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Ditadura do ter, a endemia do crack e a força da impunidade

Realidade atual da violência urbana brasileira: muitos bandidos têm carteira assinada; alguns são oriundos da classe média.

Entre vários presos pela polícia de Mossoró, nos últimos tempos, temos muitos “trabalhadores”. Desemprego não rima tanto com crime como antes.

Números mostram que recuo nos índices de probreza não puxou para baixo a violência, como muitos sociólogos e outros estudiosos pregavam.

Aquele discurso de que o crime prospera devido a pobreza, é parcialmente correto, mas não necessariamente justificador do que estamos testemunhando.

Parece com o falso lugar-comum que tenta encontrar razões para a escalada da prostituição. Seu crescimento não pode ser romanceado, se arguindo que a maioria das mulheres de “vida livre” trabalha à garantia do sustento de filhos e pais.

Num passeio por lojas elegantes e butiques caras, as meninas provam que suas aspirações e objetivos são outros. Longe de necessidades primárias, boa parcela usa o corpo para viver um padrão que a labor de sol a sol difilmente permitiria.

Atentemos para outra faceta da criminalidade: além de roubar, os marginais contemporâneos gostam de humilhar suas vítimas, a ponto de inverterem papeis. O comum é tratarem as pessoas abordadas por “vagabundo (a)” etc.

Nessa trilha, um ingrediente explosivo à amplificação das estatística é o crack. Alastra-se como fogo em mato seco e há muito deixou de ser um problema de política, tão-somente: é caso de segurança nacional, de saúde pública.

O mapa da violência consome o Brasil de Norte a Sul, das grandes às pequenas cidades.

Desesperada, a população rosna e muitos cobram mudança na maioridade penal, para que menores infratores possam ser tratados sem distinção em relação ao adulto marginal.

Os mais exaltados pregam a pena de morte, oficializada pelo Estado.

Outros defendem e torcem pela execução pura e simples nas ruas, de quem estaria infrindo nossos códigos de boa conduta social.

Bote nessa caldeirada a questão da impunidade, além do sistema prisional que não reforma nem ressocializa (ou socializa) ninguém.

A própria família, da classe alta à base da pirâmide, não tem o mesmo peso e papel que cumpria até bem poucas décadas, em face da necessidade de sobrevivência e “igualdade”, que leva pai e mãe à labuta, deixando os filhos sem retaguarda.

Temos uma massa considerável de analfabetos, analfabetos funcionais, além de analfabetos políticos (algo pior). Esses milhões de brasileiros, em sua ignorância, contribuem para tamanho desalento, com números de uma disfarçada guerra civil.

Não podemos desprezar na análise dessa barbárie moderna, a própria sociedade capitalista que temos hoje, empurrando os mais jovens à busca desenfreada pelo “ter”, o status e o consumismo nem sempre possível dentro da lei.

A população carcerária brasileira em sua grande maioria é de jovens entre 18 e 29 anos, o que corresponde a cerca de 63% dos ocupantes de nossos presídios.

O aparelho policial tem-se mostrado ineficiente, sem a prioridade devida. Veja o exemplo do Rio Grande do Norte, que possui déficit enorme de pessoal em suas polícias Civil e Militar, menos veículos nas ruas, além de precariedade de instrumentos científicos e de inteligência.

Estamos encurralados e sem saída?

Ainda não. Mas não temos muito mais tempo para reagir.

Estamos doente, na UTI, com poucas chances de sobrevivência.

Somos vítimas de uma tríade devastadora: a ditadura do ter, a endemia do crack e a força da impunidade. Desse complexo (e seus derivados) nasce essa violência desenfreada.

O sinal está fechado para nós.

Um negócio em expansão em Mossoró

A “metrópole do futuro”, como a propaganda oficial trata Mossoró, não é apenas o que sai na divulgação em reportagens pagas.

Infelizmente, tem que conviver com mazelas advindas do alargamento do meio circulante.

Além do aumento na criminalidade, sucateamento de sua estrutura de Saúde, favelização, escassez de água e caos no trânsito, entre outros problemas, a prostituição ganha volume de porte industrial.

Para Mossoró tem migrado mulheres até de outros estados, para temporadas pontuais de “trabalho”.

Mas também é possível identificar, que o chamariz alcança municípios de menor porte, dentro do próprio RN. Adolescentes vêem em Mossoró uma oportunidade para faturar um dinheiro fácil, sem maiores compromissos.

Existem até agentes (proxenetas) especializados só nesse tipo de “produto”, que exige translado, algum custo eventual com estadia e maior cuidado quanto a problemas legais.

Muitas dessas jovens fazem rápidas viagens a Mossoró, alegando a familiares que farão visita a parentes, busca por emprego, compras ou simples presença em alguma festa.

A concorrência está muito acirrada.

São os efeitos colaterais do desenvolvimento.