Na página Maitê Proença, no Instagram, o grande pediatra Ney Fonseca mostra perigos da exposição excessiva das crianças ao mundo virtual em smartphone, tablet e televisão.
Aponta comprometimento do cérebro e da própria vida futura.
Bom mesmo é carinho e outros meios à formação dos pequenos.
“As telas eletrônicas são formalmente contra-indicadas,” assinala o pediatra
Ex-prefeita (quatro mandatos), ex-senadora e ex-governadora do RN, a médica pediatra Rosalba Ciarlini (PP) extirpou de sua identificação em redes sociais o currículo político.
Na “bio” (denominação de perfil) de seus endereços, o foco é na profissional da saúde.
Apresenta-se como “Dra. Rosalba Ciarlini”.
É “médica pediatra”.
Política, em tese, é coisa do passado.
Mas, nas postagens, aqui e ali joga conteúdo com feitos de sua época de política. Nada de medicina.
Entendi.
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Mesmo fora da área médica, o termo Pediatra é bem difundido como “Médico de criança” e, por convivermos há tanto tempo com essa palavra, a definição nos parece óbvia. Mas, nem sempre houve essa segregação por área de atuação. Já se questionaram onde essa ciência arraigou suas origens?
Há registros de atividades médicas desde o Egito Antigo, quando apesar de poucas fundamentações teóricas, o homem passou a ansiar formas de tratar enfermidades físicas. Na época, não havia uma linha clara que demarcasse os limites entre a ciência e a religião, estando a medicina inevitavelmente misturada com a magia.
Foi na Grécia Antiga onde a medicina se constituiu como ciência, com os primeiros relatos e experimentos de Hipócrates, considerado o maior crítico da Medicina Moderna, título concebido por contestar as correntes filosóficas que tinham como base a hipótese de que apenas os deuses eram determinantes para todas as causas das doenças. Por mérito, foi também qualificado como o “Pai da Medicina” e ainda se imortalizou no seu juramento solene, proferido pelos concluintes do curso médico até hoje.
Com o passar dos anos, as ciências médicas foram se consolidando como fundamentais para o cotidiano dos seres humanos. Dentro dessa evolução, a medicina passou a se dividir em diversos departamentos de atuação e encontrou novas maneiras de proporcionar bem-estar e melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Descrevendo de forma mais precisa, a palavra Pediatria foi criada em 1880, tem origem grega (paidos: criança e iatreia: processo de cura) e surgiu como especialidade apenas no final do século XIX, quando os elevados índices de mortalidade infantil exigiram que os médicos se aprofundassem no processo de doenças e curas de tal população.
O início da sua história se dá no século XVIII, considerado um marco para a medicina, graças aos avanços no ensino pediátrico na Europa. Destaca-se nesse período a descoberta da vacina antivariólica, por Edward Jenner em 1796.
O primeiro hospital pediátrico no mundo ocidental foi o Hôpital des Enfants Malades (tradução literal: Hospital para Crianças Doentes), criado em 1802, em Paris, o qual ficou conhecido por cuidar de pacientes apenas até seus 15 anos de idade. Médicos de todo o mundo acorreram à França para desenvolver formação em Puericultura e Pediatria, dado o protagonismo da medicina francesa à época.
Posteriormente, diversos outros centros pediátricos foram inaugurados em vários países: Alemanha, Rússia, Áustria, Polônia, Inglaterra… Paulatinamente, vieram a se desenvolver ações voltadas para a proteção da infância na América Central e América do Sul.
Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo – médico do século XIX – culto, amante das letras e das artes, é considerado o Pai da Pediatria no Brasil. No dia 28 de julho de 1882, com a presença do imperador D. Pedro II, inaugurou a Policlínica Geral do Rio de Janeiro: o primeiro curso de pediatria do país. Uma parte da elite médica, bitolada à uma prática essencialmente generalista, resistia à criação de áreas diferentes no interior do conhecimento médico.
Depois de gerar grande controvérsia, o curso de Carlos Arthur foi finalmente reconhecido e regulamentado, passando a funcionar em sua própria residência, na rua da Lapa, centro da cidade do Rio de Janeiro.
A visão pediátrica de Carlos Arthur era tanta que ele percebia a Policlínica Geral como uma forma de conseguir crianças (e diferentes casos clínicos) para as aulas práticas e já naquela época, demonstrava uma preocupação imensa com o Aleitamento Materno, tema de suma importância até os dias atuais.
Desde então, a pediatria passou a ser compreendida como uma especialidade diferenciada, visto que não segmenta o indivíduo, mas enxerga o corpo infantil com suas singularidades em relação ao adulto: inconcluso, em desenvolvimento e crescimento; “em processo de ser”.
O caminho até que se forje pediatra consiste em: 6 anos de faculdade para formação em medicina, seguidos por 3 anos de Residência Médica em pediatria. A evolução da pediatria foi tanta que, desde o século XX, já podemos ter acesso a sub especialistas, com cursos de formação bem estabelecidos.
Primeiro hospital pediátrico do mundo ocidental – Hôpital des Enfants Malades – (Reprodução Web)
Atualmente, são cerca de 40 mil especialistas em atividade, conferindo à pediatria o título de segunda maior especialidade médica no país, ficando apenas atrás da Clínica Médica. Houve aumento nesse número em mais de 10% nos últimos dois anos.
Contudo, a distribuição de pediatras nos estados brasileiros ainda é desigual: há uma grande concentração nos estados mais desenvolvidos e nas capitais. Mais da metade dos pediatras, aproximadamente 55%, estão localizados na região Sudeste do país. Longe desses números, está o Nordeste e o Sul com 16,2%, o Centro-Oeste com 8,6% e o Norte com 4%.
Ser Pediatra é atuar como agente em defesa da vida. É estar inteiro, atento e sensível. Por vezes, é preciso extrapolar nossos sentidos, como se fôssemos os super heróis favoritos dos nossos pequenos pacientes. Ser responsável pela saúde de uma criança significa garantir que tudo o que está em seu entorno trabalhe para um mesmo objetivo: o bem-estar infantil.
Não sei quanto aos outros 39.999 profissionais, mas essa pediatra que vos escreve é incrivelmente encantada com o mundo de sentimentos e afeto que a Pediatria proporciona.
Ingryd Medeiros é endocrinologista pediátrica
* Texto originalmente publicado na revista Presença
Na sala de espera de um pronto-socorro pediátrico, aguardando atendimento com meu filho observei uma cena curiosa: uma mulher caminhando pela recepção tentando acalentar uma criança em seus braços, usava seu carinho protetor para tentar conter o choro ensurdecedor, que é o choro de uma criança aflita e assustada.
Enquanto isso, sentada na cadeira da recepção, uma outra mulher, elegante, bem vestida e demonstrando preocupação, mantinha um contato a distância com os dois. Para minha surpresa, a recepcionista chamou a criança e mãe para entrarem no consultório do pediatra e a mãe da criança era justamente a senhora elegante e bem vestida que estava sentada, não a que acalentava a criança em seus braços.
Essa cena ficou marcada na minha memória. Tempos depois ao tentar entender a teoria do apego evoquei a lembrança da recepção do hospital pediátrico.
John Bowlby, psicanalista britânico, pesquisou o apego entre mãe e filho e chegou a resultados surpreendentes. Seu trabalho tem sido continuado e ampliado por outros pesquisadores.
O apego da criança com seu principal cuidador nos primeiros 24 meses de vida e, que na maioria das vezes, é a mãe que promove essa interação saudável, pode ser definidora da futura personalidade do indivíduo. O apego infantil pode ser definido como uma força emotiva que liga a criança com seu cuidador, alguém de quem depende para sua sobrevivência.
MUITA GENTE já ouviu falar em crianças com certa idade que “estranham” outras pessoas quando é colocada nos braços e por algum momento se ausentam das suas mães. Isso é reflexo do apego.
A criança se afasta da pessoa que traz segurança e foi exatamente esse comportamento infantil que Bowlby observou em suas pesquisas. E explicou a gênese da ansiedade que ele chamava ansiedade de separação, quando havia quebra dos vínculos mãe-filho.
Vivemos em uma sociedade “acelerada”, que cobra resultados e exige esforço para se manter competitivo e isso incluem mulheres, mães que têm que trabalhar, estudar e ainda assim ser mãe. Por força dessa sociedade opressora, nesse aspecto, “terceiriza” cuidados para poder dar conta de uma rotina exaustiva.
As pesquisas mostraram que ausência da pessoa protetora no início causava ansiedade e medo da perda. À medida que a ausência demorava, a criança ia substituindo a expectativa por frustração e revolta, devido a sensação de abandono.
Adiante, tendem a ser adultos com personalidades frágeis, ansiedade e delinquência. Até inteligência limítrofe foi observada em consequência do desapego.
O que foi descrito não quer dizer que é errado babas, avós e outras pessoas participarem da educação e construção de comportamento saudáveis. Na verdade, essa interação é necessária, porém a criança precisa reconhecer o cuidador que instintivamente ela escolhe para se sentir segura.
As crianças são monotrópicas, mas entendem muito bem afeto e é exatamente a qualidade desse afeto que importa no período crítico da formação do apego. Elas são completamente receptivas ao carinho, principalmente quando choram por fome, dor ou por qualquer outra sensação desagradável e sentem amparo – formando assim sua “base segura”.
Com essa base segura podem explorar o mundo cheio de novidades que as cercam, sem ansiedade, às vezes carregando um “paninho” ou ursinho que eles personificam como substitutos dos seus cuidadores na hora que buscam essa exploração do ambiente .
A mulher elegante, sentada na recepção do hospital pediátrico, que observava preocupadamente a babá acalentar seu filho, poderia ter tido no passado uma privação na fase da formação do apego. Tinha-lhe faltado uma base segura quando chorava por algo novo e assustador, e necessitava apenas de um colo quente e carinhoso para crescer um adulto seguro, capaz de transferir e corresponder às suas emoções diante do inesperado e desafiador futuro.