Mineiro de Bocaiuva, o deputado federal e ex-vice-presidente da República José Maria Alkmin foi fundador (em 1945) e influente nome do Partido Social Democrático (PSD), um dos tentáculos do getulismo.
É dele, uma frase que poucos sabem ser de sua lavra – mas que é repetida incontáveis vezes no universo do jornalismo político brasileiro:
– O fato não vale nada, o que vale é a versão!

Agarrado intuitivamente a essa tese, o governo Robinson Faria (PSD) sustentou até agora a defesa do indefensável, na crise prisional do estado, que eclodiu dia 14 último no presídio de Alcaçuz.
– Está tudo sob controle – repetiu o governador em vários pronunciamentos, matérias oficiais e entrevistas.
Fotos, entrevistas e vídeos provavam que ele estava equivocado, longe da realidade.
Na imprensa nativa e redes sociais o governo lançou contra-ofensiva para provar que sua versão valia mais do que o fato. Perdeu também essa guerra.
Lição do caso
Coube à chamada Grande Imprensa, órgãos de comunicação com abrangência nacional (portais, sites, jornais e TV´s), a força de desconstruir a estratégia do governo. Apenas mostrou o que era mais do que visível, como depoimentos de representantes da área de Segurança Pública, atestando que houve negociação com representantes dos criminosos.
A maior prova de que o governo adotava a estratégia de vender a versão como uma verdade, mesmo sem sucesso, é que ninguém foi exonerado. A começar pelo secretário da Justiça e Cidadania (SEJUC), Wallber Virgolino, que admitiu o diálogo de submundo para pacificar a rebelião em Alcaçuz (veja AQUI).
Bem mais famoso e de origem amplamente conhecida, é o mantra do ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, que trata da mesma questão:
– De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade.
Alkmin e Goebbels não foram inspirações sensatas nesse caso. Que fique a lição.
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