
Mossoró amanheceu em convulsão. Em chamas.
Taxistas intermunicipais insatisfeitos com decreto da Prefeitura de Mossoró, que disciplina a circulação deles, restringindo locais para embarque/desembarque de passageiros, reagiram de forma radical.
Eles amanheceram interditando algumas estradas de acesso à área urbana de Mossoró. Obstruíram pistas de rolamento com os próprios veículos e queimaram amontoados de pneus velhos.
Os maiores problemas foram causadas nas RN´s 117 e 110, que respectivamente ligam Mossoró ao Oeste e região Salineira.
A movimentação radicalizou, pois chegou praticamente ao centro da cidade.
Ponte fechada
A ponte Jerônimo Rosado, que liga o Grande Alto de São Manoel ao trecho central de Mossoró, também foi fechada com pneus. A polícia interveio, houve bate-boca, mas terminou desobstruindo a via sobre o rio Mossoró.
Nas redes sociais, sobretudo em grupos fechados do aplicativo conhecido como “WhatsApp”, essa movimentação vinha sendo articulada, organizada e incentivada há dias. Hoje, desaguou em fúria.
A Prefeitura de Mossoró queria implantar as mudanças no trânsito no início de junho. Recuou com a interveniência de entidades empresariais, dos próprios taxistas, uns poucos vereadores. Temia o que ocorre hoje em plena festa “Cidade Junina”.
Houve adiamento das medidas e abertura de diálogo, sobretudo com a passagem do vice-prefeito Luiz Carlos Martins (PT) pela interinidade do Governo Municipal. Ele próprio sustou pela segunda vez o decreto.
Mas com o retorno do prefeito Francisco José Júnior (PSD) à plena atividade, a decisão foi exumada, mas excluindo representantes do empresariado do debate para se encontrar a melhor forma de aplicar as alterações.
Só promessa
A promessa governista era de que Acim, Sindivarejo e CDL seriam ouvidos antes de qualquer decisão final. Só promessa.
O prefeito chegou a posar à semana passada ao lado de representantes dos taxistas, propagando que tudo estava saneado e resolvido em definitivo. Sabia que não.
“Vendeu” a imagem para sugestionar os focos de insatisfeitos, mas não obteve resultado. A revolta hoje é maior. Espalha-se como uma metástase.
O problema está longe de ser resolvido, essa é a realidade.
Cerca de dois mil taxistas e condutores de vans intermunicipais despejam diariamente mais de 10 mil pessoas de mais de 90 municípios em Mossoró.
Em alguns períodos, calcula-se que essa multidão passe de 25 mil pessoas/dia. Pagam por bens e serviços.
Pesquisa recente (veja AQUI) bancada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (FECOMÈRCIO) revelou a força desse contingente para a economia de Mossoró. Mas isso parece está sendo ignorado pelo prefeito e seus asseclas.
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