Sem uma Reforma de Estado, não chegaremos a bom termos em relação a controle de custos da máquina. Todos os poderes e não apenas o Executivo, precisam apertar cintos.
Cobrar do Governo Robinson Faria (PSD) é fácil. O Estado é uno, mas seu custo é nosso (os contribuintes), por inteiro. Suas subdivisões são de ordem técnico-legal.
Reduzir gastos daqui e dali no Governo, com outros poderes esbanjando, pulverizando todo tipo de “vantagem legal” pros seus, é uma aberração.
Cada poder, cada órgão de Estado, precisa começar faxina em casa, promover lipoaspiração extrema de suas gorduras, olhar logo pro próprio rabo.
Culpa de não termos segurança, saúde, educação etc. não é só do Governo e muito menos apenas do episódico governante. Não sejamos ingênuos.
Estado do RN está falido, mas parte de sua elite estatal (maioria) não está nem aí. Cada um quer o seu – mais e mais – e o resto se lasque.
Fácil falar do governador de hoje, como falávamos de quem o antecedeu. Ladainha alcançará o próximo, se a cultura da expropriação continuar.
O que ocorre na União, além de estados federados riquíssimos como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, prova que a má-fé, incompetência e desrespeito ao povo nos levaram ao caos.
Não temos polícia nas ruas, não temos esparadrapo em hospitais, não temos escola decente, mas sobram bilhões para festins esportivos no país.
Esse é o nosso país e seus estados – Federal e federados – no subsolo do fundo do poço. E, nós, cidadãos, soterrados por eles.
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Em três dias, o governador Robinson Faria (PSD) espera ter em mãos para divulgar à opinião pública, um quadro geral das contas do Estado. Hoje, esses dados ele não possui.
Ouvido pelo Blog Carlos Santos à manhã de hoje, quando cumpria agenda de visita à empresa A&C no bairro Pereiros, Mossoró, Robinson evitou juízo de valor.
Preferiu não rotular o Governo Rosalba Ciarlini (DEM) com uso da pecha de má-fé.
Para ele, a transição entre as duas gestões foi marcada por “uma certa desorganização”.
Por mais que houvesse interesse em se fazer uma radiografia exata, da situação, não foi possível.
Quando ainda estava prestes a assumir o Governo do Estado em 1º de janeiro de 2011, Rosalba Ciarlini – através de seus porta-vozes – apontava que receberia um “rombo” da ordem de R$ 1,2 bilhão.
Passados alguns meses, falou-se em coisa aí de 1 bilhão.
Mais um pouco de tempo, os números oscilaram de R$ 800 milhões para pouco mais de R$ 600 milhões.
Pedro Lopes de Araújo Neto, 41, natural de Natal/RN, está à frente de um movimento para fortalecimento do Fisco do Estado do Rio Grande do Norte, através do sindicato da categoria, o Sindifern. O pensamento do setor, é que o governo estadual está sucateando esse serviço estratégico e as consequências podem ser aterradoras a curto e médio prazos.
Auditor Fiscal do Rio Grande do Norte desde 1998, mestre em Contabilidade pela Universidade de Brasília (UNB), professor do Departamento de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), dirigente do Sindifern desde 2003, ocupando os cargos de diretor financeiro (2003-2005), diretor social (2005-2007), vice-presidente (2009-2011), diretor de formação sindical (2011-2012), e no exercício da presidência desde agosto de 2012, ele fala ao Blog sobre temas pertinentes ao setor.
Pedro Lopes fala a colegas do Fisco e mostra futuro sombrio para o erário do Rio Grande do Norte (Foto: Assessoria do Sindifern)
Blog do Carlos Santos – Presidente, o sindicato que o senhor está dirigindo tem denunciado o sucateamento da Secretaria Estadual da Tributação. O que indica essa situação e desde quando ela ocorre?
Pedro Lopes – Basicamente temos dois problemas relevantes que devem ser resolvidos. Primeiro destacamos a falta de investimento na informática para armazenar e processar os dados dos contribuintes do Estado do RN. Atualmente o trabalho de acompanhamento, controle e arrecadação de tributos, além da auditoria de empresas, é realizado com o uso intensivo de tecnologia de informação, e essa carência pode comprometer os resultados da arrecadação. Segundo problema está na fiscalização de mercadorias em trânsito. Apesar da informática, o olhar humano sobre o que de fato existe na carga de um caminhão nunca será substituído. Mas para isso precisamos de novos veículos. Os nossos foram adquiridos em 2005, e hoje alguns tem quilometragem superior a 300 mil quilômetros, que representa risco para a vida dos servidores.
Os postos fiscais também precisam de melhor estrutura física, como balança para conferências de cargas, scanner, e outros componentes que auxiliem a fiscalização, além de melhor acomodação para os servidores. Infelizmente esse é um problema que existe há muitos anos e vamos passando com soluções paliativas. Pleiteamos a instituição do Fundo Tributário (FUNDAT), que resolverá definitivamente os problemas de aparelhamento da administração tributária estadual.
BCS – Mesmo com crescente arrecadação, o Governo do Estado tem se queixado de insolvência, um déficit que comprometeria o pagamento de custeio da máquina, novos investimentos e cobertura de reajustes salariais. Qual a visão dos servidores do Fisco sobre essa questão. Há essa “quebradeira”?
Pedro Lopes – Nenhum governo, seja federal, estadual ou municipal, administra recursos com folga financeira. Isso é fato. Aqui no Estado do RN, apesar do crescimento extraordinário das receitas nos últimos 12 anos, as despesas públicas também aumentaram, algumas em proporção superior. Acreditamos que a questão fundamental é a definição das prioridades, e o mais democrático seria o Governo Estadual repartir os superávits de receita com o custeio, investimento e servidores públicos. Infelizmente o funcionalismo só tem conseguido recuperação salarial por meio de atividade paredista ou pela justiça.
BCS – Num comparativo com outras unidades da Federação, o Rio Grande do Norte tem conseguido consideráveis resultados com sua máquina arrecadadora. Como isso é possível diante de tanto desestímulo do pessoal, frieza do governo em relação ao setor e precariedade material-estrutural?
Pedro Lopes – Os auditores fiscais do RN sabem da sua responsabilidade social. Nosso trabalho proporciona cerca de 45% dos recursos que o Governo utiliza para administrar o Estado, número superior a R$ 4 bilhões para 2012. Por isso temos como princípio buscar a solução negociada, à exaustão, para que não haja prejuízo para a sociedade. Até hoje mantemos o ritmo de trabalho. Mas depois de 20 meses, 17 reuniões sem solução efetiva, paramos nossas atividades no último dia 21 de setembro, Dia do Auditor Fiscal, para protestar, e já anunciamos uma nova paralisação, agora de 48 horas, nos dias 01 e 02 de outubro, caso o Governo não apresente resposta satisfatória para as nossas reivindicações.
BCS – O Blog ouviu depoimentos de fontes ligadas à SET que apontam para um suposto aparelhamento político e protecionismo politiqueiro no âmbito dessa pasta? Até certos servidores sob pesadas denúncias de corrupção estariam sob denso manto da blindagem. O sindicato tem informações sobre o assunto?
Pedro Lopes – Denuncias existem em todos os segmentos da sociedade, seja público, seja privado. Nosso órgão tributário não está imune a isso. Sabemos sim sobre essa denúncia, que inclusive já foi objeto de instauração de processo e está sendo apurado pela Corregedoria do Fisco. Mas é preciso que não haja julgamento precipitado, para não se cometer injustiças. Acreditamos que a SET está apurando de forma adequada a questão.
Protestos estão se fortalecendo no atual governo
BCS – Há tempos os auditores fiscais defendem a instituição do teto único no Estado. Explique didaticamente como é essa proposta e por que ela não avança?
Pedro Lopes – Em 2003, a Constituição Federal determinou que o limite máximo de remuneração dos servidores estaduais do poder executivo seria o subsídio do Governador, podendo ser o subsidio do Desembargador (art. 37, XI, da CF). Desde então, os auditores fiscais, apesar de naquele ano (2003) receberem em média 50 % do salário do Governador, já defendiam que a remuneração dos servidores públicos não podia estar limitada a um agente político (governador), que inclusive não vive de salário, pois o Estado lhe fornece residência, alimentação, transporte, entre outros benefícios. Defendíamos, e continuamos defendendo, o teto máximo com base num servidor público, um magistrado, como acontece no Governo Federal. Passados quase 10 anos, nossa tese estava certa.
A remuneração da Governadora do RN está congelada desde 2002, com perspectiva de variação somente em 2015. Outro problema, a remuneração da Governadora (enfatizamos: fixada em 2002) não segue o ditame constitucional, que seria percepção por meio de subsídio, que deve ser uma parcela única, e sobre ela não deve incidir nenhuma outra verba (art. 39, § 4º, da CF). Aqui no RN a governadora tem sua remuneração composta em duas parcelas, distorcendo o conceito constitucional de subsídio. Em virtude disso, não se aplica limite a remuneração dos servidores públicos estaduais, e hoje temos centenas recebendo acima do máximo permitido pela Constituição Federal.
ECONOMIA PRO ERÁRIO – Os auditores fiscais, apesar de alguns estarem nessa situação, defendem a limitação nos salários. Com a instituição do teto único remuneratório, ou seja, salários limitados ao subsídio do desembargador, estima-se que o Governo economizará R$ 40 milhões por ano, segundo informação passada por secretários do Estado. Sobre o porquê do não avanço no projeto, sabemos que no primeiro momento havia uma dúvida em relação ao possível crescimento da folha de pagamento. Mostramos que o efeito hoje é inverso, reduz os gastos com pessoal. Outro problema é a pressão de algumas pessoas que recebem acima do teto. Entendemos que ninguém quer perder salário, mas é preciso ter limite. A sociedade, inclusive, clama por isso. Além disso, temos um poder judiciário que certamente analisará e protegerá os casos de irredutibilidade de salário.
BCS – Até os anos 90, a Tributação e o Planejamento eram uma pasta só. No Governo Garibaldi Filho houve o desmembramento. Isso se mostrou nocivo a médio e longo prazos para o funcionamento do Fisco ou o conflito de hoje não tem relação com esse fato?
Pedro Lopes – A criação da Secretaria de Estado da Tributação ocorreu em 1995, desmembrando-se do Planejamento, como você citou com propriedade. Foi um projeto pioneiro no Brasil e havia muitas incertezas sobre o seu sucesso. Passados 17 anos, entendemos que o resultado foi positivo. O trato direto com o Governador de Estado trouxe mais agilidade para a gestão da administração tributária. Problemas orçamentários de fato ocorrem atualmente, mas certamente estaríamos na mesma situação, ou até mesmo pior, se tivéssemos um intermediário.
BCS – O cumprimento da lei da gratificação de prêmio de produtividade e implantação do Fundo de Desenvolvimento da Administração Tributária (FUNDAT) são os pontos mais delicados dessa crise entre Fisco e Governo ou existem outros agravantes?
Pedro Lopes – Pleiteamos a implantação do FUNDAT, que certamente potenciará os resultados da administração tributária do RN, ganhando principalmente o Governo e a sociedade com os recursos excedentes arrecadados. Temos outras pendências, mas a falta de cumprimento da lei de produtividade desde 2010 está ocasionando uma insatisfação crescente na categoria. Temos uma lei de 2000, onde o Governo estabeleceu um contrato de meritocracia com os auditores fiscais: se ultrapassássemos as metas de arrecadação, seriamos premiados com reajuste da nossa produtividade. A partir de então a arrecadação de ICMS do RN cresceu mais que o seu próprio PIB, que a média do Nordeste e a brasileira. Em 2012, arrecadaremos de ICMS R$ 200 milhões a mais que o estipulado; será quase R$ 500 milhões a mais que 2011.
Fizemos a nossa parte, queremos a contrapartida, que é tão somente o cumprimento da Lei 7.824/2000 (Lei da Produtividade). Enfim, Carlos, se o governo reclama de queda da arrecadação do FPE (Fundo de Participação dos Estados) em torno de R$ 180 milhões esse ano, deveria investir pesado em sua própria máquina arrecadadora, que é o fisco estadual, para compensar tais prejuízos. Investir na SET e nos seus servidores é investir no aumento das receitas próprias. E com mais recursos, o Estado pode realizar mais obras, investir mais na saúde, educação, segurança, enfim, realizar mais políticas públicas em benefício da sociedade, sem ficar refém do Governo Federal.
Uma coisa é ter garantia orçamentária para aumento/reajuste salarial, outra coisa é ter garantia financeira.
No Rio Grande do Norte, é comum misturarem tudo – conforme a conveniência. Costuma vale a força do mais forte, numa seleção baseada na força e não necessariamente na lei e bom senso.
Se há meios orçamentários, pode existir aumento. Sem o lastro financeiro, não.
Mas na prática, não é bem assim. Sobretudo para os barnabés – como professores, policiais etc. Eles pagam o “pato” e a conta.
Nada é por acaso. E em se tratando de política, em Mossoró, mais ainda.
A luta fraticida pela ocupação do Palácio da Resistência, sede do governo municipal, em parte considerável pode ser entendida pela movimentação financeira que acontece a partir do seu endereço.
Este ano, a Prefeitura de Mossoró deve movimentar cerca de R$ 500 milhões em receitas próprias, transferências constitucionais e outros recursos.
Para o próximo ano, último da segunda gestão da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, a estimativa é ainda superior a esses R$ 500 milhões.
Simplificando… em apenas dois anos, a municipalidade irá “mexer” com uma montanha superior a R$ 1 bilhão.
Isso mesmo. Vou repetir para que você, webleitor, possa decorar: serão mais de R$ 1 bilhão flutuando no erário.
Assim, creio, fica mais fácil o cidadão comum e muita gente “esclarecida” entender por que alguns “adoram Mossoró” mais do que outros.
O Governo do Estado tem dois caminhos como opção, na relação litigiosa com pelo menos seis categorias funcionais, que continuam em greve. São excludentes.
Uma é continuar apostando no confronto, para cansar os grevistas, utilizando táticas de terrorismo psicológico como ameaça de corte de ponto e retenção salarial.
Outra é a saída pela via negociada.
O erário capitaliza-se. Ganha tempo, mesmo que a um alto preço em termos de imagem e para o cidadão, que tem serviços importantes sob comprometimento, como segurança e educação.
O “cabo-de-guerra” também precisa ser visto sob outro ângulo: o “day-after” (dia seguinte).
Como milhares de trabalhadores vão retornar ao trabalho, após essa desgastante convivência inicial com o governo empossado no dia 1º de janeiro deste ano?