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Justiça promoverá mutirão para migrantes, refugiados e apátridas

migrantes 1A Justiça Federal do Rio Grande do Norte (JFRN) promoverá na próxima segunda-feira, dia 18 de dezembro, uma ação inédita voltada para migrantes, refugiados e apátridas em situação de vulnerabilidade social e econômica. A partir das 9h, no anexo da JFRN, em Natal, serviços como requerimento de benefícios sociais, expedição de documentos, ações na Justiça e atendimento médico, entre outros, serão oferecidos para os migrantes que se encontram em Natal e região metropolitana.

O evento “Pop Rua Jud Migrantes” é uma das ações do Núcleo da Justiça 4.0 da JFRN, dedicado às causas de interesse de pessoas em situação de rua, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O mutirão reflete o compromisso de diversas entidades em proporcionar assistência abrangente e efetiva à população.

O evento é resultado de uma parceria com diversas instituições e órgãos públicos, como o Estado do Rio Grande do Norte, o Tribunal Regional do Trabalho, a Prefeitura de Natal, a Polícia Federal, o Tribunal de Justiça, as Defensorias Públicas e o INSS.

A estrutura contará ainda com intérpretes para, assim, viabilizar a comunicação do público a ser atendido.

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Aporofobia e relevância social a partir da vestimenta

Por Marcos Araújo

Uma orientação é comum em todos os manuais de headhunters como requisito do candidato ao emprego: prezar pela aparência e pelas vestimentas usadas na ocasião da entrevista. De acordo com uma pesquisa da Office Team, empresa norte-americana especializada em recrutamento profissional, o guarda-roupa é um fator fundamental. Além do emprego, a pesquisa apontou que o jeito de se vestir influencia na hora do empregado(a) ser promovido.roupas, camisas, cabides,

Pensei neste quesito agora que temos 4 milhões de refugiados de guerras somente na Europa, fugidos às pressas, apenas com uma sacola de mão contendo um pouco de comida e poucas peças de roupa. Em situação símile, milhares de venezuelanos perambulam em solo brasileiro em busca de comida e trabalho, à espera de uma providencia humana ou divina quanto ao seu alimento, abrigo e vestuário.

Refugiados e os pobres, de uma maneira geral, sofrem de uma doença social chamada Aporofobia (termo cunhado pela filósofa Adela Cortina, professora da Universidade de Valência). A palavra vem do grego “áporos”, o pobre, o desamparado, e “fobéo”, que significa odiar, rejeitar. Apesar de estranha, a palavra representa uma terrível realidade quanto à rejeição da pobreza.

A humanidade é historicamente formada pelo preconceito. Apenas como exemplo, na idade média, os bárbaros eram vistos como inferiores e escravos. No período vitoriano, as pessoas tidas como feias eram alvo de preconceito, com a desculpa que seria a feiura um castigo de Deus aos “impuros de alma”. Durante a guerra civil americana, os negros eram os alvos de crueldades. Nas décadas de 60 e 70, era o público LGBTQAI+ os antagonizados, e hoje, os refugiados são os excluídos.

Um pijama listrado no período da 2a. Guerra mundial serviu de dístico para a morte de milhões de judeus. Várias décadas depois, as vestimentas ainda continuam sendo parâmetros distintivos de classes sociais. Um exemplo conhecido pode ser dado: na rua  João da Escóssia, imediações da Praça do Rotary, dois vendedores de água disputam a clientela. Um, se veste de forma mais humilde; o outro, traja-se com roupa social e gravata.

O primeiro é confundido como se fosse um pedinte; o segundo, tratado como um arrojado empreendedor. Para o primeiro, os vidros das janelas dos veículos são cerrados; para o segundo, os vidros são baixados e ainda se pronunciam palavras de estímulo. Os dois são niveladamente iguais empreendedores e vendedores de água. A diferença na acepção parte da “clientela”.

Mesmo num mundo tão globalizado e evoluído tecnologicamente, ainda se vê rincões da ignorância, da incivilidade e da exclusão social que se pautam em empregar pessoas a partir do vestuário, da beleza, elementos raciais, de cor, sexo, idioma, religião, origem nacional ou social, opinião política, nascimento ou outro status.

No mundo jurídico e social, as vestes são vistas como símbolos  do poder. Blazer, Black-tie, vestidos  longos e outras vestes talares são inventos artificiais criados para instituir um ritual simbólico de poder. Contudo, tomando por empréstimo a expressão “minha roupa não me define”, criada para combater a violência de gênero, deve ser realçado que o conhecimento, a inteligência, o respeito, o saber e a educação não precisam de vestes especiais.

São José, o santo festejado nesta semana, e o seu amado filho Jesus, simples carpinteiros, se cobriam com túnicas sem costuras ou adornos. Até despojado de suas vestes o Cristo foi, no momento do seu sacrifício.

Uma sociedade justa, humana e fraterna se constrói com menos simbolismo, tradição e escolha de vestes, e muito mais com os valores da igualdade, acolhimento, humanidade, liberdade e fraternidade.

Que o nosso mundo aprenda a horizontalizar a todos no acesso ao emprego e ao bem-estar social, sem o olhar discriminador de suas vestes.

Marcos Araújo é professor e advogado

A fé que chora

Por Inácio Augusto de Almeida

O Papa Francisco disse neste sábado (2) que chorou ao ouvir 16 refugiados rohingyas na véspera em Daca, e explicou que o fato de poder conhecer gente dessa minoria muçulmana tinha sido “uma condição” para ele viajar a Myanmar e Bangladesh.

Imagino o Papa Francisco ouvindo o relato dos moradores de rua. Quantas lágrimas o Papa derramaria quando escutasse o choro de uma criança que adormece com fome nas ruas de Mossoró?

Quantas lágrimas o Papa derramaria ao perceber o choro abafado de uma mãe que escuta seu filho gemer por causa da dor provocada pelo estômago vazio?

Quantas lágrimas o Papa derramaria ao sentir a revolta do pai de família desempregado por conta de uma corrupção alicerçada na impunidade provocada pela demora de tribunais que não julgam recursos de corruptos confessos e debochados?

Só chorar não basta.

Com a autoridade religiosa e moral que o Papa Francisco tem, poderia imediatamente dar início a uma campanha mundial de combate à corrupção.

Aqui em Mossoró testemunhei um Padre chorando ao conversar com um morador de rua.

Manhã cedinho, levava minhas filhas ao catecismo e encontro o Padre Talvacy Chaves, Igreja de Fátima, conversando com um morador de rua que estava deitado na calçada da Igreja.

Aproximo-me e observo que os olhos dos padre Talvacy Chaves estão cheios de lágrimas.

Digo ao Padre Talvacy Chaves que só chorar não basta.

Neste dia ouço uma homilia que ficou para sempre na minha memória. A igreja católica precisa urgentemente se engajar no combate à corrupção. E este engajamento pode ter início aqui em Mossoró.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e webleitor