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Terceirizada da Saúde denuncia médico à Polícia e CRM

A crise na Saúde de Mossoró virou caso de polícia. Li-te-ral-men-te. A Serviços de Assistência Médica e Ambulatorial Ltda (SAMA), que terceiriza equipe de médicos para plantões em Unidades de Pronto-Atendimento (UPA’s) em Mossoró, formalizou denúncia contra o médico Gledson Cavalcante um de seus ex-sócios.

Materializou Boletim de Ocorrência (BO) na 2ª Delegacia Regional de Polícia e protocolou denúncia no Conselho Regional de Medicina (CRM).

O Blog Carlos Santos teve acesso com exclusividade aos dois conteúdos, um administrativo e outro público.

Nas duas frentes, a empresa acusa o médico que pediu afastamento dessa sociedade, de comportamento ao arrepio da lei, que comprometeria até mesmo a prestação de serviço de Saúde à comunidade. Num dos trechos do BO feito no dia passado (quarta-feira, 6), é assinalado que “reiteradamente o mesmo passou a conturbar o serviço, denegrindo a imagem da Sama, fazendo conspirações para que os demais sócios deixassem de prestar os serviço de atendimento médico nas UPA’s de Mossoró”.

No mesmo boletim, é comunicado que o ex-sócio da Sama utilizaria redes sociais para instigar demais integrantes dos plantões à prestação de atendimento “lento”, para comprometimento do trabalho.

Crise

Antes desse procedimento, ainda no mês passado, a Sama já tinha ido ao ataque, ou contra-ataque. Formalizou no dia 18 de dezembro ao Conselho Regional de Medicina (CRM) o que relatou ontem sinteticamente na Polícia Civil.

A arenga é desdobramento da crise provocada pelo atraso no pagamento à Sama, pela Prefeitura de Mossoró, que vem desde o ano passado. Além disso, da própria precarização dos serviços, com problemas que passaram a ser relatados pelos médicos, principalmente Gledson Cavalcante – ainda no dia 20 de dezembro (veja AQUI). Ele escreveu artigo à nossa página, denunciando “assédio moral”, por exemplo.

No mesmo dia, a Sama reagiu com uma nota, admitindo vários problemas, mas atenuando as críticas e denúncias de Gledson Cavalcante (veja AQUI).

Precariedade

No início desta semana (segunda-feira, 4), o Blog apresentou em primeira mão uma Carta de Esclarecimento à População Mossoroense. Foi lançada por um movimento de médicos-sócios da Sama – 43 ao todo – relatando a situação das UPA’s (veja AQUI).

– (…) Nos deparamos, diariamente, com uma precária e obsoleta infraestrutura, desde falta de ventilador mecânico, ausência de monitor cardiorrespiratório, inexistência de oxigênio contínuo, bem como, falta de drogas de caráter emergenciais e bombas de infusão contínua de medicamentos, além das eternas manutenções e ausências de aparelhos de eletrocardiograma, radiografia, desfribiladores et cetera – chegaram a assinalar.

A Sama reagiu novamente. Agora, com o Boletim de Ocorrência. Demandas judiciais devem desabar sobre o médico adiante, provavelmente.

Mas pelo visto, além da dificuldade para regularização dos pagamentos e melhoria da estrutura e condições de trabalho nas UPA’s, temos um racha interno na categoria médica.

Essas duas correntes passam a se digladiar de forma mais contundente.

No meio do embate… o povo.

Empresa diz que UPAs têm médicos, mas admite problemas

Em contraposição à postagem sob o título “Desabafo contra o assédio moral e negligência com a Saúde” (veja AQUI), veiculada hoje por esta página, a empresa Serviços de Assistência Médica e Ambulatorial Ltda (SAMA) emite nota se manifestando.

Ela dá sua versão sobre críticas e denúncias do médico Gledson Cavalcante, contidas na postagem assinalada veiculada à manhã de hoje por nosso Blog.

UPAs mossoroenses têm a Sama como médicos terceirizados e com constantes atrasos em pagamentos (Foto: De Fato)

Veja abaixo, na íntegra, a posição assinada por seu diretor técnico e sócio administrativo da Sama, médico Diego Dantas, que presta serviço às Unidades de Pronto-atendimento UPAs de Mossoró:

Objetivando esclarecer a todos os usuários do serviço público de saúde e para melhor entendimento da situação apresentada no post veiculado nesse conceituado espaço às 10:12h, com o título “Desabafo contra o assédio moral e negligência com a Saúde”, agradecemos publicar com mesmo destaque o que segue:

1- A SAMA – Serviços de Assistência Médica e Ambulatorial LTDA é uma empresa prestadora exclusivamente de serviços médicos a entes públicos e privados, atuando na região Oeste do Estado, constituída por mais de 180 médicos sendo todos sócios. Nós não toleramos, e mais, repudiamos qualquer tipo de assédio, especialmente o assédio moral praticado por quem quer que seja. Insurgimo-nos ainda contra qualquer fator que impeça o livre exercício da nossa nobre, honrada, mas tão perseguida profissão.

2- Os atrasos dos repasses dos entes públicos causam enormes prejuízos às nossas finanças pessoais por não recebemos pontualmente nossos honorários, mas também repercutem de forma desastrosa para a empresa que mesmo não os recebendo, paga pontualmente os compromissos tributários de todas notas fiscais emitidas, mantendo em sua sede todos os documentos aptos a consulta dos sócios.

3- A legislação e os contratos que regem e regulamentam os serviços por nós prestados estipulam que os mesmos não podem ser interrompidos ou prejudicados, a não ser que a inadimplência do ente público atinja 90(noventa) dias. Ressaltamos, pois que todos os serviços nas UPAS desta cidade estão funcionando normalmente.

4- Por óbvio, a empresa se empenha ao máximo em receber pontualmente e repassar imediatamente os honorários aos colegas médicos, sendo todas as situações de anormalidade comunicadas por escrito e amplamente publicadas nas Unidades e no site (www.samamed.com.br), relatando inclusive situações que possam ensejar paralização de algum dos serviços, normalmente divulgada pela imprensa em geral e por este blog.

5- Os que fazem a SAMA defendem o direito legítimo de expressão sem qualquer censura, devendo, contudo o exercermos com responsabilidade pautando-nos apenas na verdade, não distorcendo ou ocultando as situações expressas. Além disso, os Diretores Técnicos livremente elaboram e enviam os relatórios de suas unidades contendo as necessidades, inconformidades e solicitações, sem ressalvas, a Secretaria Municipal de Saúde.

6- Os fatos que geraram transtornos no âmbito da empresa já foram encaminhados para esclarecimentos e providências pertinentes perante o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte, estando este legitimado para buscar a responsabilização pertinente.

Por fim, faz-se necessário dar ciência a população de que esta empresa envidará todos os esforços e usará todos os meios legalmente permitidos no combate de ações que atentem contra o serviço público de saúde por ela prestado ou a dignidade da Medicina.

Atenciosamente,

Dr. Francisco Diego Costa Dantas – Sócio Adm. – Diretor Técnico

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Desabafo contra o assédio moral e negligência com a Saúde

Por Gledson Cavalcante

Parece que estou no ano de 1964, após o golpe militar, quando dar uma opinião contrária ao sistema era crime, mas estou em pleno século 21, na tão amada Mossoró.

Perguntar sobre o salário e “quando será o pagamento?” virou crime. Os chefes logo dizem: “Por que está perguntando isso? Fui vítima dessa politica.

A empresa a qual pertenço – Sama – pediu para que eu me desligasse, apenas por questionar o pagamento dos salários.

Após repetidos atrasos, que chegam há quase três meses, a grande maioria do corpo clínico das UPAs, mais de cinquenta médicos, resolveu pedir para sair da escala da empresa médica a qual pertencemos, a Sama. É desumano para qualquer trabalhador passar quase 90 dias sem receber.

Pra se ter uma ideia, o mês de setembro foi pago no dia 16\12\15. É fato que estamos passando por um momento de crise econômica nacional, mas passar até três meses e não receber salário…? É crise ou má gestão? Ou será um misto dessas duas variáveis?

Estou aqui dando ênfase a um problema, mas existem vários. Faltam condições dignas de trabalho, além de materiais essenciais para o pleno desenvolvimento do nosso trabalho. Como exemplos básicos podemos citar a falta de fita para o aparelho de aferir glicose capilar e o eletrocardiograma, que constantemente fica “quebrado”.

Quem já precisou de atendimento nas UPAs sabe que é rotineiro a falta deles. Sem contar a ausência de medicamentos básicos.

Até o oxigênio chegou a faltar nas UPAs, recentemente. Queremos, estamos aptos e nascemos para trabalhar em prol da população, mas algumas falhas gerenciais e éticas precisam ser corrigidas. Tais como: calendário de pagamento respeitado; respeito aos profissionais ; fim do assédio moral e da perseguição aos médicos.

Isso precisa ficar bem claro.

Gledson Cavalcante é médico de origem mossoroense

Nota do Blog – Conheço esse rapaz desde a época em que era acadêmico de Medicina. Humanista, consciente do seu papel no mundo, orgulho para sua família e amigos.

Sua coragem desafiadora do status quo e dessa perversa e nebulosa aliança entre Medicina terceirizada e o poder público, merece nosso aplauso.

Médico cobra meios para desafogar duas UPA´s de Mossoró

Jornalista Carlos Santos,

Venho através do seu prestigiado Blog informar à população de Mossoró algumas informações sobre a Saúde de Mossoró.

Vou expor algumas verdades que estão acontecendo nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA´s) de Mossoró.

No dia 28-2-2014 tivemos uma reunião com a secretária de Saúde (Leodise Cruz) e o prefeito Francisco José Júnior (PSD), a respeito da equiparação de salários e de quantidades de médicos no atendimentos nestas unidades – UPA Santo Antônio e Upa São Manoel com 2 médicos em 24h e a UPA do Belo Horizonte estava com 4 médicos em 24 horas.

O prefeito nos recebeu muito bem e prometeu equiparar a situação e nos solicitou que a equipe de médicos fizesse uma pessoa jurídica – PJ – no mesmo molde da UPA do BH, pois só assim seria possível reverter tal disparidade já que a prefeitura não poderia contratar diretamente ou aumentar o efetivo por ser período eleitoral. Urgentemente foi feito a Pessoa Jurídica e após um mês o prefeito não deu sequer uma posição.

Na UPA do Santo Antônio há sobrecarga que compromete atendimento (Foto: Blog do Magno César)

Nesse dia 1º de abril, mandamos um ofício ( também mandamos para o Ministério Público e o Conselho de Medicina) dando sete dias de prazo para a prefeitura nos dar uma posição a respeito e se nada for feito iremos paralisar o atendimento. Ficaremos apenas como obriga a lei, atendendo urgência e emergências com risco de morte com um profissional.

Antes de finalizar quero expor alguns dados da Upa do Santo Antônio para o público.

No mês de janeiro atendemos 10.414 pessoas e em fevereiro 9.767.

Sobrecarga médica

Se fizermos uma média da quantidade de paciente e dividir pelo tempo que cada médico tem para tender, teremos somente 8 minutos para escutar o paciente, prescrever a medicação, preencher a ficha com o que o paciente relata, ir ver o paciente no leito (caso precise), retorno do paciente e caso chegue alguma estabilização (caso mais grave) etc. E o tempo é só é esse se o médico não levantar-se nem por 1 segundo da cadeira.

Honestamente quase impossível dar um bom atendimento ao publico. Sei que o tempo não é tudo em uma consulta mas como fazer um bom atendimento sabendo que tem muitos do lado de fora esperando a horas para ser atendido?

Outro ponto: depois de 100-200 atendimentos, a fadiga mental já está afetando o raciocínio do médico. Sei que muitos devem perguntar por que aceitamos tal situação. Eu também me faço essa mesma pergunta e a resposta é que nascemos para ser médicos e não é por causa da situação ruim de trabalho que vamos deixar nossos pacientes jogados.

Bom senso

Pergunte ao professor, ao policial e a juiz de algumas varas porque eles também aceitam tal situação ruim de trabalho?

Para terminar, quero dizer quanto é o salario da UPA do Santo Antônio em um plantão de 12 horas interruptas: São R$ 760,00 e isso corresponde a 63 reais a hora trabalhada.

Muitos pensam que ganhamos rios de dinheiro.

A UPA do Belo Horizonte tem o dobro de profissional e paga-se R$ 803 líquidos.

Espero que o bom senso prevaleça e que seja feita a equiparação, principalmente de quantidade de profissional .

O bem maior será para a população de Mossoró.

Gledson Cavalcante, médico

Nota do Blog – Doutor Gledson, bom “ouvi-lo”. Precisamos nos reencontrar, depois, para botarmos a prosa em dia.

Seu relato corrobora com o que este Blog defendeu na postagem sob o título “UPA completa um mês de funcionamento no Belo Horizonte” (clique AQUI).

A partir de dados da própria prefeitura, defendemos que haja divulgação maciça de sua existência, funcionamento e serviços prestados, para que colabore para desafogar os serviços nas UPA´s do Santo Antônio e São Manoel, além do próprio Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM).

Após um ano e dois meses fechada, passando pelas mãos das prefeitas Fafá Rosado (PMDB) e Cláudia Regina (DEM), a UPA do BH foi aberta. Conheci-a. Fiquei encantado e impressionado com o que vi.

Mas é fundamental que Mossoró saiba de sua existência. Não houve absolutamente qualquer divulgação institucional e o conhecimento público se deu através de cobertura jornalística pontual, durante período que antecedeu o Carnaval.

Os números mostram, como o Blog advoga, que a UPA do BH está sendo subutilizada e precisa ser melhor aproveitada. Em seu primeiro mês, atendeu a pouco mais de 5.300 pessoas.

Enquanto isso, a do Santo Antônio atingiu quase “10 mil”.

A disparidade é notória.

Ministério Público Eleitoral e o juiz Eleitoral José Herval Sampaio Júnior, provocados, tendem a endossar essa divulgação.

Os números são tonitruantes, falam por si.

A divulgação visa o interesse público, é uma questão de utilidade e saúde públicas.