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Independência, um sonho a ser alcançado

Por Gutemberg Dias

No dia 7 de setembro parte dos munícipios brasileiros e mais o Distrito Federal comemoraram o dia da Independência do Brasil com a apresentação do desfile cívico-militar. Vale ressaltar que reduzido em número de participantes, tanto daqueles que desfilaram como dos que foram para assistir.

Já participei várias vezes desses desfiles, principalmente, na infância quando ainda o regime militar mantinha o controle rígido desse ato. Lembro da ansiedade de ir às ruas e fazer a marcha bem feita para que não fosse recriminado pelas professoras. Estava ali porque era obrigado e sem saber efetivamente qual o propósito. Era a época da escola sem partido!?

Hoje talvez não seja muito diferente. Tenho a certeza que muitos que fazem parte desse cortejo estão presentes devido o chamamento da escola que por outro lado é chamada pela gestão municipal a se fazer presente. E qual é o sentimento de cada jovem daquele? Será que o propósito da Independência está assentada nos seus corações?

Depois dos quarenta e poucos anos de vida, tenho a convicção que a Independência é um sonho a ser alcançado. Basta vermos que desde o famoso Grito do Ipiranga dado por D. Pedro I, em 7 de setembro de 1822,  que estamos lutando por ela. D. Pedro I ao exclamar “Independência ou morte” entrou para a história, mas o nosso Brasil quanto ao uso real da palavra ainda não conseguiu se ver na fala do imperador.

Não consigo ver Independência, pois quando fazemos uma análise da construção do estado brasileiro o que mais vemos são golpes dados nos momentos que o Brasil procura ser independente. Desde a Proclamação da Independência que toda vez que o país se prepara para ser protagonista no cenário mundial, alguém em nome do Brasil toma o poder do povo. Será que isso é independência?

Não vejo Independência quando a maior parte do povo desse país não tem acesso a uma educação ou uma saúde de qualidade. Parece besteira, mas a dependência vem a tona nos momentos de precisão quando muitos que fazem a política usam o poder de acesso aos equipamentos para amarrar o cidadão a seus projetos, que, por vezes, são sórdidos. Onde está o povo independente?

Que Independência é essa onde o cidadão não pode se quer caminhar sem ter medo de ser assaltado pelas ruas de seu bairro? São coisas assim que mostram que não atingirmos nossa plenitude de liberdade. Ainda estamos subjugados a algo que D. Pedro I não foi capaz, no ato de seu grito, de proporcionar ao povo brasileiro.

Olhar para a corrupção que assola esse país, consumindo todos os poderes (judiciário, legislativo e executivo – em letras minúsculas, sim) que por regra deveriam resguardar o Estado brasileiro, não é algo comum e, sobretudo, não condiz com uma nação independente.

Acredito que chegou a hora de ser dado um novo Grito do Ipiranga. Dessa vez, quem deve dar é o povo brasileiro sem ter medo do amanhã. Conviver com tudo que está acontecendo nesse Brasil não pode ser projeto desse povo e, sem pestanejar, as ruas precisam ecoar o grito da Independência que, lá em 1822, D. Pedro I “ensaiou” às margens do Riacho Ipiranga.

Acredito que o brasileiro é um povo lutador. Mas, parece que anda meio entorpecido com tudo que anda acontecendo. Termino esse texto citando Vandré  que diz: “vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

O Brasil Independente só depende de nós!!!!

Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre em Ciências Naturais e empresário