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Sobre Paris, Mariana, tragédias, causas, cobranças etc.

Por Cefas Carvalho

Aos amigos e amigas que, sabedores de minha paixão pela França e de minha mania de dar pitaco sobre as coisas, me perguntaram opinião sobre os atentados em Paris, a dizer – e refletir – o seguinte:

1 – Não relativizo atos terroristas. Em hipótese nenhuma. Não discuto, não debato e não o farei neste post. Atentado é atentado e assassinato e assassinato, ponto. Não embarco em relativizações (“ah, mas estão colhendo o que plantaram”, “Oh, mas a França apoia os EUA nos ataques ao Oriente Médio”, “Ih, mas teve o Charlie Hebdo”. Não. NADA justifica atentado e assassinato.

2 – Sem disposição de ver amigos queridos e inteligentes “competindo” sobre tragédias (Paris x Lama em Mariana + Quênia + Nigéria) e cobrando solidariedade. Cada um se solidariza com o que quer e se quiser, e quem não o faz publicamente e no Facebook não quer dizer que esteja sentindo mais do que quem sente em silêncio, não é mesmo? E, não, não vou trocar minha foto nem pela bandeira da França nem pela bandeira brasileira. Quem o faz, bem. Acho legal quem se dedica a uma causa. Só não pode cobrar que os outros sigam a mesma causa, da forma que se deseja e na hora que o outro quer, né?

3 – Não há comparação entre tragédias. Uma foi um desastre ambiental causada pela negligência e mau caratismo de empresários que tiveram vista grossa de políticos, todos eleitos pelo voto popular. Outra foi um atentado terrorista que mais tem a ver com geopolítica do que com religião. As da Nigéria e Quênia também foram diferentes. Ah, e também teve chacina de 11 pessoas em Fortaleza e assassinato de um PM aqui em Natal,

4 – Amigo(a) que eu detectar ofendendo muçulmanos em geral pelos atentados, deleto amizade. Generalização é uma das pragas do Facebook. Ou os amigos nordestinos gostam quando um retardado de São Paulo posta coisas como “todos os nordestinos deveriam morrer” e similares?

5 – É isso. Cada qual tem seu time de futebol, seu filme preferido, suas causas e decide a hora de defende-las e se o fará neste Facebook ou não. Cobrança radical parece muito com o pensamento daquele pessoal que comete atentados terroristas, não? Que todos nós tenhamos mais calma na hora de apontar o dedo para os outros internautas.

Cefas Carvalho é jornalista.

* Texto originalmente publicado em seu endereço próprio na Web.