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Quaresma e quarentena – palavras que significam salvação

Por Marcos Araújo

 

[…] as palavras se propõem aos homens como coisas a decifrar. […] – Michel Foucault

Desde a criação pelos sumérios da escrita pictórica em cavernas, cerca de 8.000 anos a.C., a linguagem tem sido o maior recurso evolutivo-civilizatório da humanidade. É ela a base da comunicação, entendimento e cultura de todos os povos e nações, especialmente nesses tempos de internet e novas tecnologias.

O poder simbólico da linguagem é referendado no milenar dito popular “a palavra tem poder”. Aliás, a afirmação do poder da palavra tem uma justificativa histórica judaico-cristã, porque Jesus foi intitulado como “o verbo encarnado de Deus”; o cumprimento da “palavra de Deus” (v. João 1:1-2); “a palavra de Deus se tornou homem e habitou entre nós” (João 1:14).

Enfatizando o valor da palavra, o cineasta alemão Wim Wenders gravou um documentário chamado “Papa Francisco, Um homem de palavra”. O filme é uma obra sobre as palavras fundamentais que as ideias do Papa Francisco permitem promover: gentileza, inclusão, humorismo, solidariedade, laços familiares, paz, proteção do ambiente, sobriedade e justiça.

Segundo o filósofo francês Michel Foucault, “Na sua primeira forma, quando foi dada aos homens por Deus, a linguagem era um sinal das coisas absolutamente certo e transparente, pois que se lhes assemelhava. Os nomes eram colocados sobre o que eles designavam, assim como a força está escrita no corpo do leão, a realeza no olhar da águia, a influência dos planetas marcada na fronte dos homens: pela forma da similitude.” (Foucault, As palavras e as coisas, 2002, p. 90).Para melhor estudar o sentido da palavra, a ciência linguística tem divisões (semântica, sintaxe, morfologia, fonética …) visando identificar formação, origem, estrutura, signo etc. A Semântica, por exemplo, cuida do estudo do significado das palavras, enquanto a Etimologia estuda a origem delas.

Contudo, nem sempre a palavra expressa contextualmente o mesmo significado na linguagem. Seu sentido pode se perder ao longo do tempo, destoando seu uso e valor da vivência social e comportamental. Para contextualizar com o presente, trago à lembrança as palavras “Quaresma” e “Quarentena”.  As duas foram desconstruídas do seu sentido semântico ao longo da história.

A Quaresma, instituída pelos primeiros cristãos, denomina o período de 40 dias entre o Carnaval (Quarta-feira de Cinzas) e a Páscoa. Nesse período, os católicos são convidados ao jejum, oração e caridade, se preparando para a ressurreição de Jesus. O número de quarenta dias tem um significado simbólico-bíblico: quarenta são os dias do dilúvio; da permanência de Moisés no Monte Sinai; das tentações de Jesus…

Quarentena, por seu turno, significava o período de quarenta dias em que todos os barcos deveriam ser isolados antes que passageiros e tripulantes pudessem desembarcar durante a epidemia da peste negra nos séculos 14 e 15.

Ainda que tenham significados históricos diferentes, as duas palavras (quaresma e quarentena) têm o mesmo radical etimológico. A primeira, vem do latim “quadragésima”, 40 dias. A segunda, do Italiano “Quarantina”, conjunto de quarenta, ou do latim “quadraginta”, quarenta.

Outra comunicação simbólico-histórica das duas palavras vem do resultado de suas práticas: tanto a Quaresma como a Quarentena foram instituídas para a purificação do corpo e a salvação do homem.

A Quaresma, como prática obrigatória, vem do século IV, mas, desde sempre, os cristãos se preparavam para a Páscoa com oração intensa, jejum e penitência. Já foi um tempo profundo na Igreja católica de oração, penitência e caridade. Foi perdendo seu sentido e sua vivência com o tempo.

O jejum passou a ser de abstinências pontuais com finalidades até estéticas e de dietas (doces, álcool, refrigerantes, guloseimas etc). O momento de oração da “Semana Santa” foi adaptado, virou um grande feriadão, com público reduzidíssimo nas igrejas e superlotações em pontos turísticos e lugares da moda. A caridade, bem simbolizada pela Campanha da Fraternidade, criação da igreja brasileira pelo bispo acariense Dom Eugênio de Araújo Sales, foi sequencialmente esvaziada em sentido e práticas.

Coincidentemente, a Campanha da Fraternidade deste ano (que passaria despercebida, como sempre, de uma maioria dos católicos), tem como tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). Esta passagem bíblica, em especial, fala da parábola do “Bom Samaritano”. Relembrando a parábola, Jesus conta que um homem estava ferido e largado à beira da estrada. Passaram por ele um sacerdote e um levita, membros da elite judaica, e o ignoraram. Um samaritano, um homem sem fé e impuro para os judeus, o que faz? Viu, sentiu compaixão, misericórdia e cuidou dele.

Voltemo-nos para a história, quanto às Quarentenas humanas. Não são comuns, mas não se constituem novidades. São conhecidas desde o Século XIV. Elas sempre remetem ao mesmo princípio utilitarista: a proteção da coletividade. Sempre representaram os mesmos problemas: saúde coletiva, crise econômica, tensão entre diversos interesses, supressão de direitos individuais etc.

Nesse ponto, em tempos de coronavirus, Quaresma e Quarentena são palavras que se autocomplementam, se ressignificando. Voltando a Foucault, “Se a linguagem já não se assemelha imediatamente às coisas que denomina, nem por isso ela se apartou do mundo; continua, sob outra forma, a ser o lugar das revelações e a fazer parte do espaço em que a verdade simultaneamente se manifesta e se enuncia”.

Se a Quarentena pode ser a salvação do corpo (físico), a verdadeira Quarema pode trazer a Salvação da alma (do espírito).

Aqui no Brasil, as ordens estatais de isolamento social são também quarentenas. Descumpridas desditosamente e criticadas por muitos. As pessoas não querem ficar em casa, mas até a inação significa proteção, sendo uma prova de bom senso e solidariedade.

Desestruturado, o Poder Público (Nação, Estado e Município) não tem como cuidar dessa pandemia. Não tem recursos humanos e materiais para tanto. A sociedade civil, ao revés, em muito pode contribuir.

A salvação da Quarentena deve vir da caridade, exigência da Quaresma. É preciso ressuscitar a prática da caridade para que o corpo e a alma sejam salvos. A caridade não nasce na semântica nem na etimologia, ela nasce no coração humano que se abre para amar o outro.

Numa passagem bíblica, um doutor da lei propôs a seguinte questão a Jesus: “Mestre, qual o grande mandamento da lei?” A resposta de Jesus: “Amarás o senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. Esse o maior e o primeiro mandamento. Eis o segundo, que é semelhante ao primeiro: amarás o teu próximo, como a ti mesmo. E acrescentou: toda lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” (Lc 10, 27-29)

Como é fácil perceber, Jesus sintetizou a lei e todos os ensinos dos profetas nestes dois mandamentos: amar a Deus e ao próximo. Certamente, Jesus falava do amor como sinônimo de caridade, pois na sequência da resposta Ele narrou a parábola do bom samaritano.

São Paulo bem entendeu o propósito do Cristo de assemelhar o amor à caridade, redigindo uma linda carta aos Corintos (Capítulo 13), sendo esse um texto padrão para leitura nos matrimônios católicos. Parece-nos que “caridade” e “amor” são palavras sinônimas, de radicais etimológicos diversos.

Dizia S. Agostinho: “A Caridade uma vez nascida, cresce; uma vez crescida, fortifica-se; uma vez fortificada, aperfeiçoa-se”. A caridade é vivida no “entre” amoroso que se estabelece entre aquele que sabe receber e aquele que sabe dar sem pensar. Não há lugar certo ou definitivo entre estas duas posições, pois a caridade circula assim como a falta e a necessidade. Em um dia, podemos dar e, no outro, podemos estar precisando receber…

A caridade eleva à santidade. Em tempos de calamidade na saúde, lembremo-nos de nossa querida Santa Dulce dos Pobres, canonizada recentemente, e de Madre Tereza de Calcutá

Sabemos que faltarão nos próximos dias remédios, leitos de UTI, alimentos, empregos, tudo por causa da Quarentena. Como antídoto, que não nos falte amor e caridade com o próximo, fruto da Quaresma! Já estão fechados o comércio, escolas, igrejas, por força da Quarentena.  Que não fechemos a porta do nosso coração, por onde entra a força da nossa fé n´Aquele que está sempre conosco, e que tudo pode fazer por nós, como evento e dever obrigatório da nossa Quaresma.

Em tempos de palavras vãs, fluídas e de medo, fortaleçamos nossa Quaresma, para que possamos obter a graça da salvação dessa Quarentena!

Marcos Araújo é professor e advogado

Diocese lança “Semana Nacional da Família”

A Semana Nacional da Família será lançada neste domingo (12) na Diocese de Mossoró com missa comemorativa às 11h, na Catedral de Santa Luzia, celebrada pelo vigário-geral diocesano e pároco, padre Flávio Augusto Forte Melo.

A Semana Nacional da Família será celebrada até o dia 19 de agosto em todas as dioceses do Brasil. O evento é promovido pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) e Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A semana terá como tema “O Evangelho da Família, alegria para o mundo”, mesmo tema do IX Encontro Mundial das Famílias com o papa Francisco, que acontece em Dublin, na Irlanda, neste mês de agosto.

A Semana da Família se encerra no dia 19 de agosto com a 9ª Romaria das Famílias no Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, no Santuário do Lima, em Patu (RN).

Com informações da Diocese de Mossoró.

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Blog participará de mesa-redonda sobre “fake news”

A Diocese de Mossoró, através da Rádio Rural de Mossoró, promoverá uma mesa redonda sobre o tema “Fake news e jornalismo da paz”,  na quarta-feira (16), a partir das 8h. Acontecerá dentro do programa “Bem viver”, apresentado pela jornalista Valéria Bulcão.

Os convidados são o diretor da Rádio Rural de Mossoró, Padre Ricardo Rubens, e os jornalistas Izaíra Thalita e Carlos Santos (Blog Carlos Santos). Essa mesa redonda será uma forma de marcar  o Dia Mundial das Comunicações, que foi dia 13 de maio,  e ressaltar a mensagem do  Papa Francisco.

O tema é “A verdade vos tornará livres (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz”.

Os instrumentos de comunicação social a serviço da verdade. Segundo o Papa, a mensagem é para contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade.

Acompanhe ao vivo neste endereço: www.ruraldemossoro.com.br 990 kHz/ AM

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O canalha dos canalhas, o patife dos patifes, o monstro

Por Inácio Augusto de Almeida

O estuprador traumatiza sua vítima e até mata. Um monstro

O assassino profissional mata quem nunca viu antes e sem nenhuma motivação, salvo o dinheiro que receberá para cometer a atrocidade.

O assaltante rouba e humilha a sua vítima.

O traficante transforma suas vítimas em verdadeiros zumbis.

Todos os criminosos que conhecemos causam um tremendo mal à sociedade.

Porém tem um bandido que faz com que o assassino, o estuprador, o assaltante e o traficante pareçam pessoas de bem, tal a gravidade do crime que comete.

O corrupto.

O estuprador destrói o emocional de sua vítima tornando-a portadora de dano emocional irreversível.

O corrupto ao tirar o emprego da sua vítima aniquila com a autoestima da pessoa e a torna um desajustado social.

O corrupto mata. E se mata é um assassino. Um assassino que mata, não um por um, mas, tal qual um genocida, mata no atacado e, com sua prática deletéria, extermina milhares de uma só vez.

O corrupto furta e reduz suas vítimas a pobres diabos que se humilham em troca de lentilhas porque tudo lhes foi tirado. Até mesmo a dignidade.

O traficante aniquila na suas vítimas os valores e as transformam em dependentes que facilmente se deixam escravizar.

O corrupto não se contenta só em reduzir suas vítimas à condição de miseráveis. Além de tudo tirar dos que foram reduzidos a pobres diabos, faz com que passem a ser serviçais e colaborem na prática de suas ações criminosas.

Execramos o estuprador, o assassino, o assaltante e o traficante.

E o que fazemos com o corrupto?

Estendemos tapetes vermelhos para este verme. Reservamos os primeiros lugares nas igrejas ao mais perigoso de todos os bandidos.
Somos covardes.

Temos coragem de amarrar a um poste e linchar um estuprador, assassino, assaltante ou traficante, mas jamais conseguimos deixar de cumprimentar, de forma respeitosa, um corrupto.

O Papa Francisco disse que a corrupção fede.

Se a corrupção fede o corrupto é fedorento.

E porque não sentimos o cheiro repugnante que exala do corrupto?

Não sentimos porque a nossa covardia destruiu o nosso olfato.

Um dia criaremos coragem e não mais nos curvaremos a estes bandidos.

Não pode falar em dignidade quem tolera corrupto.

João Inácio Almeida é jornalista

A fé que chora

Por Inácio Augusto de Almeida

O Papa Francisco disse neste sábado (2) que chorou ao ouvir 16 refugiados rohingyas na véspera em Daca, e explicou que o fato de poder conhecer gente dessa minoria muçulmana tinha sido “uma condição” para ele viajar a Myanmar e Bangladesh.

Imagino o Papa Francisco ouvindo o relato dos moradores de rua. Quantas lágrimas o Papa derramaria quando escutasse o choro de uma criança que adormece com fome nas ruas de Mossoró?

Quantas lágrimas o Papa derramaria ao perceber o choro abafado de uma mãe que escuta seu filho gemer por causa da dor provocada pelo estômago vazio?

Quantas lágrimas o Papa derramaria ao sentir a revolta do pai de família desempregado por conta de uma corrupção alicerçada na impunidade provocada pela demora de tribunais que não julgam recursos de corruptos confessos e debochados?

Só chorar não basta.

Com a autoridade religiosa e moral que o Papa Francisco tem, poderia imediatamente dar início a uma campanha mundial de combate à corrupção.

Aqui em Mossoró testemunhei um Padre chorando ao conversar com um morador de rua.

Manhã cedinho, levava minhas filhas ao catecismo e encontro o Padre Talvacy Chaves, Igreja de Fátima, conversando com um morador de rua que estava deitado na calçada da Igreja.

Aproximo-me e observo que os olhos dos padre Talvacy Chaves estão cheios de lágrimas.

Digo ao Padre Talvacy Chaves que só chorar não basta.

Neste dia ouço uma homilia que ficou para sempre na minha memória. A igreja católica precisa urgentemente se engajar no combate à corrupção. E este engajamento pode ter início aqui em Mossoró.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e webleitor

Os 30 do Rio Grande do Norte

Amanhã, no Vaticano, os 30 Mártires de Cunhaú e Uruaçu vão ser canonizado pelo Papa Francisco.

Serão oficialmente reconhecidos como santos, sejamos claros.

Participando in loco da canonização, o governador Robinson Faria (PSD) bem poderia aproveitar a assunção deles ao cânone divino, para nomeá-los à defesa dos cidadãos do Rio Grande do Norte, na Segurança Pública.

Agora, sejamos claros: se não der certo, o cidadão-contribuinte reclame ao “Superior” deles.

“O Governador da Segurança” está fazendo sua parte.

Amém!

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Robinson identifica pecado do seu ex-aliado “Francisco”

Em conversa com um interlocutor em sua estada em Mossoró no final de semana, em pleno Mossoró Cidade Junina (MCJ) 2017, o governador Robinson Faria (PSD) desabafou:

– Silveira entregou a condução política dele à cunhada. Deu no que deu.

Referia-se ao ex-aliado e ex-prefeito mossoroense Francisco José Lima Silveira Júnior (PSD), que na campanha municipal do ano passado foi levado a adotar o novo nome político de “Francisco”, numa alusão ao Papa Francisco, mas desistiu da disputa.

Sua cunhada, a jornalista e marqueteira Mirella Ciarlini, foi a responsável também por esse mimetismo político.

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Esquerda e direita

Por François Silvestre

A Esquerda é o abrigo solidário e generoso da política. A Direita é o estuário da realização pessoal, do sucesso financeiro.

Que símbolos humanos no mundo de hoje expõem essa diferença?

Fácil.

O Papa Francisco é a Esquerda. Donald Trump é a Direita.

A Esquerda prioriza a dignidade humana dos desvalidos, hipossuficientes. Protege ou defende a Natureza. Põe a solidariedade acima da ganância.

A Direita defende a riqueza individual, o controle da produção pelos mais espertos ou mais eficientes. A Natureza é secundária e pode ser agredida, desde que sirva aos propósitos do progresso financeiro.

Essa é a diferença do azimute.

Você pergunta: E os corruptos, onde ficam?

Em nenhum dos lados.

O corrupto não é de esquerda nem de direita. A Rosa dos Ventos do corrupto é ele mesmo.

O corrupto não é apenas nojento, é profundamente imbecil. Porque nega aos outros o que ele também não terá. Não terá fortuna nem sossego.

O corrupto é sósia do terrorista.

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Prefeito ‘larga’ o pai para ser apenas “Francisco” em campanha

A cor-padrão está mantida: é o amarelo. Mas o candidato à reeleição à Prefeitura de Mossoró, prefeito Francisco José Júnior (PSD), repaginou o próprio nome político para se apresentar ao eleitor na atual campanha.

O objetivo do marketing é ainda difícil de se identificar com segurança, mas se for para simplificar, tudo bem. Ficou simples mesmo utilizar apenas o prenome do candidato. Se será eficaz, o tempo dirá.

Francisco José Júnior é agora simplesmente “Francisco”. Em todo material de campanha para tentar amealhar votos, ele aparece de um jeito que não foi durante toda vida pública e no próprio mandato em andamento, desconectado da origem biológica e política.

Peça de propaganda mostra identidade visual de um 'novo' político, agora simplesmente "Francisco" (Foto: reprodução)

Em campanhas para vereador, o hoje prefeito Francisco José Júnior chegou a usar o slogan “Em nome do pai” para justificar o voto em seu nome a partir do largo conceito social conquistado por Francisco José, o pai (ex-vereador e ex-deputado estadual).

A forte associação que marcou toda sua vida política de mais de 16 anos, ligando-o ao nome civil paternal, desapareceu na corrida eleitoral deste ano por força do marketing. É como se nunca tivesse existido.

“Papa Francisco”

Nas peças de propaganda agora, Francisco (ex-Francisco José Júnior) aparece com punho cerrado e braço direito erguido, numa outra identidade visual para tentar chegar à reeleição.

O marketing tem suas razões (ou deve ter) para tentar esse ajuste que o separa do seu maior capital-imagem até então: “o enfermeiro do povo”, o ex-deputado, o “irmãozinho” Francisco José. Esses epítetos se incorporaram ao ex-parlamentar estadual e o ajudaram a transferir votos ao filho Francisco (ou Francisco José Júnior), em quatro campanhas a vereador e a prefeito em 2014.

Francisco é um nome “papal”, digamos. “Papa Francisco”, prefeito Francisco. Se a ideia é ligar um ao outro subliminarmente, a junção cria um ecumenismo político-eleitoral religioso raro na tentativa de cabalar votos em 2 de outubro, haja vista que o seu vice, Micael Melo (PTN), é evangélico.

Já o slogan da campanha é extraído de trecho da música-tema do espetáculo teatral “Chuva de Bala no País de Mossoró”, do compositor Nissan Guanais – como o Blog já postou (veja AQUI). Remete-o à figura destemida do prefeito Rodolfo Fernandes, líder da resistência da cidade ao bando de Lampião em 1927:

Sempre resistir; recuar, jamais!

Nos primeiros programas de rádio e televisão, nas ruas e redes sociais, Francisco (ou Francisco José Júnior) é apresentado como “vítima” da elite política local materializada nos tentáculos da família Rosado.

Vencer a todos é uma tarefa que não caberia a Francisco José Júnior ou “Silveira”, como ele é conhecido desde a infância por familiares e amigos, mas a Francisco. Com uma pitadinha de Rodolfo Fernandes, claro.

Francisco José, o pai, fica apenas como cabo eleitoral terreno.

Veja matéria sobre identidade visual da campanha de Rosalba Ciarlini (PP) – clicando AQUI.

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Papa Francisco perdoa Padre Cícero Romão Batista

O bispo da diocese de Crato, dom Fernando Panico, divulgou neste domingo, durante missa na Catedral de Crato, que o Padre Cícero Romão Batista foi perdoado pelo Vaticano das punições impostas pela igreja Católica entre 1892 a 1916. A reconciliação é um passo definitivo para a reabilitação de padre Cícero na Igreja Católica.

Padre Cícero fora excomungado (Foto: reprodução)

Durante a homilia na Sé do Cariri, dom Fernando Panico informou que “Hoje, por ocasião da abertura solene da Porta Santa da Misericórdia nesta Catedral de Nossa Senhora da Penha, quero anunciar com alegria, à querida Diocese de Crato e aos romeiros e romeiras do Juazeiro do Norte, um gesto concreto de misericórdia, de atenção e de carinho por parte do Papa Francisco para nós: a igreja Católica se reconcilia historicamente com o padre Cícero Romão.

Segundo a carta, assinada pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, “A presente mensagem foi redigida por expressa vontade de Sua Santidade o Papa Francisco, na esperança de que Vossa Excelência Reverendíssima não deixará de apresentar à sua Diocese e aos romeiros do Padre Cícero a autentica interpretação da mesma, procurando por todos os meios apoiar e promover a unidade de todos na mais autentica comunhão eclesial e na dinâmica de uma evangelização que dê sempre e de maneira explicita o lugar central a Cristo, principio e meta da História”.

Virtudes

A comunicação da reconciliação da igreja com Padre Cícero “é mais que uma reconciliação. É um pedido de perdão da igreja pelo o que aconteceu o sacerdote brasileiro”, afirmou Armando Rafael, assessor de comunicação de dom Fernando Panico.

Na mensagem enviada à diocese do Crato, o papa Francisco exalta várias virtudes de evangelizador de padre Cícero, fundador de Juazeiro do Norte e primeiro prefeito do município.

Veja matéria completa AQUI.

Corrupto come “pão sujo”, peca e perde a dignidade

O Papa Francisco explicou hoje que quem leva “pão sujo” para casa, no sentido de melhorar de vida com dinheiro sujo, fruto de corrupção, suborno ou gratificação ilícita, perde a dignidade e comete pecado grave.

Francisco: cita mau exemplo (Foto: Vaticano)

Francisco refletiu sobre a passagem evangélica do administrador desonesto, em sua missa matutina na Casa Santa Marta.

Segundo o Papa, o administrador desonesto é um exemplo de mundanidade. A corrupção, o suborno, as gratificações ilícitas não podem ser aceitas, mesmo que muitas pessoas façam isso.

“É um pouco aquela atitude do caminho mais breve, mais cômodo para ganhar-se a vida”, disse Francisco.

“É um louvor às ‘luvas’ (no sentido de gratificação ilícita ou suborno). E o hábito das ‘luvas’ é um hábito mundano e fortemente pecador. É um hábito que não vem de Deus.”

Segundo o Papa, Deus “ensinou-nos a levar o pão de cada dia para casa com trabalho honesto.”

E como o administrador desonesto ganhava o seu pão de cada dia? Ele “dava de comer aos seus filhos ‘pão sujo’! E os seus filhos se calhar educados em colégios caros, talvez criados em ambientes cultos, tinham recebido do seu pai ‘comida suja’, porque o seu pai, levando ‘pão sujo’ para casa, tinha perdido a dignidade! E este é um pecado grave!”

De acordo com Francisco, o hábito dos favorecimentos e gratificações por fora torna-se uma dependência.

Contudo, “se existe uma esperteza mundana, também existe a esperteza cristã vivendo honestamente”.

“Tal como nos convida Jesus quando nos diz para sermos astutos como as serpentes mas simples como as pombas. E este é um dom que devemos pedir ao Senhor.”

“Talvez hoje nos faça bem a todos rezar por tantas crianças que recebem dos seus pais “pão sujo”: também estes são esfomeados, são esfomeados de dignidade!”, encerrou o Papa.

* Com informações da Rádio Vaticano. Texto originalmente divulgado no dia 8 de novembro de 2013.

Somos chamados a crer

Por Mauro Santayana

Católicos ou não, cristãos ou não, somos chamados a crer na esperança, que o papa Francisco nos traz, com seu discurso renovador.

A Igreja, como instituição, pode até mesmo encarnar as palavras de seu Chefe como  forma de recuperar o seu poder profético, abalado pelas vicissitudes conhecidas. Mas a Humanidade, em seu instinto de permanência, deverá acatá-las como outra oportunidade de renovar a eterna aliança entre os homens e o Absoluto.

O que o Papa vem dizendo em público – e ele falou de forma descontraída com os jornalistas, enquanto voava rumo ao Rio – é simples. O hedonismo, o amor ao dinheiro e ao lucro, o desperdício, estão sepultando a História.

Ao perder seu passado, o homem perde o seu futuro.

Há, em nosso tempo, e com a dissolução da família, o desprezo pelos jovens e pelos velhos. Os robôs, como se sabe,  substituem os moços, nos processos industriais que produzem para o descarte e o desperdício. Os velhos são vistos como trastes imprestáveis, que necessitam de cuidados caros.

Mas, conforme o Papa, de sua experiência e saber depende a sobrevivência de todos.

A situação é ainda mais grave do que em 1962, quando se reuniu o Concílio do Vaticano II, convocado pelo Cardeal Roncalli. O novo pontífice substituía Pio XII, acusado de haver sido protetor de Hitler em seu tempo de arcebispo de Munique – ao contrário de seu antecessor, Pio XI, que mandou apagar as luzes do Vaticano na noite em que o ditador alemão pernoitou em Roma.

Roncalli era um homem de fé e simples em sua vida pessoal – um traço em comum com o argentino Bergoglio – disposto a restaurar alguns princípios cristãos, abandonados pela Igreja ao longo dos séculos. Infelizmente, a sua influência, ainda que poderosa, sobre o Concílio, durou pouco.

Tendo aberto o encontro em 11 de junho, morreu menos de um ano depois, em 3 de junho do ano seguinte.

É interessante cotejar a pregação do Pontífice com as declarações do presidente do Banco Mundial, o sul-coreano Jim Jong Kim, que defende, com veemência, a globalização neoliberal e os cortes nos orçamentos sociais dos Estados. Isso, ao mesmo tempo em que a Security and Exchange Comission norte-americana autoriza os bancos a comprar, estocar e vender mercadorias como o alumínio, o cobre, o ouro e outros metais.

Os bancos passam, assim, a exercer o monopólio mundial dos metais, ditando os preços ao seu arbítrio.

Já podemos prever o destino do mundo, se não ouvirmos a mensagem cristã, que Francisco reafirma nessa sua viagem ao Brasil, depois de haver visitado o porto de Lampedusa, porta de entrada, na Europa, dos flagelados pela miséria na África, que  chegam em botes frágeis. O Papa deixou claro, ali,  que não há fronteiras diante do direito à vida.

Reagir, enquanto é tempo, e em todos os lugares do mundo, é a única forma de salvar a espécie.

Mauro Santayana é jornalista