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Os estreitos laços entre o cangaço e o coronelismo

Um dos articulistas perpétuos do Blog Carlos Santos, o professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN Honório de Medeiros prestou significativo depoimento ao pesquisador do fenômeno do cangaço, como ele, Aderbal Simões Nogueira.

O vídeo constante dessa postagem, na íntegra, é o resultado dessa entrevista concedida por Honório a Aderbal, que trabalha como documentarista, tendo o cangaço como conteúdo predominante.

Conexões entre política, coronéis e cangaceiros, personagens que estão interligados no ataque do bando de Lampião a Mossoró, a produção literária sobre o tema, o aprofundamento científico à temática, memórias do grande estudioso (in memoriam) Paulo Gastão, a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), novo livro que desnudará o cangaceiro Jesuíno Brilhante e outros aspectos subjacentes estão no depoimento.

Não teria havido a invasão de Mossoró se não fosse Massilon (cangaceiro) – dispara.

Honório de Medeiros chegou a escrever um livro tendo esse personagem como foco principal. Porém seu trabalho vai além da historicidade de um bandido, pois avança em outras direções que se interligam.

Formam um quebra-cabeça complexo sobre o poder no sertão nordestino na primeira metade do século passado, bem como os laços entre coronéis e bandos de facínoras.

Aproveite essa ótima entrevista.

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“Cariri Cangaço” homenageará pesquisador Paulo Gastão

Paulo: homenagem (Foto: Web)

Falecido no último dia 4 de março em Mossoró, o farmacêutico-bioquímico, escritor e pesquisador Paulo de Medeiros Gastão, 80, será homenageado em plena realização do Cariri Cangaço, dia 24 de julho, em Crato-CE.

O anúncio foi feito através das redes sociais, pelo mentor desse movimento que chegará à sua 10ª edição, Manoel Severo.

Fundador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), incentivador emérito de todos os grupos de pesquisa do Cangaço no Brasil, o pernambucano Paulo Gastão receberá “in memoriam” – através de sua filha Patricia Gastão – comenda na Categoria Pesquisador.

Paulo Gastão escreveu importantes livros sobre o banditismo rural fermentado no Nordeste entre o século XIX e século XX, como “Quem é quem no cangaço”, “Lampião de A a Z”, “O cangaço e a imprensa”, “Jararaca – o cabra valente do Moxotó” e “Geografia do cangaço – nomenclatura”.

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Falece em Mossoró o médico e pesquisador Paulo Gastão

Paulo: grande perda (Foto: Web)

O farmacêutico-bioquímico, escritor e pesquisador Paulo de Medeiros Gastão, 80, pernambucano de origem que se tornou mossoroense por inteiro, faleceu nesta segunda-feira (4). O óbito ocorreu em Mossoró, pela madrugada.

Tinha câncer e estava internado na antiga Casa de Saúde Santa Luzia, unidade da Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer (LMECC).

O velório acontece na capela do Seminário Santa Terezinha. Seu sepultamento ocorrerá às 16h no Cemitério São Sebastião, em Mossoró.

Criador e primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), ele escreveu importantes livros sobre o banditismo rural fermentado no Nordeste entre o século XIX e século XX, como “Quem é quem no cangaço”, “Lampião de A a Z”, “O cangaço e a imprensa”, “Jararaca – o cabra valente do Moxotó” e “Geografia do cangaço – nomenclatura”.

Compôs também outras entidades e movimentos culturais, como Fundação Vingt-un Rosado e o Cariri Cangaço.

Nota do Blog – Paulo era uma figura adorável. Inesquecível uma viagem que fizemos juntos há alguns anos, para participação no Cariri Cangaço, entre Crato, Juazeiro, Barbalha e outros municípios cearenses.

Que descanse em paz, meu caro.

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Uma jornada pela história e identidade nordestinas

No carro, quatro ocupantes. Cada um de nós com seu jeito e aspirações, histórias e idiossincrasias.

Vamos para mais uma edição do “Cariri Cangaço”, cruzando parte do sertão do Rio Grande do Norte a partir de Mossoró e cortando terras da Paraíba até aportarmos no Ceará. De 17 a 22 de setembro (2013), o Ceará é nosso endereço. O Cariri, nossa pátria!

"Volantes" e "cangaceiros" em encontro com passado - e olhos no futuro (Sara Saraiva)

O Cariri Cangaço é um evento único. Há três anos estreei como ocupante dessa viagem ao passado, para conhecimento de nosso presente e reflexões quanto ao futuro. Foi em 2010.

De lá para cá, o mesmo caldeirão. Muitas interrogações, perplexidades, história, sociologia, antropologia, botânica, antropologia criminal, arqueologia, arquitetura e as mais diversas manifestações cientificistas ou leigas.

É um mergulho em nossas origens, feridas, desatinos e heroísmos quase desconhecidos no sertão nordestino.

Identidade nordestina

Bandidos x mocinhos; maniqueísmo x busca da verdade. Enfim, o incessante mergulho em fenômenos como o cangaço, coronelismo, a ousadia de Canudos, religiosidade e tudo aquilo que desenha o DNA de um povo e sua região.

O Cariri Cangaço nasceu do apetite desbravador de um cearense bonachão. Um fidalgo à moda antiga, na acepção da palavra. A nobreza em pessoa: Manoel Severo.

Mas ele já não é mais o dono do evento. Fugiu ao seu controle, foi assumido também por dezenas de apaixonados pelos temas variados que fazem parte da vida sertaneja e nordestina. Foi possível encontrarmos e interagirmos com gente do Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo etc.

Mais de 15 estados representados por escritores, pesquisadores, historiadores, advogados, jornalistas, engenheiros, arquitetos, professores, promotores de Justiça e gente das mais variadas atividades ligadas ou não ao tema cangaço.

Lançamento de livros, apresentação de documentários, palestras, debates, visita a pontos e prédios históricos, homenagens a pessoas que fazem parte da história e da cultura nordestina fizeram parte da maratona. E estrada, muita estrada… ufa!

O Cariri Cangaço é também prova de fôlego para físico e mente. Dias que se misturam com noites e escorrem pela madrugada.

O caipira de Poço Redondo-SE

Foi oportunidade para homenagearmos Alcino Alves Costa, o escritor, poeta, radialista, empresário, político e acima de tudo nordestino. “O caipira de Poço Redondo (SE)”, epíteto que ostentava em forma de galardão.

Ele, pela emoção que despertou nas homenagens recebidas, certamente é símbolo desse evento. Mesmo ausente, onipresente.

Alcino, de morte sacramentada ano passado, ganhou vida perene e a eternidade entre os amigos e familiares.

Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha, Porteiras, Barro e Aurora formaram mais uma jornada do Cariri Cangaço, em pleno sertão cearense. A caatinga com suas árvores retorcidas e chão seco, contrasta com o sorriso de seu povo, além da conhecida generosidade.

Gastão, Honório, o editor deste Blog e Franklin Jorge: muitas histórias

A fé no “Padim Ciço” e os sinais de preservação da história podem ser sentidos nos casarões, igrejas e alma do cearense. Um orgulho que contamina a todos, sem se revelar como um sentimento opressor ou limitador das relações interpessoais.

Ficou a vontade de voltar.

Entre “volantes” e “cangaceiros”, temos a aspiração do reencontro com a paixão pelo Nordeste.

O carro com o professor e escritor Honório de Medeiros, médico-pesquisador Paulo Gastão, eu e o jornalista Franklin Jorge trouxe um monte de lembranças na boleia e na mala.

Hora de retornarmos ao cotidiano da cidade, nossa selva de pedras.