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Lixo se acumula em cidade com greve de terceirizados

Do Jornal de  Fato e Blog Carlos Santos

É crescente o acúmulo de lixo em Mossoró. A coleta está suspensa devido greve de trabalhadores da terceirizada Vale Norte, que teve contrato para o serviço ‘engordado’ por aditivos, mas não paga trabalhadores.

Trabalhadores fizeram movimento já hoje pela manhã em frente à empresa (Foto: cedida)

Grande parte dos garis da terceirizada Vale Norte continua de braços cruzados e não realiza a coleta de lixo nos bairros de Mossoró. Eles estiveram em frente à sede da empresa no município na manhã desta segunda-feira, 12, em protesto pela atraso no pagamento do mês de novembro.

De acordo com a diretora da regional de Mossoró do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Higienização e Limpeza do Rio Grande do Norte (Sindlimp/RN), Aldeísa Sousa, os trabalhadores não realizaram o trabalho durante o fim de semana.

Com perspectiva de receber incontável número de fiéis para procissão de Santa Luzia amanhã,

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Prefeito faz 3º aditivo com mesma empresa de limpeza

Do Jornal de Fato

Às vésperas da decisão judicial que o impediu de assinar novos contratos até o fim da gestão, o prefeito de Mossoró, Silveira Júnior (PSD), assinou novo contrato com a empresa baiana Vale Norte, para execução do serviço de limpeza urbana da cidade.

Mais um contrato sem licitação (Foto: arquivo))

O novo contrato emergencial e sem licitação foi publicado no Jornal Oficial do Município (JOM) desta quarta-feira (9), um dia antes de a Juíza Substituta da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Mossoró, Andressa Luara Holanda Rosado Fernandes, acatar pedido do Ministério Público Estadual (MPRN) e determinar que Silveira se abstenha de realizar novos contratos até o fim do ano.

O novo compromisso com a Vale do Norte é por mais seis meses, até 4 de maio de 2017, e a empresa vai receber mais R$ 12.252.217,20.

O que mais chama atenção é o reajuste no valor global: quase 30%.

Em pouco mais de sete meses depois, o contrato de seis meses com a Vale Norte saltou de R$ 9.582.519,36 para R$ R$ 11.978,149,20.

É a segunda vez que o prefeito de Mossoró amplia o contrato com a empresa baiana.

Depois de ser contratada sem licitação em maio de 2016, a Vale Norte ganhou aditivo de R$ 2.395.629,84 em setembro, por um contrato com duração de um mês e dois dias, de 6 de outubro de 2016 a 10 de novembro de 2016.

Apesar de conseguir assinar o contrato novo com a Vale Norte, já que o impedimento do judiciário só começou a valer nesta sexta-feira (11), Silveira vai ter que contar com o aval do MPRN para fazer qualquer pagamento à empresa.

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Aterro Sanitário é ameaça à saúde, à natureza e à economia

Inocentemente e dia após dia, a população de Mossoró alimenta uma bomba-relógio prestes a explodir, com consequências difíceis de serem dimensionadas à saúde, ao meio ambiente e à economia regional. O Aterro Sanitário de Mossoró, que não passa de um lixão confinado e a céu aberto, com acesso restrito a poucas pessoas, é esse equipamento em questão.

Estranhamente, organismos de fiscalização ignoram – ou fazem vista grossa – para o perigo iminente e continuado do aterro, localizado à margem esquerda da BR-110, saída para Areia Branca.

Ele entrou em operação em outubro de 2007 (criado pela Prefeitura em parceria com a Petrobras), ocupando uma área de aproximadamente 17 hectares (163 mil metros quadrados). Na época, o investimento chegou a R$ 3,3 milhões. Sua vida útil seria de dez anos.

Urubus do lixão que tem apelido de Aterro Sanitário e é ignorado quanto a perigo que representa (Foto: Blog Carlos Santos)

Recebe diariamente, em média, 150 toneladas de lixo exclusivamente domiciliar, conforme informações que circulam de forma extraoficial na própria Prefeitura de Mossoró.

O projeto foi concebido para operar com um total de seis células (espécie de ‘tanques’). Hoje, todas elas se encontram completamente ocupadas e a vida útil do aterro, prevista no projeto inicial, já está praticamente esgotada.

Sua operação atual depende exclusivamente de adequações (gambiarras) que dificilmente seriam permitidas num negócio da iniciativa privada, do comércio à indústria. Órgãos ambientais fiscalizadores e o Ministério Público do RN parecem desconhecer as ameaças da operação continuada do Aterro Sanitário de Mossoró.

Chorume ameaçador

O Aterro Sanitário teve sua expansão baseada em paliativos que põem em risco tudo em sua volta num raio de vários quilômetros. A possibilidade de inverno nos próximos meses torna tudo ainda mais ameaçador. Implodindo, certamente seu chorume desaguará no Rio do Carmo e a partir daí, passará a comprometer produção da carcinicultura, pesca e mais de cinco grandes salinas adiante, bases importantes da cadeia econômica da região – com oferta de milhares de empregos diretos e indiretos.

O chorume, também chamado por líquido percolado ou lixiviado tem cor escura e odor nauseante, originado de processos biológicos, químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos. Esses processos, somados com a ação da água das chuvas, se encarregam de expandir compostos orgânicos presentes nos lixões para o meio ambiente.

Lixo domiciliar já esgotou capacidade do aterro e o pior poderá acontecer (Foto: Blog Carlos Santos)

“É uma mistura de água e resíduos da decomposição do lixo. Pode infiltrar-se no solo dos lixões e contaminar a água subterrânea, com alta concentração de demanda biológica de oxigênio (DBO)”, comenta um especialista no assunto, em conversa com esta página, mas pedindo para ter seu nome preservado.

Em seu entorno, esse equipamento público tem larga expansão imobiliária também, que passa a sofrer a ameaça de contaminação de subsolo. Os empreendimentos correm risco de serem ‘banhados’ pelo chorume através do lençol freático e emissões atmosféricas não controladas.

Ao longo dos últimos anos, a Prefeitura de Mossoró apostou no aumento da altura das células (projeto original prevê 5 metros e hoje encontram-se expandidas para 10 metros), lagoas de chorumes subdimensionadas e outras medidas que apenas adiam uma tragédia agora anunciada por este Blog em primeira mão.

As células estão tomadas por urubus, roedores e outros vetores de doenças. Complica mais ainda a situação, a reinjeção de chorume de modo continuo nas células, com riscos de transbordamentos da lagoa durante o período de chuvas. A fórmula nada recomendável, é como se tivéssemos diante de um automóvel turbinado que daqui a pouco vai gerar uma arrancada sem controle.

Aterros no RN

No Rio Grande do Norte existem apenas três aterros sanitários em operação e que atendem 12 cidades. São os aterros de Ceará-Mirim (controlado e operado pela Braseco S/A, com demanda de 1.200ton./dia), Mossoró e Upanema (controlados pela Vale Norte, desde abril de 2016).

Isso significa que apenas cerca de 7% dos municípios do Rio Grande do Norte cumprem, ainda que de maneira precária, as determinações da Politica Nacional do Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei 12.305.

O aterro da Braseco, em Ceará-Mirim, é o destino dos lixos produzidos em dez cidades: Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Ceará-Mirim, Parnamirim, Rio do Fogo, Ielmo Marinho, Maxaranguape, Taipu e Natal.

De acordo com informações publicadas no próprio portal da Prefeitura Municipal de Mossoró, o contrato emergencial firmado com a empresa Vale Norte prevê, em seis meses, o pagamento de R$ 1.500.000,00/mês, referentes à coleta e destinação do lixo em Mossoró. Desse montante, 50% do valor referem-se à coleta e os outros 50% referem-se ao gerenciamento do aterro municipal.

Importante salientar, que o governo do prefeito Francisco José Júnior (PSD) já assegurou um aditivo que jogou os números para cima, claro: R$ 11.978.149,20.

Números milionários

Bote nessa conta de números sempre milionários e que parecem alheios à fiscalização, a licitação para limpeza urbana e gestão do Aterro Sanitário, que a Prefeitura tentou realizar. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) freou o processo (veja AQUI) a pedido do Ministério Público de Contas.

O contrato que seria licitado terça-feira (25) teria duração de 36 meses com valor limite estipulado de quase R$ 150 milhões (R$ 149.943.311,28). Seriam quase R$ 50 milhões por ano, números superiores até aos da capital (Natal).

O gerenciamento do aterro de Mossoró é mais caro que o aterro sanitário da Prefeitura de São Paulo (85,00/ton.) e mais caro que o aterro da Braseco (55,27/ton.). No contrato emergencial assinado por seis meses com a Vale Norte, o valor per capita referente ao serviço de limpeza urbana é de de R$ 5,47/habitante/mês, enquanto que na licitação que estava prevista para hoje o valor per capita sobe para R$ 14,27/habitante, quase o triplo.

Sanepav faturou mais de 28 milhões só no ano eleitoral de 2014 (Foto: Mossoró Notícias)

A conta não fecha, quando o prefeito e secretários dão entrevistas e asseveram que a Prefeitura de Mossoró garante 42,00/toneladas à destinação do lixo ao aterro sanitário (veja AQUI). A Sanepav Saneamento Ambiental Ltda.(originária de Barueri-SP) é empresa que anteriormente fazia esses serviços em Mossoró. Desembarcou na cidade na gestão Fafá Rosado (PMDB) em 2005. Empalmou mais de R$ 145 milhões de 2009 a início de 2016.

Em 2015, a Sanepav empalmou mais de R$ 20 milhões. Em 2014, um ano com duas eleições (pleito municipal suplementar e eleições estaduais), os números foram ainda mais cevados, passando dos 28 milhões.

A Sanepav briga na Justiça para voltar à bonança. Por trás dela, existem histórias muito nebulosas que misturam política com contratos. Daria um romance policial intrigante, de fazer inveja a Agatha Christie. Tudo fede muito mais do que o lixão.

Grandes geradores

O atual contrato, em vigência, com a Vale Norte (empresa sediada em Juazeiro-BA), teve amparo na lei 8.666/93, que em seu artigo 24, inciso IV, permite que a dispensa de licitação aconteça em caso de “emergência e calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança das pessoas”. O contrato emergencial foi assinado pelo período de 6 meses.

Com base na lei 12305/2010 o recolhimento de materiais volumosos como entulhos, material de construção, podas ou derrubada de árvores e demais materiais não domésticos, é de total responsabilidade de quem o produz. Estima-se que, atualmente a Prefeitura de Mossoró gasta cerca de 30-40% com a coleta e destinação indevida que deveria ocorrer por conta do grande gerador.

Em Mossoró, pouquíssimos grandes geradores fazem sua parte nesse processo. O Shopping Partage é um desses raros e bons exemplos, como também o Maxxi e Hiper Bom preço. O Partage Shopping chega a produzir e remover cerca de 24 toneladas de lixo por mês.

Supermercados, clínicas, hospitais, restaurante, hotéis, shopping, clínicas, escolas particulares, hospitais, industriais são considerados ‘grandes geradores’ do lixo domiciliar. Mas a enorme maioria se exime de dar destino a seu lixo e a Prefeitura de Mossoró também não os cobra, comprometendo a própria coleta geral em relação à enorme maioria dos residentes.

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Licitação milionária é criticada por fazer do lixo um “luxo”

O vereador Lahyrinho Rosado (PSB), utilizou a tribuna da Casa Legislativa nesta terça-feira, 25, durante sessão ordinária realizada na Câmara de Mossoró, para denunciar licitação milionária e suspeitíssima que a gestão Francisco José Júnior (PSD) insiste em realizar. Trata-se de procedimento relativo à limpeza urbana.

Lahyrinho classificou o caso como um "absurdo total", pleonasmo que dá medida do problema (Foto: Edilberto Barros)

Segundo o parlamentar, a Prefeitura de Municipal de Mossoró foi barrada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) – Veja AQUI). Ainda de acordo com Lahyrinho, o valor per capita pelo serviço de limpeza urbana saltaria de R$ 5,47/habitante/mês para R$ 14,27/habitante/mês o que corresponderia a um aumento de 261%.

Atualmente, a empresa Vale Norte realiza o serviço e foi contratada sem licitação, além de ter ganho aditivo, totalizando R$ 11.978.149,20 só este ano.

“O lixo é um luxo. Essa frase retrata a realidade de Mossoró, que paga milhões a empresas para fazer a coleta de lixo na cidade. Mas, agora esse absurdo ultrapassou todos os limites. Já vi ao longo da história um aumento de 20%, mas 261% é demais”, disse.

Absurdo total

Na oportunidade, Lahyre Neto comparou o preço pago para a realização do mesmo serviço na capital do estado. “Em Natal cada habitante paga um valor de R$ 6,73 por mês. Com esse novo contrato de quase R$ 150 milhões pagaríamos aqui em Mossoró R$ 14,27. Um absurdo total”, considerou.

Ainda em seu pronunciamento, Lahyre recordou que a última licitação feita em Mossoró foi no ano de 2005. ‘A última vez que teve licitação em Mossoró foi em 2005. Ou seja, há 11 anos, que vemos apenas contratos diretos e aditivos, sem que haja licitação, uma disputa pelo menor preço”, ressaltou.

Decisão

Durante a sessão ordinária, Lahyre Neto falou sobre a decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em suspender licitação que aconteceria nesta terça-feira, 25.

“Apesar do TCE ter suspendido, anteriormente, esta licitação que contrataria a empresa para prestar este serviço, a Prefeitura de Mossoró continuou realizando. Precisou de mais duas decisões da justiça para que eles parassem com a licitação”, comentou.

Nota do Blog – Absurdo total é que a empresa que anteriormente fazia esse trabalho, a Sanepav, faturou mais de 145 milhões no período de sua atuação, praticamente passando incólume à fiscalização, como se fosse a coisa mais natural do mundo drenar tanto dinheiro do erário.

A próxima legislatura deve promover uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar essa gastança. Ou será que teremos mais uma legislatura apenas para endossar tudo que o Executivo faz?

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