como principal e mais vantajosa característica a pura e simples liberdade de expressão. A ideia de que todo progresso tem seu preço talvez seja tão velha quanto a invenção da roda e o primeiro acidente por ela provocado. E o preço da internet é que ela potencializa e amplifica tudo, inclusive a idiotice”…

Pois bem, se comecei com o livro do Gil Giardelli, vou terminar agora fazendo uma advertência do sempre atual Nelson Rodrigues:

– “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”…E como são muitos os idiotas que passam o dia fazendo Fake News, distribuindo ódio e amargura pelo mundo, só porque não conseguem amar a si mesmo e nem amar ao próximo… “Ó tempos, ó costumes” (Cícero, orador romano).

Que o Brasil acorde, antes que seja tarde demais…

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, médico e escritor

O “patrão” e o cronista que não faz crônica

Amigo Edilson Pinto, boa madrugada.

Vamos trabalhar, rapaz.

Você nunca mais escreveu pro Blog Carlos Santos. Sostô!

Poxa Chefe!

Eu estou treinando para entrar na política, ou seja: ficar sem fazer nada…

Escrever é duro… um parto, às vezes, à fórceps.

Bem… vou tentar, mesmo de férias, colocar algumas linhas no papel.

Veja só: eu pensei que o amigo nem estava dando por minha falta, afinal respondendo a tantos processos (São oito milhões, setecentos e cinquenta e sete mil e duzentos processos da antiga gestão da prefeitura contra você, não é mesmo? RSRSRSRS), que estava aqui, quieto no meu canto, só vendo a banda passar…

Tá bom! Prometo até o carnaval (olha não disse de que ano, certo?) retornar ao trabalho.

Abs, feliz 2013, com muita saúde, paz e menos processos…

Edilson Pinto – É professor, médico e escritor

A ciência da incerteza

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

“A medicina é a ciência da incerteza e a arte da probabilidade” (Dr. William Osler)

O Dr. Bernard Lown – professor emérito de cardiologia da Escola de Saúde Pública de Harvard e médico do Hospital Brigham para Mulheres, em Boston – recebeu em 1985, o prêmio Nobel da Paz em nome da Associação Internacional de Médicos para a Prevenção da Guerra Nuclear, entidade da qual é co-fundador.

Em seu livro “A Arte Perdi da de Curar”, o Dr Lown faz um relato extremamente corajoso e sincero: “Grandes mestres moldaram minhas ideias sobre a tarefa do médico, destacando-se principalmente o Dr. Samuel Levine… embora ele fosse fadado a ser meu mentor e paradigma profissional, permiti que minha arrogância juveni l me dominasse e concluí que o velho Levine tinha pouco a me oferecer… Mas, logo se tornou difícil evitar admitir a minha inércia como clínico. Era óbvio o contraste existente entre a reação dos doentes do Dr. Levine e a dos confiados aos meus cuidados.

Ele, com pequeno conhecimento da fisiopatologia aplicável, receitava poções não testadas e o paciente melhorava, se recobrava e recuperava a saúde, ao passo que eu, repleto dos últimos descobrimentos relatados no New England Journal of Medicine, não conseguia tais resultados”. Que interessante!

Como pode “Poções não testadas”- não submetidas a teste de significância estatística, aos rigores da ciência-, servirem melhor aos pacientes do que os conceitos verdadeiramente determinados pelo método científico? Será que estes pacientes não sabiam que o que a ciência comprova e publica em revistas científicas é lei, é verdade, e deve ser seguido à risca sobre pena deles não se curarem?

Ora, é claro que se Pilatos conhecesse o método científico, a pesquisa, os testes t de Student, as regressões logísticas, as análises multivariadas, etc. etc. ele não teria perdido tempo perguntando a Cristo: “Que é verdade?”

A verdade é a ciência e pronto! Ela é tão verdadeira, que até 1980, os médicos tinham certeza de que a principal causa da úlcera péptica gastroduodenal era o estresse. Havia até um aforismo aprendido por todos: “Sem ácido, não há úlcera!”.

E inúmeras foram as dissertações de mestrados e teses de doutorados, publicadas em revistas de renome internacional, fazendo a apologia ao tratamento cirúrgico da úlcera péptica.

Eu mesmo (que Deus e, principalmente, os meus pacientes me perdoem), durante a minha residência de cirurgia, operei diversos doentes ulcerosos… Mas, um dia, a verdade, cientificamente comprovada e publicada, foi ousadamente questionada por dois médicos australianos, os Drs. Barry M arshall e Robin Warren:

– Nada do que se sabe da origem das úlceras é verdade; elas são causadas por uma bactéria, o H. Pylori.

É claro que os dois foram ridicularizados na época; suas palestras e comunicações eram motivos de chacotas e risos.

No entanto, do ceticismo inicial – a ponto de nenhuma revista ligada a medicina ter aceitado os seus trabalhos-, hoje, após uma lenta e difícil batalha, tratamos os ulcerosos não mais com cirurgia e sim com anti bióticos. Veja caro leitor, como as verdades cientificamente comprovadas na medicina são sólidas… O que ontem era lei, hoje é lixo; o que hoje é ridicularizado, amanhã pode ser lei. Portanto, a pergunta agora não é mais “Que é verdade?”, mas sim, “Quem está com ela, com a verdade?”.

Os devoradores de artigos médicos? Os professores universitários assoberbados de conhecimentos, capazes de ler toda a biblioteca de Alexandria, mas incapazes de saber o significado da palavra AMOR? “Os arrogantes que acham que só têm um ponto de vista que vale: o dele?” Quem?! Por favor, se alguém souber quem é o dono da verdade, envie o nome para meu o e-mail (edilsonpinto@uol.com.br), pois adorarei conhecê-lo.

Afinal, por saber tão pouco – aliás, assim como Sócrates: “Só sei que nada sei!”-, só sei que entre o céu e a terra há mais mistérios do que pode imaginar a nossa vã filosofia, como alertava Shakespeare. Mistérios, que estão além do nosso alcance, da nossa limitada consciência.

Mistérios, que não explicam como um doente pode melhorar apenas com um bom dia, com um aperto de mão, com uma música ou livro lido na sua cabeceira.

Mistérios, citados no artigo do Dr. Sigwart Ulrich, publicado na revista Science, mostrando que doentes operados de vesícula se recuperavam melhor quando a janela do seu quarto hospitalar abria para um bosque, ao invés daqueles cuja janela dava para um estacionamento… Mistérios! Não é à toa, caro leitor, que o julgamento de Hipócrates inicia-se assim: “Juro por Apolo Médico, por Esculápio, por Higéia, por Panacéia e por todos os deuses e deusas, tomando-os como testemunhas…”.

Ele sabiamente percebeu que a fé, a crença, é algo tão importante quanto um bisturi ou um quimioterápico poderoso… Por isso que o Dr. Lown, aquele que ganhou o prêmio Nobel da Paz, certa vez disse: “A melhor cura será aquela que casar a arte com a ciência, quando o corpo e espírito forem examinados juntos”.

Francisco Edilson Leite Pinto Junior é professor, médico e escritor