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Samba do Arnesto

Por Paulo Linhares

“O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás/ Nóis fumo e não encontremos ninguém/ Nóis vortemo cuma baita duma reiva/ Da outra veiz nóis num vai mais/ Nóis não semos tatu!” Estes versos de Adoniran Barbosa, remetem a uma reflexão sobre os fatores que fizeram Ernesto Fonseca de Araújo, um maluco nada beleza, assumir o comando do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no governo Bolsonaro.

Diplomata de carreira, Araújo foi sempre tido por seus pares como uma figura exótica, sobretudo, por suas atitudes contraditórias que vão da aceitação de desmedida de posturas ultra direitistas à defesa de Dilma Rousseff, não na condição de presidente da República, mas, na sua atuação de combatente contra a ditadura militar de 1964. E neste caso, para manter uma sinecura na embaixada brasileira em Washington.Mesmo alçado ao posto máximo da carreira diplomática – o de embaixador – Araújo jamais comandou os interesses do Brasil no exterior, sobretudo, as legações situadas em países mais importantes: o famoso “circuito Elisabeth Arden” (Washington-Londres-Paris-Roma). Nem pensar: seria complicadíssimo que Ernesto viesse representar o Brasil, na condição de embaixador, até de  postos diplomáticos brasileiras menos glamourosos mantidos noutros países.

Eleito presidente, Bolsonaro quis mimar o círculo mais empedernidamente crescente do seu ideário direitista no governo, sob os auspícios da “nova política”. Para tanto, escolheu dois dos discípulos do malcriado astrólogo Olavo de Carvalho como ministros de pastas importantes: Ernesto Araújo, para as Relações Exteriores, e o colombiano Ricardo Vélez, para o Ministério da Educação. Essas escolhas causaram não apenas enorme espanto, mas, se transformaram  em fontes de  graves e intermináveis crises políticas.

Aliás, isto sem falar que o cenário da política brasileira se tornou mais carregado com a desnecessária desavença aberta pelo próprio Bolsonaro contra o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, onde tem rolado um forte estresse, com farpas duríssimas de lado a lado. Um verdadeiro ninho de canção, onde ninguém se entende.

No plano externo, passado o triste episódio do beija-mão que Bolsonaro fez com Donald Trump, o próximo destino do presidente brasileiro será Israel. É previsível um rosário de gafes e, sobretudo, o recrudescimento de uma séria crise diplomática com os países de Liga Árabe que poderá trazer prejuízos econômicos imponderáveis para o agronegócio do Brasil. O presidente e seu ministro das relações exteriores resolveram literalmente “cutucar o cão com vara curta”.

Primeiro, quando dão à política exterior brasileira um forte marcador ideológico, na medida em que são nossos parceiros preferenciais aqueles países que, atualmente, têm governo de direita ou de extrema direita. Errado os interesses comerciais e de cooperação em diversos domínios devem balizar as relações internacionais. Segundo, por desprezar parceiros comerciais importantíssimos como os endinheirados países árabes e a grande potência econômica mundial que é a China. No atual momento difícil por que passa a economia brasileira, essa postura pode ser tida, no mínimo, irresponsável, equivocada e contrária aos interesses nacionais. Imitar Trump na condução da política externa brasileira é uma estupidez sem tamanho.

O ministro Ernesto Araújo, superou todas as expectativas ao afirmar, recentemente, que em 31 de março de 1964 não houve um golpe militar, que não considera que tenha havido um “golpe” no país em 1964. Segundo ele, o que houve na ocasião foi um “movimento necessário” para que o país não se tornasse uma “ditadura”, declaração de Araújo que foi dada em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados: “Vossa Excelência me perguntava se eu considero 1964 um golpe. Eu não considero um golpe. Considero que foi um movimento necessário para que o Brasil não se tornasse uma ditadura. Não tenho a menor dúvida disso. Essa é minha leitura da história”. Coisa de doido, isto sim, essa interpretação.

Certamente, o conjunto dos diplomatas brasileiros, que não é composto de petistas ou assemelhados, convive mal com o atual chanceler brasileiro e suas imponderáveis invectivas. Ora, um dos grandes legados da diplomacia brasileira, sob inspiração do Barão do Rio Branco, tem sido a eficiência e a discrição, para quem “um diplomata não serve a um regime e sim ao seu país”. Lição esta não assimilada o chanceler ‘Arnesto’.

Assim, Ernesto Araújo, à frente do Ministério  das Relações Exteriores, tem feito tudo para desprezar essa boa herança de Rio Branco e a tradição de eficiência da diplomacia brasileira ao promover, à sombra do belíssimo Palácio do Itamaraty, um autêntico “samba de criolo doido”,    aumentando mais ainda as dificuldades que enfrenta o não menos confuso e autoconflituoso governo Bolsonaro.

Pior do que a negação do golpe de 1964,  só a afirmativa que fez publicamente em que disse  serem o nazismo e o fascismo resultados de “fenômenos de esquerda”. Enérgumeno até não mais poder, o chanceler de lata – versão empobrecida do “Chanceler de Ferro”, como ficou conhecido o Marechal Otto von Bismarck – talvez tenha antecipado, com esse raciocínio, a chave para interpretação dos historiadores do futuro sobre a presidência de Bolsonaro: se Hitler e Mussolini eram de esquerda, só falta culpar o PT pelo desastre em que poderá transformar-se o atual governo do capitão e seus miquinhos amestrados.

Prefiro as lições  de historiadores do porte de Richard J. Evans,  na sua obra  “A chegada do terceiro reich”, que mostra o perfil ideológico  de Hittler nas profundas de extrema-direita. E Evans não é  petista, mas, festejado professor da University of Cambridge, Inglaterra. Mesmo porque,  “Nóis não semos tatu!”

Paulo Linhares é professor e advogado

De Fufuca e outras fofocas

Por Paulo Linhares

A política brasileira, nesta quadra de atropelos, se apresenta como uma caixa de estonteantes surpresas, para não dizer mesmo que é uma autêntica “caixa de Pandora”; um cenário em que o ridículo de tantos é a constante de todos.

Ora, recentemente a ‘jihad’ da corrupção teve mais um capítulo, justo no Califado de Curitiba, que não deixa de ser caricato: foto publicado com destaque de primeira página da Folha de São Paulo (meninas e meninos  das redes sociais nem imaginam o que isto significava no passado…),  mostra o próprio Califa, Sérgio Moro, ladeado de “otoridades” outras (da magistratura, do MPF, policiais e uns poucos políticos, babões judiciários e puxa-sacos ministeriais) a assistir a estreia do filme Policia Federal – A Lei É para Todos, que tem como vedete a “Operação Lava-Jato”.

Significativa é a cena do também juiz federal Marcelo Bretas, aquele que tem um olho à Cerveró, na sessão inaugural do filme, a oferecer pipoca ao colega Moro.

A imagem, posto que ridícula, é prenhe de significados, a começar pela lembrança da avant-première do filme Triumph Des Willens (O Triunfo da Vontade), de 1934, da cineasta alemã Leni Riefenstahl, com a presença do furher Adolf Hittler em pessoa e de cúpula nazista. Mesmos risos dissimulados dos poderosos, mesmas calvas, assemelhado exagero dos figurinos, idêntico ‘cruento’ de mulheres feias (com o perdão do leitor: como não sei se existe um coletivo de mulheres feias, inventei este…), um hiato de sete décadas.

O filme da cineasta do 3º Reich  mostra o esplendor do complexo industrial-militar da máquina nazista; o filme produzido agora pelas Organizações Globo, através da Globo Filmes, retrata a atuação dessa máquina de moer empresários, políticos, fortunas e reputações, a Operação Lava-Jato, tendo como eixo a Magistratura, o Ministério Público e a Polícia Federal, essa tríade empoderada inicialmente pelos constituintes de 1988 e mantida pela ingenuidade politicamente correta dos ocupantes de todos os poleiros ideológicos.

Estranho é como os senhores do poder gostam desse ‘gênero’ cinematográfico. Vá ver que é um pouco aquele fascínio que só os espelhos despertam… Não entendi mesmo foi a tal pipoca do Dr. Bretas.

Na foto, o califa Dr. Moro, de horripilante gravata vermelha sobre camisa preta, parece não dar atenção para o mimo do colega. Moro sabe das coisa: com pipoca, tudo pode acontecer no escurinho do cinema. Assim, essa cruzada da moralidade pública levada a cabo pelo Judiciário e coadjuvada pelo MP/DPF, contra o ‘Dragão Corrupto da Maldade Petrolona’, ganhou sua expressão cinematográfica, inclusive, com a incorporação de recursos sofisticados e estonteantes efeitos especiais.

Decerto, Hollywood o espera com um reluzente Oscar de “melhor filme estrangeiro”…

Sim, um pioneiro Oscar é o mínimo que os bravos “irmãos do Norte” podem verter de gratidão pelos enormes benefícios que tiveram com a destruição por completo da poderosa indústria pesada da construção civil brasileira, a desarticulação do nosso projeto nuclear (leia-se, do submarino movido a energia nuclear) que tanto dava nos nervos de Washington e, sobretudo, a derrocada da maior empresa petrolífera do planeta, a Petrobras, a única detentora da tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas.

A ‘tchurma’ de Curitiba fez um notável trabalho em matéria de entreguismo, de fazer corar velhos entreguistas do porte de um Roberto Campos, Delfim Netto e outros do mesmo naipe. O mesmo se diga em relação a Hitler e seus asseclas, eficientes em matéria de “solução final”.

E quando pensava-se já ter visto tudo na política brasileira, até cego ver e boi voar, eis que nos surpreende a ascensão à presidência da Câmara dos Deputados do jovem e esfuziante deputado Fufuca! Sim, assim mesmo é o nome parlamentar de André Luiz Carvalho Ribeiro, médico de 28 anos, matriculado no PP do Piauí: F-U-F-U-C-A.

Com essa idade e esse nome seguramente ele não chegou à Câmara Federal com os votos do seu próprio prestígio; como soe acontecer, deve ser ele mais um desses ‘filhotes’ que infestam a representação política brasileira. Com efeito, ele é filho de Francisco Ribeiro Dantas Filho, o Fufuca Dantas(PMDB), prefeito municipal de Alto Alegre do Pindaré (MA). De lascar os tamancos.

A coisa é a seguinte: “seo” Temer foi à China, fazer negócios de Brics e deixou no comando dessa grande nau desgovernada o jovem Rodrigo Maia, presidente da Câmara.

Como o primeiro vice-presidente, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), resolveu acompanhar Temer na vilegiatura chinesa, a condução dos trabalhos legislativos, no momento mais crucial para o governo em razão de importante pauta de matérias a ser votada, ficou a cargo de quem? Do jovem deputado André Fufuca (PP-MA) que, para os íntimos, é apenas “Fufuquinha”, atual segundo vice-presidente  da Câmara dos Deputados. E haja fofoca nos arraiais de Brasília.

Ninguém merece.

Que São Braz, santo ligeiro, mas, nem assim tão cuidadoso, fique alerta com trovões e relâmpagos que poderão causar mais desassossego no Palácio do Planalto. Vixe!

Paulo Linhares é professor e advogado