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“Alô, Frida” tem programação definida em três eventos

Nessa sexta-feira (7) e domingo (9), o bloco carnavalesco “Alô, Frida” realizará em Mossoró prévias carnavalescas com feira, concurso de urso, sorteios, Forró Azunhado e Banda Bakulejo.

Programação do Frida é aberta ao público e acontecerá em três pontos da cidade (Foto: divulgação)

Na sexta, será no bairro Nova Vida a partir das 17h na Avenida Antônio Bento, onde funciona a rádio 98.7, da Fundação Potiguar.

“Além da feira e da banda Bakulejo, teremos um cortejo que passará pela principal do bairro. Será um momento diferente no nosso bairro que é tão esquecido pelo poder público”, diz Plúvia Oliveira, moradora do Nova Vida e também da organização do bloco.

No domingo, haverá a Frida desperta o Sapo, fazendo referência ao antigo bloco de carnaval que saía do bairro Lagoa do Mato. Concentração começará às 14h, na rua Olavo Bilac – com concurso de urso, banda Forró Azunhado e Banda Bakulejo.

Programações gratuitas

No dia 20, o bloco sairá à noite às ruas a partir do Café Artesanato na Praça de Convivência (Centro), com a banda de frevo Pode InteFor e Aline e Dayvid.

Todas as programações são gratuitas e aberta ao público.

O bloco Alô Frida é uma iniciativa de feministas da cidade. Quem quiser apoiar o bloco pode comprar as camisas com Andrea Souza: (84) 99618-0059.

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Desabastecimento de remédios é situação generalizada

O problema de desabastecimento de remédios de uso regular, que deveriam estar disponíveis na rede de saúde pública da Prefeitura de Mossoró, não é problema apenas nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA’s).

Lista mostra remédios indisponíveis (Foto: reprodução)

O Blog Carlos Santos mostrou situação nas UPA’s em outra postagem nesta terça-feira (15) – veja AQUI, mas o quadro é sistêmico e endêmico de falência do serviço.

Em várias Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) o quadro é ainda mais delicado.

Na UBS Doutor José Fernandes de Melo do bairro Lagoa do Mato, por exemplo, a sua administração colocou à porta comunicado com lista de remédios que não estão disponíveis.

“Procurei alguns remédios em outras UBS’s e o problema é o mesmo”, reclama um popular, que pede intervenção desta página para a municipalidade tomar providências.

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Um bairro chamado Lagoa do Mato

Por Antônio Francisco

Nasci numa casa de frente pra linha,
Num bairro chamado Lagoa do Mato.
Cresci vendo a garça, a marreca e o pato,
Brincando por trás da nossa cozinha.
A tarde chamava o vento que vinha
Das bandas da praia pra nos abanar.
Titia gritava: está pronto o jantar!
O Sol se deitava, a Lua saia,
O trem apitava, a máquina gemia,
Soltando faísca de fogo no ar.

O galo cantava, peru respondia,
Carão dava um grito quebrando aruá,
A cobra piava caçando preá,
Cantava em dueto o sapo e a jia,
Aguapé se deitava e depois se abria,
Soltava seu cheiro nos braços do ar
O vento trazia pro nosso pomar,
Vovô se sentava no meio da gente
Contando história de cabra valente
Ouvindo lá fora do vento cantar

Mas hoje nosso bairro está diferente.
Calou-se o carão que cantava na croa,
A boca do tempo comeu a lagoa
E com ela se foi o sossego da gente.
O vento que sopra agora é mais quente
E sem energia não sabe soprar.
A máquina do trem deixou de passar,
Ninguém olha mais pros raios da Lua
Que vivem perdidos no meio da rua
Por trás dos neóns sem poder brilhar.

Perdeu-se traíra debaixo do barro,
O sapo e a jia também foram embora.
Aguapé criou pé, deu no pé e agora?
Só rosas de plástico tristonhas num jarro,
Fumaça de lixo, descarga de carro,
Suor de esgoto pra gente cheirar,
Telefone gritando pra gente pagar,
Um louco na rua rasgando uma moto,
Um besta na porta pedindo o meu voto
E outro lá fora querendo comprar.

Um carro de som fanhoso bodeja:
Tem água de coco, tem caldo de cana,
Cocada de leite, gelé de banana,
Remédio pra caspa, tem copo, bandeja.
Uns quatro vizinhos brincando de igreja
Vão pra calçada depois do jantar.
O mais exaltado começa a pregar:
Jesus é fiel, castiga, mas ama!
E eu sem dormir rolando na cama
Pedindo a Jesus pro culto acabar.

E pegue zoada por trás do quintal:
Salada, paul, pomada, paçoca,
Pamonha, canjica, bejú, tapioca,
A do Zé tem mais coco, a do Pepe é legal!
Dez bola, dez bola, só custa um real!
Mas traga a vasilha pra não derramar!
Apuveite! Apuveite!
Que vai se acabar!
E alguém grita: gol!
Minha casa estremece
E eu digo baixinho: meu deus se eu pudesse
Armar minha rede no fundo do mar!

Antônio Francisco é poeta e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel