Neste mês de outubro, a categoria petroleira está em plena campanha reivindicatória. Mas, nem isso, impediu a Petrobras de lançar o “Mobiliza 2013”.
Trata-se de um programa de Recursos Humanos que tem por objetivo preencher 3.399 vagas, disponibilizadas, em sua maioria, no Sudeste do País. Apesar do nome, o que o programa promove no Nordeste, ao incentivar a saída da mão-de-obra qualificada da Região, vai, exatamente, na contramão do que sugere.

Vem daí o seu novo apelido: “desmobiliza”.
Entre as regras do Programa está a obrigatoriedade das gerências da Estrutura Básica de liberar os candidatos selecionados em, no mínimo, dez por cento, sem que haja reposição. Áreas de produção em terra, como Rio Grande do Norte e Ceará, são atingidas em cheio.
O efeito econômico-social dessa desmobilização, ou “desmanche”, como o Blog já denominou há muitos meses, já vem sendo sentido há bastante tempo.
O quadro é delicado e deverá piorar muito mais, a pesar do blá-blá-blá da classe política, posando ao lado da presidente da Petrobras – Graça Foster – e das promessas da empresa de que continua investindo na região.
Para o Sindicato dos Petroleiros do RN (SINDIPETRO-RN), a medida da companhia é não somente “desrespeitosa, como também ilegal, uma vez que o Acordo Coletivo proíbe a movimentação de pessoal durante o processo de campanha salarial”.
O sindicato avisa que estuda com sua assessoria jurídica, um contra-ataque através de medidas jurídicas que possam conter essa evasão.
De antemão, cabem alguns questionamentos: por que estas vagas não foram preenchidas pelo pessoal do Cadastro de Reserva do último concurso? Partindo do precedente de que a Empresa não prevê reposição dos funcionários transferidos, quem irá ocupar os cargos que foram deixados para trás? Serão simplesmente terceirizados, ignorando a necessidade de concurso público?
Desigualdades
Não é novidade que os campos terrestres do País, concentrados principalmente no Nordeste, vêm sofrendo desmobilização por parte da Petrobras.
O Programa de Aumento da Eficiência Operacional (PROEF) e o Programa de Otimização de Custos Operacionais (PROCOP) já trouxeram essa realidade, promovendo retração de investimentos e movimentação de trabalhadores para o Sudeste.
Agora, o “Desmobiliza” chega para ratificar a orientação de progressivo abandono da exploração do petróleo em continente a fim de arrecadar recursos para investir no Pré-sal.
Assim, na gestão Graça Foster, ao invés de a Petrobras ser um instrumento de apoio ao Estado no combate às desigualdades regionais, passa a ser fator de agravamento.
A classe política, sempre prodigiosa em tirar proveito na promoção pessoal e de grupos, da força e do abundante capital da Petrobras, insiste em fazer barulho e rugir, sem conseguir nada de concreto.
A indústria do petróleo está baseada em exploração e produção, além de grandes investimentos em pesquisa. A prioridade da Petrobras é o Pré-Sal, seu Eldorado, espécie de Serra Pelada oceânica.
Os investimentos em terra caem e não devem ser retomados. A riqueza e o progresso de incontáveis comunas estão comprometidos e o “Mobiliza 2013” é um atestado de óbito que contraria qualquer discurso ou retórica da empresa e de políticos.
Qualquer dúvida quanto a essa realidade, é só tomar a própria Mossoró como base. Veja AQUI reportagem especial desta página, sobre o comportamento da arrecadação direta da Prefeitura de Mossoró.
Os royalties do petróleo caem. Numa proporção ainda maior desabam os números do Imposto sobre Serviços (ISS) e a empregabilidade no setor definha com voracidade.
O efeito em cadeia é devastador. E o futuro, então…
Algumas cidades que cresceram com o “ouro negro”, no ciclo do petróleo, tendem a encolher nos próximos anos/décadas. Não aproveitaram o boom… pagarão caro por isso.
Com informações adicionais do Sindipetro/RN.