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Inverno acumula quase 700 milímetros em cinco meses

A Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Rural (SEADRU) divulgou relatório do período chuvoso em Mossoró de janeiro a maio de 2023. Os cinco primeiros meses do ano registraram acumulado de aproximadamente 700 milímetros.

Mês mais chuvoso foi em abril (Foto: Arquivo/Wilson Moreno)
Mês mais chuvoso foi em abril (Foto: Arquivo/Wilson Moreno)

O levantamento apontou que o somatório no período chuvoso chegou a 691,7 milímetros. O esperado era de 585,7 mm. O desvio positivo foi de 18%. O mês mais chuvoso foi abril, com 249,5 mm. O menor volume acumulado foi em janeiro com pouco mais de 70 milímetros.

Ainda de acordo com o levantamento, houve 10 veranicos no período citado. Em janeiro foram registrados três períodos de veranicos. Já em fevereiro houve quatro. Em março, abril e maio houve um veranico em cada mês.

O município registrou nos cinco primeiros meses do ano 62 dias com chuvas, sendo o mês de abril com a maior quantidade de dias chuvosos. O quarto mês do ano teve 20 dias com precipitações. Maio teve o menor número de dias chuvosos, com 9.

A maior parte dessas chuvas foi de leves e isoladas. As chuvas leves são aquelas com menos de 5 milímetros e as isoladas, quando chove num bairro e não chove em outro.

Relatório

Janeiro: 70,3 mm

Fevereiro: 96,2 mm

Março: 189,5 mm

Abril: 249,5 mm

Maio: 96,2 mm

Total: 691,7 mm

Volume esperado

Janeiro: 64,9 mm

Fevereiro: 86,0 mm

Março: 171,2 mm

Abril: 167,4 mm

Maio: 86,2 mm

Total: 585,7 mm

Dias chuvosos por mês

Janeiro: 11 dias

Fevereiro: 6 dias

Março: 16 dias

Abril: 20 dias

Maio: 9 dias

Total: 62 dias

Veranicos por mês

Janeiro: 3

Fevereiro: 4

Março: 1

Abril: 1

Maio: 1

Total: 10

Fonte: Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Rural (SEADRU).

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A próxima chuva, os mesmos álibis e o cinismo de sempre

“Justificar tragédias como ‘vontade divina’ tira da gente a responsabilidade por nossas escolhas.
(Umberto Eco)

No sábado (29), chuva de grandes proporções desabou sobre Mossoró. Provocou estragos materiais públicos e privados, da infraestrutura viária a empresas e endereços privados, além de criar avarias em incontáveis veículos automotivos.

Segundo dados divulgados, a tromba d’água foi de mais de 170 milímetros (176,4).

Em qualquer cidade do mundo uma chuva de tamanha proporção, em cerca de duas horas e de forma ininterrupta, causaria transtornos. Portanto não é para Mossoró se sentir atingida por algum castigo celestial.

Sabemos que os problemas em boa parte podem ser evitados ou reduzidos, com prevenção, com estudos e ações técnicas preventivas. Também é lógico que não é uma tarefa de obra-estanque, mas de permanente ajuste.

Culpar sempre a natureza é uma forma cínica de se livrar de responsabilidades. São Pedro não tem nada com isso.

Aqui, desde menino, ouço falar e também já vivi efeitos de grandes chuvas e enxurradas. A primeira, em 1974. Com essa fui expulso de casa nas proximidades da Igreja do Sagrado Coração de Jesus (centro) para outro endereço.

Em 1985, mas longe dessa área, escapei parcialmente das águas, mas não deixei de testemunhar elas novamente engolindo parte da área urbana de Mossoró e desalojando centenas de pessoas da periferia.

O maior prefeito

Não poderia deixar de lembrar de quem pensou essa cidade além do seu tempo, o maior prefeito que tivemos: Dix-huit Rosado. A dicotomização e a tricotomização do rio Mossoró nos pouparam de outros estragos ainda mais avassaladores.

Carros praticamente submersos no bairro 12 anos (Foto: Web)

Dos anos 80 para cá, investimentos em canais e outros equipamentos para drenagens e escoamento de águas e esgotos não foram suficientes para reduzir os transtornos. Eles aumentam a cada ano, a cada chuva, seja diluviana ou não. E sempre os mesmos lugares são atingidos.

Na periferia culpam o povo pelos estragos das chuvas, mesmo aquelas com menor proporção. Dizem que os pobres “inventam” de morar perto do rio, riachos, canais etc.

E no centro de Mossoró, a culpa por lojas serem invadidas pelas águas é do lojista, do empresário?

Por vezes, a justificativa para enxurradas nessa área da cidade, a mais baixa topograficamente em seu território, é dada à concentração de lixo em esgotos e galerias. Ou seja, à má educação do próprio povo.

No Nova Betânia, ruas e avenidas transformadas em lagoas e riachos, é culpa de seus moradores de maior poder aquisitivo? Ou poderíamos creditar o crescente problema na região à ocupação desordenada do solo?

Até quando os responsáveis vão ficar apontando culpados, em vez de apresentarem soluções?

Até quando vão responsabilizar as vítimas, em vez de prevenirem efeitos de tanto desastre?

Sai prefeito (a), entra prefeito (a), e a sucessão de atribulações nunca para ou é minimizada. E toda vez que as águas ocupam casas, empresas e destroem estruturas públicas, não falta quem se esconda de seus deveres, sem se achar minimamente culpado (a) pelo o que não fez, não faz nem fará.

Aguardemos a próxima chuva. E os mesmos álibis. O cinismo também.

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Chuva causa alagamento em vários pontos de cidade

Após horas de chuva quase intermitente ao final da tarde e parte da noite desta quarta-feira (28), em vários bairros de Mossoró e em sua área central, o cenário é o mesmo de tantos outros períodos de inverno.

Ruas e avenidas alagadas, águas tomando casas e estabelecimentos comerciais, dificuldades no tráfego de carros e motos, transtornos para pedestres etc.

O vídeo acima é da Avenida Dix-neuf Rosado, proximidades da Central de Abastecimento (antiga Cobal), um trecho que desafia a engenharia planetária, pois jamais teve solucionado esse problema de rápido alagamento com chuvas.

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