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O bem-estar social e a aposta no servidor público

Por Carlos Santos

O genial Albert Einstein cunhou uma frase lapidar, que a cada dia prova ser irrefutável: “A necessidade é a mãe da invenção”.

Simplificando: na pressão, a gente encontra saídas e se reinventa. O “achado” provoca em nós aquela sensação de alívio, tão expressa na exclamação eternizada pelo grego Arquimedes:

Eureka! (encontrei!)

É, em essência, o que ocorre com o prefeito provisório de Mossoró, Francisco José Júnior (PSD).

Pressionado pela conjuntura e, pelo visto, por estratégia adversária de esvaziamento em massa de cargos comissionados, para provocar instabilidade administrativa, “Silveira” (como é tratado desde a infância) tem encontrado a solução para os vácuos. Seu capital de nomes está no próprio funcionalismo de carreira da prefeitura.

E não são soluções com características de remendos, tapa-buracos. É uma gente praticamente anônima, excluída, mas com biografia, qualificação e respeitabilidade na sociedade e entre seus colegas de trabalho.

Contudo, estranhamente, nunca antes eram lembrados ou sequer notados. Pareciam leprosos, punidos por terem se preparado à melhoria pessoal e do próprio serviço público. Um paradoxo.

As manifestações dos mais variados segmentos sociais, através da Net ou, ao vivo, atestam como são bem-recebidas as nomeações de vários servidores de carreira à equipe, com base em conceito ético, experiência e conhecimento de causa.

Certamente não é o fim do compadrio, da indicação por força política e por lobby plutocrata, partidário ou de esquemas familiares.

Aliados de primeira hora e outros que colaram instantaneamente, no novo prefeito, torcem o nariz. Preferem pressa na nomeação de aliados e familiares.

Não percebem que a própria administração ganhando fôlego e musculatura, valorizará mais ainda as indicações políticas. Quem ganha com isso é o próprio político, que comporá um “time vencedor”,  além do cidadão como um todo e o município.

Ao longo de anos e décadas, as forças tradicionais da política mossoroense têm desperdiçado um importante capital de trabalho/intelectual e ético, apenas para atender às demandas politiqueiras. Acomoda um aliado aqui, outro compadre acolá, sem priorizar as necessidades do coletivo ou exigir minimo preparo dos ungidos.

Basta cumprir ordens sem pestanejar e ter os joelhos encardidos (sinal de vassalagem), para ter o emprego bacana. Uns fingem que trabalham; nós pagamos a conta. Sempre.

É um modelo de gestão que desaponta, refreia e desperdiça talentos. É uma fórmula que se for utilizada na iniciativa privada, quebra qualquer empresa.

Não é por acaso, que a máquina estatal vive fragilizada e sem atender às necessidades da população. As prioridades têm sido outras.

Muitas vezes, o público é convertido em bem privado, não sobrando muito à sociedade.

A passagem de Silveira pela prefeitura pode ser fugaz. Talvez não se arraste por muito mais dias. Porém é certo que já tem uma marca própria e questionadora do que tem sido feito na Prefeitura de Mossoró, fruto do continuísmo oligárquico, que privilegia sobrenomes e apaniguados.

Militantes de campanha recebem o “soldo” do erário, como pagamento pelo que fizeram por seus candidatos, e não pelo o que devem fazer pela comunidade. Isso precisa ser corrigido.

Num novo pleito municipal, que deverá ocorrer – ainda este ano – ele pode ter a chance de ser candidato e ser avaliado por esse mandato-tampão. Derrotado ou não, no mínimo deixará inoculada uma necessidade de reflexão sobre o arcaico sistema político-administrativo que temos há muitas décadas.

O mérito, a organização, a ética, o planejamento, a qualificação, o trabalho em equipe, a punição à incompetência e à indolência não podem ser características apenas dos que fazem sucesso na iniciativa privada. A coisa pública precisa dar “lucro” e, seu lucro maior, é o bem-estar social.

Se o Governo faz bem a poucos, certamente é porque não cumpre seu dever com a maioria.