“Experiência é percepção compreendida.”
Immanuel Kant
“Experiência é percepção compreendida.”
Immanuel Kant
“Uma mente negativa nunca terá uma vida positiva.”
Immanuel Kant
“As pessoas devem ser tratadas como um fim em si mesmas, e não como um meio.”
Immanuel Kant
“Quem não sabe o que busca, não identifica o que acha.”
Immanuel Kant
“Não somos ricos pelo que temos, e sim pelo que não precisamos ter.”
Immanuel Kant
“O sábio pode mudar de opinião. O idiota, nunca.”
Immanuel Kant
“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.”
Immanuel Kant
“O sábio pode mudar de opinião; o ignorante, nunca.”
Immanuel Kant
“Quem não sabe o que busca, não identifica o que acha.”
Immanuel Kant
“Acredite em milagres, mas não dependa deles.”
Immanuel Kant
“Acredite em milagres, mas não dependa deles.”
Immanuel Kant
“Podemos julgar o coração de um homem pela forma como ele trata os animais.”
Immanuel Kant
“O sábio pode mudar de opinião; o ignorante, nunca.”
Immanuel Kant
“Mede-se a inteligência do indivíduo pelo número de incertezas que ele é capaz de suportar.”
Immanuel Kant
Por Marcos Araújo
O mundo é regido pelos fracos, dizia o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Como ateu convicto e um dos fundadores do niilismo, em sua obra “A Gaia Ciência” ele anunciou a morte de Deus (a sua frase mais conhecida é “Deus está morto!”). O niilismo (o termo vem de “nihil”, nada, em latim) é uma doutrina filosófica que nega valores na humanidade e não vê qualquer sentido ou utilidade na existência.
Outro movimento insurgente contra o valor da vida humana é o antinatalismo. O filósofo sul-africano David Benatar, dirigente da Universidade do Cabo, é um dos seus fundadores. Diz ele que a vida é tão ruim e tão dolorosa que os humanos fariam melhor se deixassem de ter filhos.
Por pior que possa parecer, seu livro intitulado Better Never to Have Been: The Harm of Coming Into Existence (Melhor Nunca Ter Sido: os danos de vir à existência) tem recebido considerável atenção no meio acadêmico. Do ponto de vista de Benatar, reproduzir-se é intrinsecamente cruel e irresponsável — não apenas porque um destino horrível pode ocorrer a qualquer um, mas porque a própria vida é “permeada por ruindade”.
Para Nietzsche, Deus morre quando a civilização conclui pela irremediável ausência de valores e sentidos definitivos. No pensamento de Benatar, não dar continuidade à procriação seria um dever porque a humanidade também não deu “sentido à vida”. No romance “Os Irmãos Karamazov”, o escritor Dostoievski escancara o problema numa fala do irmão do meio, Ivan: “Se não existe a imortalidade da alma, então não existe tampouco a virtude, logo, tudo é permitido.” Por isso, diz Ivan: “Não há virtude se não há imortalidade.”
Neste presente pandêmico, a letalidade do vírus e a convivência com a rotina da morte fortaleceu dois pensamentos niilistas: a descrença nos valores morais dos seres humanos e a negação da existência de Deus. No primeiro, para um ser minimamente esclarecido, estarrece a destruição ambiental proposital, ou, a exploração política da pandemia com o desvio de recursos e a apropriação indevida de insumos destinados à saúde.
O segundo, pode vir de uma reflexão da criatura voltada para o Criador: afinal, se Deus existe mesmo e criou tudo, por que a permissão da morte de tantos dos seus filhos?
Como bem pensou Immanuel Kant, o ser humano não é capaz de responder a certas questões metafísicas como a existência de Deus e da alma, por exemplo. Mas, pode observar o ambiente do ponto de vista sociológico. Ora, o ser humano se constrói somente na interação com os outros. O campo relacional precede a essência individual. Existência antes da essência. A essência do homem só se concretiza na alteridade, e por isso o amor condiciona a existência ética.
Por isso, fazendo uma análise do comportamento social, acredito plenamente no sentido da vida, e piamente ponho minha fé na humanidade e na prevalência dos valores coletivos que ela pode construir. Dois exemplos me bastam só nessa última semana…
No início dela, um vídeo amador mostrou a interação num semáforo entre uma criança branca de classe média, e uma outra pedinte de rua. Aproveitando a parada do trânsito, a criança dentro de um automóvel baixa o vidro traseiro e coloca os braços para fora para doar o seu brinquedo e brincar um pouco com o seu igual, outro inocente que esmola lavando carros.
No meio da semana, outro vídeo amador mostra o apoio coletivo ao vendedor de sopa Izael Menezes. Ele havia sido proibido por um morador de um condomínio em Salvador/BA de anunciar o seu produto em grito, como fazia antes. Uma moradora, tomando conhecimento do fato, reuniu um grupo de apoiadores, trouxe Izael de volta ao local e formou um coral de condôminos gritando “Olha a sopa!” (veja AQUI)
Assistam aos vídeos. O primeiro, num momento de distração, assisti enquanto fazia feira em um supermercado. As lágrimas brotaram silenciosas, e depois deu lugar a um choro discreto. Deve ser feio chorar em público, mas a moral quedou-se ao sentimento. Foi a partir desses gestos que veio o pensamento em continuar pedindo a Deus para não desistir da humanidade. Temos jeito ainda!
A leitura do evangelho deste domingo (Mc 4, 35-41) narra a cena na qual os discípulos de Jesus estavam na barca e começa a ventar. Eles gritam assustados ante o risco do naufrágio, enquanto Jesus no fundo do barco descansava. Diante do desespero, Jesus fica de pé e ordena que o vento pare. Dirige-se em seguida aos discípulos e pergunta: “por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”
Bem a propósito a leitura desse evangelho para esses tempos. Faço uma profissão de fé no Deus que creio e na própria humanidade, esta última um pouco tatibitate, vacilante e insegura, como os discípulos. Mas, basta ter fé! A “tempestade” passará! Apenas pedimos: não desista da Humanidade, Senhor!
Post Scriptum: Existem muitas coisas boas na vida. Uma delas, atualmente, é ouvir (e torcer muito!) Bia Gurgel cantar no The Voice.
Marcos Araújo é professor e advogado
“A inteligência de um indivíduo é medida pela capacidade de incertezas que ele é capaz de suportar.”
Immanuel Kant
“Acredite em milagres, mas não dependa deles.”
Immanuel Kant
“Quem não sabe o que busca, não identifica o que acha”.
Immanuel Kant
Por Paulo Linhares
Tobias Barreto não deixa de ser, mais de um século de sua morte, o mais singular dos pensadores brasileiros. Sergipano de nascimento, transmudou-se para o Recife no terceiro quartel do século XIX, de princípio como aluno e depois na condição de lente da então aristocrática e não menos bolorenta Faculdade de Direito do Recife, para se tornar em importante vetor do debate filosófico das doutrinas europeias então em voga, sobretudo, o confronto das diversas feições do pensamento evolucionista em face do positivismo comtiano e suas variações.
Efetivamente, Tobias foi o primeiro brasileiro a merecer o título de filósofo, além de se tornar o expoente máximo dos debates da academia que o acolheu e que, no futuro, seria chamada de “Casa de Tobias”. Perambulou por diversas doutrinas filosóficas europeias para, finalmente, se fixar numa visão filosoficamente monista muita própria, embora com sólida base no pensamento de Kant.
A partir desse patamar, seria o mais ácido crítico do positivismo que, aliás, serviu de base à configuração do Estado brasileiro após a proclamação da República, algo que não chegou a presenciar, eis que falecera precocemente aos 50, anos, em 1889.
Autodidata no estudo do alemão, Tobias redigiu e publicou neste idioma o jornal Deutscher Kaempfer (O lutador alemão), Brasilien wie est ist (1876) e Ein Brief na diedeutsche Presse (1878), ademais de ter sido um incansável polemista, inclusive no campo do discurso poético, pois, sem dúvida fora o contraponto do igualmente “condoreiro” Antônio de Castro Alves que, por breve e luminoso tempo, se abrigara na Faculdade de Direito do Recife.
O polêmico Tobias Barreto literalmente ‘escapou’ do positivismo muito cedo quando passou a propagar as teses do evolucionismo e, finalmente, assumiu uma postura monista de fortes raízes kantianas, o que nem de longe impediu a hegemonia dos positivistas, em especial quando a elite brasileira resolveu implantar um Estado liberal, republicano, para substituir a extenuada monarquia brasileira.
Um gênio desconcertante esse ‘cabeça-chata’ sergipano cuja lembrança, longe de quaisquer comparações, remete-nos à atuação do jurista brasileiro contemporâneo, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, ele também divulgador, no Brasil, das doutrinas constitucionais alemãs, mormente, as orientações jurisprudenciais da Corte de Karlsruhe. Com efeito, Mendes é herdeiro de uma longa tradição de juristas germanófilos, em sua grande maioria de credo positivista (Rui Barbosa, Pontes de Miranda, Clóvis Beviláqua, Nelson Hungria, José Carlos Moreira Alves etc.), sendo um dos mais renomados constitucionalistas brasileiros contemporâneos, embora mereça restrições de cunho politico-ideológico por parte do público esquerdista ou assemelhado, na imprensa e na academia, tudo por enxergá-lo como um avatar do PSDB, “líder da bancada do PSDB no STF” etc.
A conjuntura institucional e política brasileira, na atual quadra da História, mostra um grau critico de esgotamento do modelo de Estado introduzido pela Constituição de 1988, sobretudo, em razão das mirabolantes ‘promessas’ que o seu texto alberga (“… educação é direito de todos e dever do Estado”) e nesse mesmo diapasão a saúde da população, a segurança, o meio-ambiente, blá, blá, blá) e que a estrutura econômica não pôde realizar.
Outro desarranjo político monumental foi a revelação de um típico segredo de Polichinelo: as relações espúrias entre políticos e empresários na sustentação dos governos, tendo como pano de fundo um emaranhado de esquemas corruptos presentes em todos os níveis da Administração Pública brasileira.
Há décadas que se sabe do poder que têm as grandes empreiteiras de obras públicas no Brasil e os detentores do capital financeiro. Com o início de um ciclo que começou com o ruidoso processo judicial conhecido como “Mensalão” (Ação Penal 470), no STF, e sequenciado pelos tantos processos da “Operação Lava Jato”, foram desnudados vários esquemas de corrupção que envolvem grandes empresários e políticos da maioria dos partidos políticos brasileiros.
Todos têm, literalmente, muita “culpa no cartório”.
Essas revelações – feitas no contexto de delações premiadas – foram crescendo em proporções geométricas e transformaram esses processos num grande pântano político-institucional que vem engolindo inteiros alguns segmentos vitais da economia brasileira, como é o caso das grandes empreiteiras de construção civil, as do setor petrolífero e, mais recentemente, os grandes holdings de agronegócio voltado à produção de carnes.
O último desse setores de grande performance econômica, no Brasil, ainda não atingido, é o produção/exportação de soja. É previsível que a próxima ‘operação’ a ser deflagrada na República de Curitiba seja chamada apenas “Tofu com shoyu”… Esta postura, ressalte-se, não traduz mera visão conspiratória do mundo, nem tampouco algo de nacionalismo extremado ou exacerbadamente ‘patrioteiro’, mesmo porque até que nos parece razoável, a depender da circunstância, a conhecida assertiva de Samuel Johnson, pensador inglês do século XVIII, para quem “o patriotismo é o último refúgio do canalha“…
Embora esses processos passem uma ideia de empoderamento do Poder Judiciário e de seu partner, o Ministério Público, no contexto do mais que imprescindível combate à corrupção, os efeitos colaterais começam a se mostrar bem mais danosos, em especial com a destruição de empresas brasileiras importantes e perdas em setores estratégicos no mercado global.
A reação aos excessos da “Lava Jato” começam a surgir, também, onde não era de se esperar: no seio do próprio Poder Judiciário, sobretudo, com algumas críticas de ministros do Supremo Tribunal Federal – o saudoso ministro Teori Zavascki fez dura repreensão ao juiz Sérgio Moro pela divulgação ilícita de interceptação telefônica da então presidenta da República – capitaneadas pelo ministro Gilmar Mendes que fez duras críticas à atuação da Procuradoria Geral da República no vazamento de dados das investigações:
“Não haverá justiça com procedimentos à margem da lei. As investigações devem ter por objetivo produzir provas, não entreter a opinião pública ou demonstrar autoridade. Quem quiser cavalgar escândalo porque está investido do poder de investigação está abusando do seu poder e isso precisa ser dito em bom tom“, advertiu Mendes.
Em entrevista ao Globo, edição de 21/03/2017, completou afirmando que “isso tem um propósito destrutivo, como acabam de fazer com o ministro da Justiça, ao dizer que ele deu um telefonema para uma autoridade envolvida nesses escândalos. É uma forma de chantagem implícita, ou explícita. É uma desmoralização da autoridade pública (…) Com violações perpetradas na sede da PGR, como esta que está aqui documentada, quem vai segurar o guarda da esquina?“, finalizou.
O atual presidente do TSE trouxe à baila a famosa frase de Pedro Aleixo, vice-presidente da República do governo Costa e Silva, o único presente à reunião que decidiu pela adoção do AI-5 que discordou:
“Não tenho nenhum receio em relação ao presidente, eu tenho medo do guarda da esquina”.
O Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reagiu asperamente contra as declarações de Gilmar Mendes, dizendo cobras e lagartos dele.
O clima é de guerra e as nuvens de Brasília se tornam mais carregadas com o julgamento, no TSE, presidido por Gilmar Mendes, da ação em que o PSDB tenta cassar a chapa Dilma-Temer, em que se tem como perspectiva uma decisão que poderá impactar muito a cena política brasileira e que inevitavelmente fará uma previsível vítima: Dilma Rousseff será condenada sozinha e ficará inelegível por oito anos. Simples assim, com toda falta de escrúpulos do mundo.
Por isto, não se pode duvidar que os ministros do TSE sejam mais perigosos que o guarda rua esquina. Contudo, resta saber como Gilmar Mendes se posicionará.
Se acatar a proposta dos tucanos, que livra Temer da cassação e igualmente tem a chancela do Ministério Público Eleitoral, haverá um monumental chute-em-cachorro-morto, ou aquele bizarro jogo de espelhos e absurdas mitificações apenas para salvar aparências, coisa muito ao gosto desta República de Banana que não é nem deixa de ser. Eis a questão.
Paulo Linhares é professor e advogado
“Lembra-te de esquecer.”
Immanuel Kant
“O sábio pode mudar de opinião; o idiota, nunca”.
Immanuel Kant
“Quem não sabe o que busca, não identifica o que acha”.
Immanuel Kant