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A erotização precoce por meio das músicas

Do Blog do Tio Colorau AQUI

Houve época em que as crianças se vestiam como adultos em miniatura. Os meninos de terno e as meninas de vestido. A descoberta das crianças pelo capitalismo trouxe-lhes hábitos próprios e vestimentas coloridas, com formatos condizentes com sua condição de criança. O que vemos na televisão hoje são crianças imitando adultos, incentivadas pelos pais e por apresentadores que acham isto bonitinho.

Nos canais abertos já vimos Mamonas Assassinas, Lady Gaga, “Rebolation”, Superman e Mulher Maravilha e tantos outros. Um desfile de imitações de marmanjos metidos a cantor que escondem por trás do jeitinho engraçadinho dos imitadores uma relação bizarra dos adultos com a infância.

Será que os pais um dia pararam para pensar o que os filhos estão imitando? O que diz as letras destas pseudomúsicas? Nem estou entrando no mérito da pobreza melódica. Estou me reportando ao tema abordado. Tomemos o conteúdo de uma música chamada “Rebolation”: “Alô minha galera, preste atenção: Rebolation é a nova sensação! Menino e menina, não fiquem de fora, que vai começar o pancadão. O swing é bom. Gostoso demais. Mulheres na frente, os homens atrás”.

Sem me referir à rima pobre, o que chama a atenção é o duplo sentido. O verso narra uma dança de baile funk com um apelo sexual implícito. E os pais acham bonitinho quando seus filhos rebolam isto.

Mas abordemos outra “música” um pouco mais inocente e nem por isso menos lesiva, chamada “Superman, a Liga da Justiça”. A música descreve uma situação onde a terra está dominada pelo mal. Os inimigos do bem triunfaram e só tem uma saída: fugir. Então os versos dizem: “Foge! Foge Mulher Maravilha. Foge! Foge com Superman”. Mas num determinado momento a letra diz: “Você é minha Maravilha e eu sou seu Superman. No swing aqui do Leva eu quero ver você meu bem!”. Aparece de novo a palavra swing, que no dicionário significa prática sexual conjunta de dois ou mais casais.

Não estou sendo moralista. Cada adulto faz de sua vida o que quiser. O que não acho correto é expor as crianças a estas situações sem nenhum tipo de pudor, com o intuito de promovê-la e promover-se num programa de TV. Para estes casos não existe estatuto do menor e do adolescente? Quem protege os menores desta lavagem cerebral promovida por programas de auditório? Quem protege as crianças da avidez do lucro? Da popularidade?