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Taí a resposta, Odorico

Manifestação contra Bolsonaro também ocorreu em Brasília (Foto: G1)
Manifestação contra Bolsonaro também ocorreu em Brasília (Foto: G1)

Por François Silvestre

Odorico Paraguaçu queria inaugurar um cemitério. Sua única obra. E sofria por não morrer ninguém. Fez de tudo por um cadáver. E o cemitério acabou inaugurado por ele próprio, cadáver e não prefeito.

Bolsonaro foi inaugurar uma pinguela no Amazonas. Ou melhor, reinaugurar. Pegaram a pinguela, uma ponte rústica que já havia, puseram proteções laterais, chamaram de ponte e lá foi o ridículo Odorico “inaugurar”. Dezoito metros de pinguela. Fez discurso pra mata, pôs um cocar de penas cinzentas irregulares, horrível, e falou sobre índios. Os mesmos índios que ele pretende reprimir reduzindo suas terras.

Mas né disso que trato não. É das manifestações de hoje, pelo Brasil afora, que quero falar. Ou melhor, escrever. Só a Avenida Paulista, só ela, põe no chinelo todas as manifestações bolsonaristas, desses milicianos rurais e urbanos, das últimas manifestações e provocações, de semanas seguidas. Todas. No chinelo. Era um recado que os senhores golpistas queriam? Receberam. Pelo país todo, em várias cidades. E como é dado a todo golpista neofascista a posse da covardia, só resta por a viola no saco. E o saco do rabo.

A Democracia agoniza, mas não morre. Obrigado, Nelson Sargento!

François Silvestre é escritor

Justiça dá decisão favorável a jornalista contra prefeito

Do portal Noar

A Justiça reconheceu que o prefeito de Mossoró, Francisco José Júnior (PSD), não foi injuriado nem teve sua honra atacada pelo jornalista Dinarte Assunção, do portalnoar.com, quando esse discorreu, em artigo de opinião, que os atos de Silveira o remetiam a Odorico Paraguaçu, personagem do “O Bem Amado”.

Dinarte: apenas jornalismo (Foto: Web)

O processo foi transitado em julgado, ou seja, não cabe recurso.

Em primeira instância, o prefeito obteve vitória parcial. Ele alegava que se o jornalista o comparava a Odorico, um personagem corrupto, estava sendo também imputado de tal prática.

No texto, o jornalista fazia a comparação em razão da distribuição de caixões à população carente de Mossoró com o timbre da prefeitura, apesar disso, em primeiro grau, o prefeito venceu.

Juiz

No segundo grau, no entanto, o entendimento foi outro. Relator do processo, o juiz Jessé de Andrade, assinalou que é impossível afirmar que a crítica do jornalista ataca a honra do prefeito. Ele também pontuou que a comparação, como deixa o texto a entender, se limita ao ato do assistencialismo. O voto do relator foi seguido pelos demais membros da Segunda Turma Recursal.

Para o advogado Sebastião Leite, a vitória consolida um entendimento do Judiciário sobre liberdade de expressão.

“Desde o primeiro momento, quando não obtivemos a vitória em primeira instância, tinha certeza de que recorrer era o caminho natural, pois o entendimento pacificado é que o trabalho do jornalista como foi feito atendia plenamente ao direito da liberdade de expressão, sem ofensas à honra do prefeito”, destacou o advogado, que defendeu o jornalista no caso.

Nota do Blog – Decisão sóbria, séria e coerente do relator Jessé Alexandria, um magistrado que dignifica a magistratura, com passagem pela comarca de Mossoró.

Já imaginou se todo político for reagir à crítica e até ao bom humor, querendo tapar a boca da imprensa?

Ataúde com logomarca da prefeitura leva o morto às profundezas (Foto: reprodução)

Com mais de 30 processos e ações de interpelação no “lombo”, desencadeados por quadrilheiros da política de Mossoró, sei bem o que é isso, como também sei o que é comportamento tíbio, omisso ou mesmo endossante de setores do Ministério Público, da Justiça e da própria imprensa.

Mas… vida que segue.

Boa parte dessa gente está sendo devolvida a seu lugar: ostracismo. Adiante, até, podem ser levados à cadeia.

Quem sabe, hein?

Veja AQUI a matéria que originou a demanda judicial.

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Quando Silveira Júnior encontra Odorico Paraguaçu

Dinarte Assunção (Portal Noar)

Fábrica de enredos memoráveis, Mossoró nos brinda com mais uma história dantesca.

Amanhecemos com a revelação de que a administração municipal ordenou o timbre da gestão nos ataúdes distribuídos a quem por eles não pode pagar.

Um caixão em si já vem coberto de dores. Timbrado pela administração se cobre de uma perplexidade que indigna e questiona: qual a necessidade de, até na morte, lembrar ao mais carente a relação de dependência que tem com o mandatário do momento encastelado no Palácio da Resistência?

Ataúde com logomarca da prefeitura leva o morto às profundezas (Foto: reprodução)

Os feitos de Silveira Júnior me remeteram a Odorico Paraguaçu, o cômico prefeito de O Bem-Amado que transformou em obsessão seu desejo em inaugurar o cemitério de Sucupira.

Silveira e Odorico estão separados da realidade e ficção por uma fina camada de ironia.

Em morte, Odorico realizou seu desejo. Seu esquife desceu à terra e inaugurou o cemitério.

Em vida, Silveira vê o símbolo de sua gestão se confundir com caixões que encerram a própria morte.

É intrigantemente curioso.

Sobretudo quando a morte política se avizinha sobre a gestão do homem que prometeu fazer tudo diferente e repete, evocando Gabriel Garcia Marquez, os erros das extirpes que condenaram Mossoró à eterna solidão.

Nota do Blog – Como eu lamento, como profundamente lamento, meu caro Dinarte.

Lamento que tudo e muito mais do que isso venha acontecendo.

Hoje, a Câmara Municipal chegou a debater essa situação bizarra e nem a base do governo conseguiu defendê-lo. Foi contra também.

Pobre Mossoró!

Faltou apenas o personagem “Tristão de Ataúde” em cena, figura criada pelo genial Chico Anysio, ou “Bento Carneiro, o  vampiro brasileiro”.

Cruel, muito cruel!