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General Mourão diz que Temer faz “balcão de negócios”

General Mourão em foto de divulgação do Exército

Do UOL

O general do Exército Antônio Hamilton Mourão, que em setembro sugeriu que pode haver intervenção militar no Brasil, se o Judiciário não conseguir resolver “o problema político”, voltou a falar na possibilidade de atuação das Forças Armadas, caso haja uma situação de caos no país.

Mourão falou para uma platéia no “Clube do Exército” em Brasília, nessa quinta-feira (7). Atendeu convite do grupo denominado de “Tertuna” (Terrorismo, Nunca Mais).

Em sua palestra, ele criticou os governos Lula e Dilma Roussef do PT. Mas também tratou o presidente Michel Temer (PMDB) sem rodeios. Afirmou incisivamente que ele promove “um balcão de negócios” para tentar chegar ao fim do governo.

Alertou que as Forças Armadas estão atentas, para “cumprir a missão” que cabe a elas.

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Democracia entre mourões

Por Paulo Linhares

Que as instituições jurídico-políticas brasileiras estão em aguda crise ninguém duvida, a despeito do paraíso tupiniquim – um Brasil sem problemas, lindo e maravilhoso – que o presidente Temer descreveu na tribuna da ONU. Delírios à parte, enquanto o doutor Michel ‘escruviteava’ nas terras do Tio Sam  ( oh! Irma…), a sua autoridade de comandante-chefe das Forças Armadas foi terrivelmente corroída pelas declarações do General de Exército Antonio Hamilton Mourão, que exerce o cargo de secretário de Economia e Finanças do Exército Brasileiro, numa festa branca da Maçonaria, em que defendeu a intervenção militar no governo, no caso de o Poder Judiciário “não solucionar o problema político” de retirar de cena, isto é, prender, “os elementos envolvidos em todos os ilícitos”.

Foi demais.

O militar violou gravemente o estatuto da organização militar à que pertence e, sobretudo, à Constituição Federal. Militares da ativa não podem fazer esse tipo de declaração.

O impacto político dessas declarações foi enorme, porquanto nada parecido aconteceu neste país nos últimos vinte e cinco anos. Uma coisa que causou surpresa foi uma coincidência trágica e  surpreendente: foi outro Mourão, o impetuoso general Olympio Mourão Filho, movimentou o IV Exército, de Juiz de Fora ao Rio de Janeiro, para arregimentar seus pares e desencadear o golpe militar de 1964 e que lançou o Brasil numa ditadura que durou mais de duas décadas.

Aliás, o mesmo Mourão foi peça-chave do chamado “Plano Cohen: ainda mero capitão e membro da Ação Integralista Brasileira, organização política de extrema-direita, coube forjar um documento que organizava um golpe para destituir Getúlio Vargas,  uma farsa que serviu de pretexto para o golpe que deu início ao Estado Novo, uma ditadura protofascista que durou longos oito anos.

O impetuoso Mourão de agora não se apercebeu do profundo anacronismo de sua declaração. Sobretudo, não percebeu que a hegemonia política, no Brasil de hoje, está justo com aqueles que ele pretendeu chantagear: os juízes. Há muito tempo que as armas, aqui, cederam passo às togas, para lembrar mais ma vez a famosa asserção de Marco Tullio Cicero.

Contrariamente do que ocorria no passado, o grosso da população não enxerga na Forças Armadas os “salvadores da Pátria”. Para a massa ignara esse papel seria muito mais do juiz Moro, ele próprio soi-disant o anjo vingador da moralidade pública e que um dos mourões de uma elite que, a propósito de livrar o Brasil da corrupção (os militares e civis que protagonizaram o golpe de 1964 prometiam a mesma coisa), pauta politicamente a sociedade brasileira.

O boquirroto Mourão – ainda bem que não tem tropa sob seu comando, sendo mero burocrata militar ao contrário do seu xará de 1964 – deveria ser punido: o ministro da Defesa, Raul Jurgman preferiu recolher-se à sua civil insignificância e o comandante-geral do Exército, general Villas Boas, não puniu como até elogiou o seu subordinado.

No mínimo, Mourão deve ser defenestrado do cargo importante que exerce, para aprender que a democracia é um valor permanente, inalienável e inafastável da ordem constitucional aqui instalada. Efetivamente, a sociedade brasileira não precisa de tutores, de farda ou de toga.

A democracia pode até ser o pior dos regimes políticos, à exceção de todos os outros, como asseverou o Lord Churchill, mas, é um valor permanente a ser defendido e preservado.

A despeito de as Forças Armadas serem imprescindíveis na estrutura do Estado brasileiro, a sua atuação deve pautar-se pelo princípio democrático, que é o balizador da ordem constitucional vigente que imanta todas as instituições jurídico-políticas nacionais. Assim, por mais que cause desconforto o poder exercido pela aliança formada pelo Poder Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal, uma intervenção armada deve ser coibida e repudiada.

Se um general qualquer deseja influir nos rumos políticos do país tem todo o direito, desde que siga o exemplo do capitão Bolsonaro, buscando o espinhoso caminho das urnas.

Fora daí não há salvação possível, nem merece qualquer respeito. Afinal, a democracia não pode nem deve ser espremida entre reles e grosseiros mourões, pois o Brasil, na linguagem dos trovadores destes sertões, nem isso é mourão voltado, nem é voltar mourão.

Paulo Linhares é professor e advogado

As Forças Armadas estão inquietas

Por Honório de Medeiros

Com a nova denúncia apresentada contra si, e encaminhada pelo STF à Câmara, Michel Temer começou o processo de liberar emendas parlamentares. Será, em uma primeira penada, um pouco mais de um bilhão. O objetivo é claro: obter, dos parlamentares, o arquivamento da denúncia.

Quando da primeira denúncia, não somente foi liberado muito dinheiro, bem mais que um bilhão, mas também foram distribuídos cargos públicos aos que integram aquilo que se convencionou chamar de “base de sustentação”.

Enquanto isso continua o processo de cortar recursos dos outros setores da administração pública. Alguns, senão todos, vitais. Por exemplo: as Forças Armadas. O corte dos seus recursos orçamentários foi da ordem de quarenta e quatro por cento, o que as colocou perto do colapso.

Três fatos ocorreram estes dias e estão conectados entre si.

Primeiro: O Alto Comando do Exército reuniu-se em Brasília, em sua 314ª edição, com cinco dias de duração e, com certeza, mais do que certeza, o quadro político nacional foi analisado em suas entranhas, detalhadamente.

Segundo: o General Mourão, que não está sozinho quanto a suas idéias, e tampouco representa somente ele mesmo, aborda claramente, em palestra, a intervenção militar no País, em decorrência da “grave crise ética, político-institucional”.

Terceiro: as Forças Armadas dão demonstração de poderio invadindo a Rocinha, cercando-a, e nela passando um pente-fino. Tanques, helicópteros, homens, armamento pesado, tudo quando se possa imaginar em termos de poderio bélico está sendo utilizado lá.

É de se levar em consideração que hoje segmento expressivo da população clama por intervenção militar no Brasil, bem como é de se levar em consideração que as Forças Armadas compreenderam substancialmente a importância de atuarem com força na chamada “rede social”, de forma inteligente e eficaz na construção de uma imagem sólida de honradez e competência. Basta acompanhar na mídia.

Mas a elite governante do País, o Executivo, Legislativo e Judiciário agem e reagem como se vivessem em uma bolha, desconectada da realidade pela qual passa o Brasil.

Temer, sem qualquer outro objetivo senão salvar a si mesmo, deixa de lado os últimos resquícios de uma dignidade outrora existente, e ao invés de renunciar, persiste em comandar o afundamento do barco.

O Legislativo, integrado por políticos profissionais, vive uma crise de credibilidade, inteligência e honestidade sem igual na história do País. Há as exceções de praxe, cada vez mais isoladas e desanimadas. Pedro Simon que o diga.

O Judiciário segue achando que é o fiador da República e que paira acima do bem e do mal. Quando precisam, são legalistas, quando não, são legitimistas. E de marmota em marmota jurídica, vão insultando a Constituição e se apequenando aos galopes. E aqui nem se há de falar nas vantagens remuneratórias que golpes de esperteza jurídica lhes vêm assegurando ao longo do tempo, em detrimento das outras categorias do serviço público que não pertencem a esse panteão de deuses da Pátria.

Pois bem: quem imagina que as Forças Armadas não acompanham o que se passa no País, integralmente, comete erro crasso. Não somente acompanham como têm quadros muito bem preparados para fazer isso.

E além de terem quadros muito bem preparados, seus integrantes estão espalhados pelo Brasil e sua grande maioria vem da base da pirâmide social ou da classe média e escutam e observam, diariamente, no seio de suas famílias, a ira popular contra tudo que compõe a realidade política, social e econômica do Brasil de hoje.

Principalmente contra os “príncipes” da República.

Portanto…

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN