A classe política de Mossoró acrescenta mais uma novidade a seu acervo de tapeações e desatinos. Na verdade, repete fórmula. Agora é a maquete da sede própria da Câmara Municipal de Mossoró que entra em cena.
Na segunda-feira (9), a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) reuniu com pompas um elenco de vereadores, secretários e imprensa no Palácio da Resistência (sede do Executivo), para apresentar o projeto (veja AQUI) da futura sede do Legislativo. Custo do mimo: R$ 10 milhões.

Para começar, claro. Sempre aparecem depois os aditivos e não está na conta todo o acervo mobiliário, tapetes, condicionadores de ar, equipamentos de segurança etc., que a obra depois de pronta precisará para dar vida ao lugar, que ficará em terreno no Nova Betânia.
A prefeita é reincidente nessa modalidade de arte. A arte de iludir com uso de maquetes e similares.
Golpe com o Nogueirão
Em 2012, no ápice da campanha municipal, na condição de governadora do RN, ela desembarcou na cidade para apresentar a maquete do Estádio Manoel Leonardo Nogueira (Nogueirão), com promessa de investir R$ 39 milhões em reforma e ampliação.
Nunca colocou uma pá de cá no Nogueirão, que passou por várias interdições. Foi um legítimo estelionato político-eleitoral e esportivo. Sabia desde o primeiro momento que o estado, alquebrado, não teria como investir tanto recurso no empreendimento.
Mas sejamos justos. Ela não está só nesse ilusionismo que continua fazendo vítimas, com apoio da maioria da imprensa, que não se arvora a fazer o mínimo de análise crítica dos fatos, recapitulando a história recente e a reincidência nesse tipo de “enrolation”.

O ex-prefeito Francisco José Júnior (PSD) também deixou sua contribuição. Ele apareceu com a maquete do Santuário de Santa Luzia, que seria construído no alto da Serra Mossoró.
Chegou ao requinte da trucagem, ao “importar” um empresário bondoso e devoto da santinha, que garantiria pelo menos R$ 15 milhões para tanger a obra. Tudo, claro, em nome de sua fé.
Trouxas
Até representantes da Igreja Católica local caíram nesse golpe, pagando mico que hoje preferem esquecer. Virou assunto proibido no clero mossoroense, quase pecado mortal, se remexer nesse assunto.
Esse povo de Mossoró não aprende mesmo. Gosta de ser enganado, ser transformado em trouxa e ser ridicularizado além dos limites do município.
O agravante nesse caso mais recente do “golpe da maquete”, é que alguns de seus personagens voltam ao local do crime, com a mesma desfaçatez de antes.

Pior ainda: numa conjuntura financeira delicada, principalmente para a saúde pública, que vive seu pior momento. Tem gente morrendo e ficando mutilada por falta de cirurgias eletivas, insulina, remédios básicos ou simples analgésicos.
Médicos prometem parar atividades (veja AQUI) porque prefeitura não os paga.
1% de bom senso
Quem conhece razoavelmente o atual prédio que abriga a Câmara Municipal de Mossoró, sabe que ele é dispendioso e inapropriado para continuar abrigando esse poder. É caro, que se diga.
Porém, cadê aquele 1% de bom senso que teria sobrado aos seus ocupantes, para priorizarem o interesse público em vez desse “Versailles” do semiárido? Será que não sobrou nem isso aos caríssimos vereadores e à prefeita que “fez, faz e sabe fazer”?
Francamente!
Parar por aqui para não baixar o nível (o que rende mais processos judiciais, mas é cabível ao caso).
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