Vendo essa lista de servidores sem concurso da Assembleia Legislativa (veja postagem mais abaixo), não me bate um pingo de indignação ou inveja. Acho mesmo é engraçado como algumas pessoas continuam se descabelando por políticos e grupos, com uma visão maniqueísta (seu lado é bonzinho e o outro é de gente má).
Na realidade, com raras exceções, são todos “japoneses”, muito parecidos, sobretudo na apropriação da coisa pública em favor dos seus e de seus camaradas.
Sobram apenas as migalhas (e olhe lá) para a “militância” de infantaria, aquela que briga e arranja inimizades.
Engraçado, também, como muita gente continua entoando teses de doutrinadores e filósofos, para sustentar a crença (ou fé inabalável) na Justiça. Balela. Se não descruzar os braços nesse circuito de blá-blá-blá, nada de revolucionário vai ocorrer.
Os poderes de Estado e a plutocracia dominam tudo. Tá tudo dominado. Judiciário, Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa, governos, imprensa etc.
Trabalhemos para pagar o financiamento do Fiat Uno, cobrir as despesas da feira e o colégio dos meninos. Discutamos a política de forma mais séria, sem o maniqueísmo doentio. Vamos investir na formação de nossos filhos, em educação.
Só com um povo politizado de verdade, economicamente ativo e consciente de seus direitos e deveres, mudaremos a República e a política.
A política não é uma atividade menor; menor, microscópica, é a atuação de uma grande maioria no meio. Não foi a política que se desfigurou ao longo dos séculos, mas homens desfigurados que a tornaram abjeta.
Essas figuras estão preocupadas apenas em se apropriar da coisa pública, transformando-a em bem pessoal, de família e a seu bel-prazer.
Está ruim? Posso lhe afirmar: o quadro já foi pior.
A simples divulgação dessa situação, é uma assombrosa raridade, impossível de acontecer há alguns anos e décadas.
Nossa República, com quase 124 anos de vida, nunca navegou por um período tão longo de estabilidade política e simulacro de democracia, além de relativa robustez econômica. Engatinhamos, damos trombadas, às vezes fraquejamos e somos descrentes, mas estamos de pé.
Sim, é possível.
A marcha – com esse jeito novo de tentar caminhar, ainda será muito árdua, na construção de uma nação de verdade. Somos ainda um aglomerado humano frágil, muito suscetível à louvação de falsos rubís e culto a messias ordinários.
A gente aprende.